Governo demite director que criticou falta de dinheiro para a segurança aérea

Paulo Vaz Henriques / Portugal.gov.pt

Primeiro-Ministro António Costa e Ministros Adjunto, Eduardo Cabrita, e do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques

Primeiro-Ministro António Costa e Ministros Adjunto, Eduardo Cabrita, e do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques

O director do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA), Álvaro Neves, foi exonerado do cargo, depois de se ter queixado da falta de verbas para a segurança aérea em Portugal.

Um dado confirmado à Lusa por fonte oficial do Ministério do Planeamento e Infraestruturas (MPI) que avança que o processo de exoneração de Álvaro Neves está “em curso com base no desrespeito do Estatuto do Pessoal Dirigente (do Estado), nomeadamente a observação das determinações do Governo”.

O director do GPIAA tem sido muito crítico em relação ao “estrangulamento financeiro” do organismo que, em 2016, viu o orçamento anual reduzido para 300 mil euros (antes eram cerca de 500 mil euros).

Em Outubro de 2016, Álvaro Neves chegou a lamentar que é a “fé em Fátima” que garante a segurança aérea em Portugal.

Reagindo à exoneração, Álvaro neves refere que vai contestar a decisão do governo, garantindo que “nunca desrespeitou” o Estatuto do Pessoal Dirigente.

Irei contestar o projecto de despacho da minha exoneração, dado que nunca recebi da parte do Governo qualquer definição em relação ao meu desempenho, na função como dirigente de um organismo do Estado”, afirma à Lusa o ainda director do GPIAA.

Investigador “dois em um”

No seguimento desta exoneração, o governo decidiu fundir o GPIAA com o Gabinete de Investigação de Segurança e de Acidentes Ferroviários (GISAF) num organismo único, de modo a criar “uma maior coordenação das operações”.

O MPI vai assim, criar o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) que terá como “missão principal investigar os acidentes e incidentes ferroviários e ocorridos com aeronaves civis, de modo a determinar as suas causas, elaborar e divulgar os correspondentes relatórios e formular recomendações que evitem a sua repetição”, esclarece o ministério de Pedro Marques.

Este modelo está em vigor em países como a Holanda, Dinamarca, Suécia, Noruega, Croácia ou Bulgária, segundo frisa o MPI.

Até à entrada em vigor do GPIAAF, as direcções do GISAF e do GPIAA serão asseguradas por Nelson Rodrigues de Oliveira, que desempenha as funções de director do Gabinete de Acidentes Ferroviários desde Outubro de 2013.

O governo garante que o novo modelo “dá garantias quanto aos níveis de segurança, eficácia, celeridade e qualidade da investigação, e contribui para uma visão integrada da área dos transportes, potenciando o aproveitamento de sinergias e a partilha de competências na investigação e prevenção”.

“Esta entidade, reforçada nas suas competências, permitirá ainda uma maior coordenação das operações de investigação e prevenção, quer com as entidades homólogas de outros países, quer com as entidades nacionais com outras competências neste tipo de acidentes e incidentes”, acrescenta o MPI.

ZAP // Lusa

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22 COMENTÁRIOS

    • Exactamente! Fascista e aldrabão. Prometeu aos eleitores que se ganhasse as eleições a sobretaxa acabaria até final de 2016. Bom, como não as ganhou, depois ter dado o golpe, desagravou uma pequenina percentagem (menos de 0,05%). Fez então promessas que em Janeiro de 2017 terminaria com a sobretaxa. Olhem o que diz a notícia!
      Continuem a acreditar nas aldrabices desse executivo!

  1. 300 mil euros não chegam?!? É por este tipo de má gestão que o nosso país “ficou de tanga”. Foi despedido por incompetência e má gestão, temos pena…

    • O Marco Silva conseguia gerir um Organismo daquela natureza, de âmbito territorial nacional e obrigado a cumprir, e a fazer cumprir, normas internacionais, por aquele valor ou menos???
      Ehh pahhh, ofereça-se para o lugar !!!!!!!
      Aproveite agora a criação da nova entidade, ofereça-se para a dirigir e diga logo que só precisa de metade do valor do orçamento anterior.
      Com teorias dessas é que os Hospitais estão a estoirar por falta de recursos e as Escolas a meter água pelos telhados !!!!!

    • Não sei da incompetência e má gestão, nunca ninguém disse nada sobre isso na imprensa, nem tão-pouco é essa a “justificação” do governo, que, pelo contrário, aponta o “desrespeito pelo estatuto”.
      Eu “leio” que foi despedido por ter criticado o governo!
      Se preferes atirar-te areia para os teus próprios olhos, não há pior cego do que o que não quer ver…

  2. O MPI vai assim, criar o GPIAAF que terá como “missão principal investigar os acidentes e incidentes ferroviários e ocorridos com aeronaves civis!? Ena pá! Será que as aeronaves vão circular na ferrovia dos comboios? Só pode!

  3. Vivemos em crise, que não é só nossa. Muitos responsáveis de serviço se queixam de financiamento reduzido. É nos Hospitais, é nos Tribunais, é nas entidades policiais, etc, etc. Ninguém foi demitido. Será que este homem foi demitido só por se queixar da falta de financiamento ou haverá algo mais que tivesse levado o governo a demiti-lo? Ser ou não ser “do partido” também não me parece critério, pois há muita gente a desempenhar funções em organismos de Estado que não são do partido do governo, portanto….

  4. Depois de “espumarem” tudo, leiam agora a outra notícia, aqui no zap, respeitante a este assunto.
    Ser demitido porque se queixou que o orçamento era curto, só por essa razão, tive as minhas duvidas e pensava eu, que só esse argumento não caberia na cabeça de ninguém. Enganei-me. Parece que afinal o homem não acatava era nada do que lhe diziam (não li a notícias toda).
    Já agora, os orçamentos são feitos com base no ano anterior. Até podia ter tido 1 milhão no ano passado mas, se só gastou 300 mil, o orçamento deste ano rondará esse valor.

    • Ainda não li, mas vou ler.
      Só para dizer que na óptica de quem é autoritário, basta uma desculpa minimamente sustentável, não é preciso que “caiba na cabeça de alguém”.
      Até porque não faltam é casos de “desculpas esfarrapadas” nem sequer ‘minimamente sustentatadas’ para correr com quem é incómodo.

      • Caro “Ahahah”,
        Tenho esta “mania” de pensar que tudo é relativo e, por isso, gosto de ler sempre o contraditório, para tentar avaliar duma forma mais justa. Embora simpatize com o governo, não sou nenhum fanático, fundamentalista e ninguém me condiciona o livre pensamento, isto é, apesar de simpatizar com este governo, assumo-o sem qualquer problema ( felizmente tivemos uma esquerda que ajudou a implementar a liberdade e, no caso do ps, também a democracia, em Portugal) porque me parece que este governo procura conciliar um modelo economico competitivo com um sistema Social equilibrado, justo, e é assim que as sociedades são desenvolvidas, não descurando que a parte económica e financeira é fundamental mas, porque as sociedades têm esta coisa “chata” para alguns gananciosos, que é o facto de serem constituídas por pessoas, com iguais necessidades BASICAS, que são as mesmas que geram desenvolvimento e é para o bem estar das pessoas, no minimo básico, que se devem fazer politicas, não é por isso, como eu referia, que me sinto obrigado a concordar com tudo o que o governo faz. Aliás, já discordei aqui de algumas coisas feitas pelo governo.
        Dito isto, vamos á notícia. Caro senhor, quantas vezes já aqui lemos pessoas que, apesar de exercerem funções de chefia ou direcção, se demitem por discordarem dos caminhos seguidos pelo governo ( qualquer um ), por considerarem que há subfinanciamento dos seus serviços, porque têm meios humanos reduzidos face ás necessidades, enfim por todas as razões, na maioria, relativas áquilo que consideram falta de condicões de trabalho ou remuneratórias para desempenhar as funções. Este senhor fez o mesmo? Não. Ora isto abre espaço a uma séria reflexão, algo que não aconteceria se ele se tivesse demitido e aí sim, poderia legitimamente levantar todas as questões que entendesse e talvez tivesse a minha simpatia certamente, pois tinha revelado coragem e determinação na defesa dos seus argumentos. Assim, preferiu cobardemente mandar “bitates” mas, na defesa do seu “tacho”, pactuou com o que afirma estar mal, sendo cumplice daquilo que ele próprio critica. Em que ficamos? Queixa-se mas pactua com o que diz estar mal? Das duas uma, ou é incompetente e portanto aguardava ser demitido para ir buscar uma indemnizaçãozinha, claro, ou é consistente com o que afirma e, demite-se, que é a atitude que a esmagadora maioria adopta (nos hospitais, nas forças armadas, nas forças de segurança, enfim no Estado, duma forma geral e em quem exerce funções de chefia ou direcção). Assim julgo que perdeu a razão ou então está a dar o “sinal de disponibilidade para o tacho” , ao governo que, evntaul e ideologicamnete diferente, venha a seguir.
        Caro amigo, mantenho exatamente o que disse, pelas razões que lhe expliquei.
        Cumprimentos

  5. Ok, fui ler e, sinceramente, parace-me – esta, sim – a desculpa esfarrapada, uma espécie de ‘desviar para canto’, visto que o caso levantou uma poeirada.
    Não teria sido melhor e mais ‘profissional’ preparar bem a coisa e dar logo todos os detalhes à imprensa? Se havia assim tantas razões e deste peso, era simples: bastava dizê-lo logo.

    Não lhes passa sequer pela cabeça fazer as coisas com um mínimo de aparente “justeza” (não é justiça) para que não pareça puramente arbitrário/autoritário. No caso se levante alguma onda de opinião, então logo se vê e se gere a “crise”.

    São todos uns amadores, que estão ali pelo poleiro e para o poleiro e já nem se dignam pensar que “a populaça” perceba os esquemas…

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