Há escolas a passar estudantes com 7 negativas

Em algumas escolas do Ensino Básico, os alunos podem passar mesmo tendo sete negativas, enquanto noutras chumbam com três negativas, algo que acontece devido ao carácter excepcional da retenção e da diferente interpretação que é feita do conceito.

No Agrupamento de Escolas Poeta Joaquim Serra, no Montijo, os alunos não são, por norma, retidos até chegarem ao 9º ano de escolaridade, com excepção das situações em que há excesso de faltas ou problemas comportamentais.

O presidente da Associação de Pais do agrupamento, Mário Novais, refere ao Público que “todas as escolas do Montijo fazem o mesmo, porque o critério não é do estabelecimento escolar, mas sim do despacho ministerial que atribui à retenção um carácter excepcional”.

A retenção é aplicada a título excepcional nos 2º, 3º, 5º, 7º e 8º anos, porque não são anos de fim de ciclo educativo.

Assim, “há alunos que acabam por transitar de ano com cinco ou sete negativas”, constata Mário Novais, lamentando ao jornal que isso “não motiva os alunos” para melhorarem.

O facto de este critério “excepcional” não estar claramente definido e depender da interpretação que cada escola faz dele causa discrepâncias entre estabelecimentos, havendo por um lado os que chumbam com três negativas e, por outro, os que passam os estudantes mesmo que tenham seis ou sete negativas.

“Só no final de cada ciclo é que existem critérios nacionais definidos por lei para a retenção dos alunos”, explica ao Público o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima.

O mais recente despacho sobre a avaliação dos alunos, publicado a 5 de Abril deste ano, especifica apenas a retenção como norma nos casos de excesso de faltas.

A tendência das políticas educativas para a redução das retenções explica-se com a ideia de que são ineficazes em termos de aprendizagem, além de serem caras para os cofres públicos.

ZAP

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10 COMENTÁRIOS

  1. Eu conheço vários casos de alunos que praticamente não sabem ler/escrever e que fizeram o 9º ano num colégio privado (com contrato de associação) e que deveriam ter acesso a ensino especial, mas nunca o tiveram (o colégio não quis estar a gastar dinheiro!) e passaram sempre de ano para não estragar a média das notas do colégio!…

  2. Olha que novidade me dão….então também não existem alunos no ensino superior que nem o 4 ano têm?!?!? Essa dos maiores de 23 é mais uma alegada “vigarice”..Então as empresas portuguesas têm na administração gestores, administradores que de gestão nada sabem ou não querem saber?!!?’….tudo das cunhas e dos conhecimentos e do poder…isto não está para valorizar os estudos mas sim as cunhas e a vadiagem através de subsídios da segurança social….só não vê quem não quer ver…

  3. É uma irresponsabilidade e uma vergonha.
    É assim que se pretende preparar os homens e mulheres do amanhã?

  4. Os sindicatos e os políticos em vez de fazerem da escola um meio de quezília ideológica e política o melhor seria que se ocupassem da qualidade do ensino em vez de o degradarem cada vez mais, o ensino precisa de estabilidade e não andar a mudar constantemente consoante o prazer de um partido, ministro, sindicato ou professores alérgicos ao ensino, os alunos não são peças de partidos ou ideologias e o país precisa de gente bem formada com responsabilidade é para isso que servem os nossos impostos o que já não acontece há 44 anos. Neste ponto não vejo ninguém interessado a sentar-se a uma mesa para debater o assunto, é pena!

  5. Voltou tudo ao mesmo! Como professora nunca consegui engolir esta norma de os alunos passarem sem saberem! Ainda tive alguns casos que eu, professora de Português dei nota negativa e o conselho pedagógico fez o favor de passar o aluno e agora tenho uma jovem a quem ajudo que ficou retida no 8º com quatro níveis negativos e um colega dela que teve negativas em todos os períodos a seis disciplinas e passou para o 9º ano!
    Que tristeza de ensino! Voltamos ao mesmo em que os alunos do 12º nem sabem ler nem escrever correctamente! É isto que se quer para um país que se deseja evoluído? Fica a pergunta!

  6. Senhora Nema, deixe lá que também já tive esse problema…e adianta alguma coisa reclamar?!?’ Não vale a pena…neste país nada vale a pena..

  7. Passam sempre, ilusoriamente, como naquela música do meu tempo, “cantando e rindo, levados,levados sim” , até que um dia esbarram com a realidade, encalhando definitivamente quando prestam provas de acesso ao mercado de trabalho, porque ninguém os quer, nem de borla, simplesmente porque nada sabem.
    A propósito, recordo Emil CIoran, que dizia,
    “Há gente tão néscia que, se uma só ideia aflorasse à superfície dos seus cérebros, esta suicidar-se-ia aterrada com tanto vazio”.
    E talvez por isso que há muito tempo. a abreviatura DR, que muitos fazem questão de exibir antes do primeiro nome, não significa nada mais que DESEMPREGADO(A)-
    Assim se abrem as boas oportunidades de trabalho, aos estrangeiros possuidores de reais e altas valências académicas…

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