Viabilizar um Governo PSD? Só se Rio entregar ministérios a Ventura

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André Ventura

Se das próximas legislativas sair um Governo liderado pelo PSD, o Chega não será “um partido-muleta, como o CDS foi em tempos”. Esta é a garantia dada por André Ventura, que exige quatro ministérios para viabilizar um Governo social-democrata.

André Ventura vai levar ao III Congresso do Chega, em Coimbra, uma moção, intitulada “Governar Portugal”, na qual defende o Chega como “um parceiro incontestável de Governo por direito e mérito próprios”.

Ao Expresso, o líder partidário salienta que o Chega não se vai “tornar um partido de protesto, como o Bloco de Esquerda, nem vamos ser engolidos pelo PSD”. Ventura quer mais: um partido que “imponha uma margem para ser um membro ativo de uma governação” e espera que “o Congresso valide isso”.

As condições contam-se pelos dedos das mãos: quatro ministérios – Administração Interna, Defesa, Justiça e Segurança Social.

Ventura estabelece “uma fasquia entre os 10% e os 15%”, que determinará a sua força negocial. “Se o Chega tiver 15% e o PSD se recusar a conceder-nos esses quatro ministérios, não haverá Governo, mas não haverá mesmo”, sublinha.

Rui Rio ainda não conhece estas condições em detalhe, mas “no Congresso ser-lhe-á apresentado o caderno de encargos”.

Ainda assim, reconhece que “o Congresso terá de decidir se só damos apoio parlamentar, se não damos e tratamos um Governo do PSD como estamos a tratar o Governo do PS ou se encetamos negociações com o PSD para condicionar um Governo com a nossa presença”.

Passando a bola para o PSD, enquanto partido maioritário de uma eventual coligação de direita, Ventura identifica “duas estratégias”.

A primeira é existir a participação do Chega no Governo, mas sem Ventura. A segunda é o Chega limitar-se a dar apoio parlamentar e não entrar no Governo – sendo que, em relação a esta, Ventura dirá ao Congresso que “deve ser rejeitada liminarmente”.

Na prática, o Congresso tem de definir se o partido está disposto a repetir no continente uma solução à açoriana. “Damos apoio parlamentar, mas, na verdade, a nossa capacidade de influenciar a governação é muito pouca.”

Mas “se o Congresso entender que devemos apoiar um Governo do PSD, seja em que circunstâncias for, há uma certeza: não será comigo“, sublinha o líder.

Conseguirão o PSD, CDS e IL formar um Governo sem o Chega? “Acho que é praticamente impossível, mas tudo pode acontecer.”

ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. Por que razão uma força política que tem o peso de um deputado na Assembleia da República tem tanto protagonismo mediático? O mais provável é que este partido seja uma espécie de abcesso que vai esvaziar rapidamente em próximos atos eleitorais. Por que é que a Iniciativa Liberal que está nas mesmíssimas circunstâncias de representação na Assembleia da República não merece a mesma atenção? Aliás, não há nada de coerente no partido André Ventura, apenas uns “soundbites” de marcado mau gosto e muita insensatez.

  2. Que lata esse Ventura!
    A culpa é de Rio que o deixa fazer. Era um não, firme e claro por parte do PSD e o Chega esvaziava-se…

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