Portagens: SUVS e crossovers vão passar a pagar menos

O Governo aprovou um decreto-lei, no qual alarga a Classe 1 – a mais barata no sistema de portagens – a veículos mais altos e pesados, como é o caso das carrinhas SUV e crossovers, até aqui enquadradas na Classe 2.

Com esta medida, os veículos que pagam menos portagem passam a incluir os que têm peso bruto inferior ou igual a 2.300 quilogramas e altura até 1,30 metros, segundo o decreto-lei aprovado em Conselho de Ministros. Desta forma, estes veículos passam a pagar uma tarifa mais barata.

Na informação divulgada pelo Governo sobre o diploma que ajusta as classes 1 e 2 de veículos, os veículos integrados na classe 1 inclui também o cumprimento da “norma ambiental EURO 6 relativa às emissões automóveis”.

“O diploma vem adequar o quadro normativo nacional à legislação europeia em matéria de segurança rodoviária e de sustentabilidade ambiental dos transportes, promovendo a coerência no tratamento dado aos utilizadores das autoestradas”, lê-se na nota.

O ajuste das classes vinha a ser reivindicado pelo setor, nomeadamente, pelo grupo PSA, que tem uma fábrica em Mangualde e tinha referido que o investimento em Portugal poderia estar em causa caso se mantivesse o modelo de pagamento das portagens ser anexado à altura dos veículos.

Com o modelo atual de portagens, a nova viatura fabricada em Mangualde, por ter mais de 1,10 metros de altura, deveria ser incluída na classe dois e agora será classe 1.

Em abril deste ano, o ministro do planeamento já tinha admitido passar aplicar esta medida, afirmando que a atual classe 2 “pode ser um bloqueio a viaturas mais eficientes”. Pedro Marques explicava que “o que acontece é que há cada vez mais carros com estas novas características, que são muito mais eficientes do ponto de vista ambiental”.

Setor automóvel congratulou a decisão

O grupo PSA congratulou-se com a revisão legal aprovada sobre os veículos que pagarão menos nas portagens, considerando que o novo decreto-lei terá “impacto positivo” para a indústria e para os condutores.

Em declarações à agência Lusa, fonte do grupo que inclui as marcas Citroen, Peugeot e Opel demonstrou “muita satisfação” por o “Governo cumprir um compromisso que tinha assumido para fazer evoluir as portagens”.

“Vai ter um impacto positivo para a indústria automóvel portuguesa e também para os cidadãos”, continuou, afirmando que se trata da “modernização de um sistema que datava de 2005 e que precisava de evoluir para acompanhar o progresso nos automóveis e os critérios da União Europeia para proteção de peões e a eficiência energética”.

Também a Associação Automóvel de Portugal mostrou satisfação com a decisão, considerando que a mudança vai acabar com a “discriminação” no setor.

“A ACAP congratula-se com este cenário porque é aquele que, no imediato, resolve as distorções que há no mercado e resolve também os constrangimentos para a indústria automóvel em Portugal”, disse o secretário-geral da ACAP, Hélder Pedro.

Para Hélder Pedro, a medida aprovada “vem pôr fim a uma discriminação” que existia no setor.“Achamos que não vai aumentar as vendas, vai é criar maior justiça, porque havia modelos que não se vendiam por este critério e, assim, todos têm hipótese de estar no mercado, é isso que defendemos, a equidade do mercado”, justificou.

O sectretário-geral observou que, até aqui, “as pessoas escolhiam os modelos que não pagassem classe 2”, isto caso quisessem andar em autoestradas. Agora, com a nova medida, haverá “uma elasticidade na procura”, realçou.

Em causa está, assim, “uma escolha mais diversificada de modelos”, bem como um maior tráfego nas autoestradas, o que, consequentemente, “aumenta as receitas também”, apontou Hélder Pedro.

ZAP // Lusa

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11 COMENTÁRIOS

  1. Continuo a não entender como é que Portugal ainda é diferente dos outros países da Europa. Europa essa que nos ajudou a fazer essas autoestradas. Foi com 1 Ford Transit viajar pela europa, e só em Portugal é que paguei em classe 2, repito só em Potugal.
    O que me parece normal é por as classes consoante o tipo de veículos como estão definidos para a carta de condução.
    Não sei se o estrago de 1 Ford Transit ou 1 Renault Traffic, é maior que 1 antigo Mercedes Classe S que pesava quase 3 toneladas.
    Só para engordar a Brisa é que ainda andamos com definições absurdas e incoerentes.
    Se o povo, os utilizadores dessas infraestruturas estão a ser prejudicados, então o contrato deveria ser automaticamente revisto sem dolo para o estado e o utilizador.

    • Não sei por que Europa andou, mas na França, Itália, vários túneis pela Europa fora, etc, a Ford Transit é “classe 2”!
      Eu também concordo que a classificação não faz qualquer sentido, mas melhorou um pouco ao passar de 1,1m para o 1,3m (que já é padrão em varias portagens na Europa – Itália, Áustria R Unido, túneis na Alemanha, etc).
      .
      ZAP: “peso bruto inferior ou igual a 2.300 quilogramas e altura até 1,30 metros”
      É 1,3m de altura – medida à vertical do primeiro eixo!!
      Não é a altura máxima do veiculo!

    • NADA?
      Caso não saiba, as motos com Via Verde pagam menos 30%!!
      Mais ninguém tem um desconto desses, ainda por cima sendo as motos um veículo de luxo/lazer!

  2. Caro Eu,
    Por acaso não sei (nem quero saber) o que faz com a moto, mas para mim a moto é veiculo de trabalho e deslocação diária e o carro é o meu veículo de luxo. E sempre que deixo o carro em casa, deixo-lhe espaço para ir de carro. Mas isso sou eu.

    As motos deviam ter um desconto não de 30% mas sim de 50% por causa das regras de desgaste, manutenção da via e próprio peso. E estou-me a referir às leis em vigor, até poderia ir muito mais longe.

    Caso não tenha reparado, as motos só têm duas rodas (há excepções), pesam entre 100 e os 300 Kgs. Quer comprar isso com um carro até 3500 Kgs?

    Não olhe só para o seu umbigo, isso um dia vira-se contra si. 🙂

    PS – Os SUVs já têm desconto maior, antes desta alteração. Já agora, se queremos ser rigososos e olhar para as quintas dos outros…

    • Quem me dera puder andar a trabalhar de moto!
      Nas AE’s então… é que até nem me importava de pagar mais do que os ligeiros!!
      Mas sim, até posso concordar que a motos poderiam pagar menos – mas 30% é bem diferente de nada!!
      .
      Os SUV não tem nenhum “desconto”; simplesmente foi criada uma excepção (que os passava de classe 2 para classe 1) quando eles começam a aparecer, mas agora já há vários SUV/crossover que pagavam classe 2 – daí a necessidade desta alteração.

  3. a palhaçada continua: altera-se a lei para que alguns meninos ‘ricos’ nos seus SUV’s e afins poupem o dinheiro que ‘roubaram’ a alguem; mas quem trabalha continua a pagar portagens de roubo, (em Espanha uma Ford Transit sem rodados duplo é Classe 1 tal e qual a carta necessária para a conduzir).
    As motas nem 50% da portagem deviam de pagar pois nem metade de um ‘smart’ gastam a estrada.
    enfim nem sei para que me expresso já que não vale de nada.
    Neste pais talvez só mesmo á bomba e sou pacifista mas n~eo vejo outra solução.

  4. Mais uma patranha que o governo nos quer enfiar – quem pensar um pouco não deixa. Senão vejam o seguinte :
    – desde quanto veiculos mais altos e pesados são ambientalmente mais eficientes – é exactamente ao contrário !!
    – se os SUV vão pagar menos como sabem as receitas descem e o estado é que vai entrar com mais dinheiro. Ou sejam uns tem carros grandes vão pagar menos mas os outros portugueses vão pagar mais !
    – grande beneficiários vão ser os construtores de carros poluidores a combustiveis fosseis que tem investido milhões em publicidade e não só neste tipo de veiculos. As petrolificas batem palmas pois estes carros gastam mais.
    – perdem todos os portugueses que acham que continuar a queimar combustivel de origem no petroleo só nos está a prejudicar que tem de pagar mais uma estupidez deste governo mas que apresenta esta medida como positiva para o ambiente – tenta fazer de nós estupidos.

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