Estado da Nação. Uma geringonça que foi “reality show”, mas que “valeu a pena”

Manuel de Almeida / Lusa

O líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão

O líder parlamentar do PS declarou que “valeu a pena” o percurso de quatro anos, ao analisar a atual legislatura. Por outro lado, o PSD fala de um “reality show”, em que se assistiu a “negociações em público” e sabendo “das privadas entre os partidos que governam”.

Em entrevista à Lusa, Carlos César considerou que “foram quatro anos com uma experiência inovadora que permitiu, graças à confluência do PS com os partidos à sua esquerda, uma política de recuperação de rendimentos das pessoas, restituição de direitos que tinham sido retirados, uma política também ousada no que diz respeito a matérias emergentes na organização social, desde a igualdade de género a outros direitos das pessoas”.

“Foi um período que nos permitiu também conjugar esse esforço no domínio das políticas sociais com a ativação da nossa economia, gerar centenas de milhares de emprego no nosso país e atingirmos uma taxa de desemprego sem paralelo na nossa história, muito diminuída. Hoje, podemos dizer que valeu a pena este percurso durante estes quatro anos, que foi retomado um regime de confiança das pessoas nas suas instituições, dos investidores e empresários, nacionais e estrangeiros, nesta política liderada pelo PS”, disse.

O também presidente do PS acrescentou que, “conjugados esta recuperação social com a ativação da economia e a estabilização das contas públicas e aproximação ao equilíbrio completo”, Portugal tem condições de “perspetivar o futuro de forma mais confiante e otimista, permitindo “a breve prazo” também “investir mais nos serviços públicos, seja na saúde, educação ou transportes”.

Carlos César elegeu como “momento alto desta legislatura” a “vitória da estabilidade política, marcada pela aprovação dos quatro Orçamentos do Estado“, enquanto, pela negativa, lamentou a “acentuação muito negativa da crispação no diálogo interpartidário, em particular com os partidos à direita”.

“Esta experiência demonstrou que, felizmente, os partidos são todos diferentes e, por isso, os portugueses podem continuar a distingui-los na sua opção de voto. Apesar da confluência entre PS, PCP, BE e PEV nesta legislatura, as diferenças também entre nós são e serão significativas”, alertou.

Sobre a possibilidade de repetição da atual solução política, com acordos à esquerda, o deputado socialista remeteu para os resultados eleitorais de outubro, sublinhando a importância do equilíbrio orçamental.

Pedro Filipe Soares, deputado do BE, recordou que há quatro anos foi conseguida “uma saída política que mostrou que havia uma alternativa, que não estava refém da austeridade e podia contemplar recuperação de salários, rendimentos e direitos e valorizar a economia, com a criação de postos de trabalho”, embora considerando que “poderia ter sido possível ainda ir mais longe e isso não só teria ajudado ainda mais a economia como teria transformado” Portugal “num país melhor”.

Creio que a nação ficou melhor do que estava em 2015. Lembramo-nos bem dos quatro anos de destruição de PSD/CDS em que muitos dos direitos, salários e pensões tinham sido colocados em causa, muitas dificuldades na nossa perceção enquanto país e o estado anímico do país também com uma grave crise de autoconfiança nas nossas capacidades”, afirmou.

Governo de “gerigonça” foi um “reality show

“Nunca se desinvestiu tanto, nunca se usou tão pouco o investimento público como agora, não se fez uma única reforma estrutural. Portanto, de facto, foram quatro anos de reality showe “sem governação”, resumiu, em declarações à Lusa, o líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão.

Para o ex-ministro, “foram quatro anos em que praticamente não se governou, fez-se política exclusivamente, fizeram-se negociações sucessivas no âmbito desta ‘coligação’ entre o PS, o BE e o PCP”.

Foram quatro anos em que se foi “assistindo às negociações em público e sabendo das privadas entre os partidos que governam o país”, disse. Tal como o CDS, ex-parceiro de Governo de 2011 e 2015, o PSD faz o elogio, e até escolhe como ponto positivo para a legislatura, a “justa reposição de rendimentos”.

“Mas essa reposição qualquer governo tinha a obrigação de a fazer. Porque nós tivemos um governo de quatro anos do PSD e do CDS que fez a recuperação [da situação económica do país] para ser possível essa reposição de rendimento”, afirmou Negrão, recordando o “estado em que o PS deixou o país, em bancarrota”.

Falando à Lusa a propósito da situação do país, a poucos dias do debate do estado da nação, no parlamento, agendado para 10 de julho, Fernando Negrão escolhe para negativo o que considera ser o “outro lado” dessa “reposição de rendimentos”.

Olhando para o país, há sinais de preocupação com a “degradação dos serviços públicos”, dado que, por exemplo, “as cirurgias com mais tempo de espera duplicaram nestes quatros anos” ou porque falham os transportes, com greves e falta de oferta, depois de o Governo ter lançado “uma medida justa” de redução do preço do passe social.

Isto só quer dizer uma coisa: má governação. Má governação que não usou os instrumentos que tem, designadamente quanto ao investimento público. Pelo contrário: cortou, cortou, cortou. E ao mesmo tempo dizia que não havia austeridade. Nunca vivemos com tanta austeridade como agora e os problemas com os serviços públicos nunca foram tão graves como agora”, dramatizou o líder da bancada social-democrata.

Nos hospitais públicos, afirmou, o que está a ser feito pelo Governo “é quase próximo de tentar destruir o Serviço Nacional de Saúde”.

“Ilusão” do fim da austeridade e “fazer bonito para Bruxelas”

“É um estado de uma nação que vai vivendo nesta ilusão do fim da austeridade que foi decretada artificialmente pelo governo, mas que, no dia a dia, vê cada vez mais problemas em áreas estão essenciais como a saúde, a educação, a segurança, nos transportes”, descreveu, em declarações à agência Lusa, o líder parlamentar do CDS, Nuno Magalhães, num balanço sobre os últimos quatro anos.

O deputado assinala como positiva a “reposição dos rendimentos”, embora isso não queira “necessariamente dizer uma nação com mais dinheiro disponível”, dado que o executivo “especializou-se na velha tática de dar com uma mão e tirar com uma e meia”.

Heloísa Apolónia, líder parlamentar do PEV, respondeu “claramente que não” à questão sobre se o país foi “tão longe quanto era possível e desejável”, pois, por exemplo, “na ferrovia, era possível ter feito mais investimento no sentido de gerar melhor mobilidade ferroviária em Portugal, fundamental para a coesão do território, combate às alterações climáticas e mobilidade das populações”.

“Muitas vezes, este Governo criou uma certa obsessão com o défice, foi muitas vezes mais papista que o papa, procurando fazer bonito para Bruxelas, mas pondo em causa investimento fundamental que era determinante fazer no país”, disse.

Ainda assim, a deputada ecologista sublinhou “passos muito importantes naquilo que se refere à promoção da qualidade de vida das pessoas e também na maior sustentabilidade do desenvolvimento do país”.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. O Diabo não veio? o homem teima em não ver, a greve que houve com os enfermeiros, a greve dos gasolineiros, as filas interminaveis junto das lojas do cidadão, as esperas desesperantes nos hospitais, a greve da soflusa, a greve dos médicos, os comboios a cair de podre,Tancos, os fogos que houveram de certeza que o diabo estava lá dentro e ele teima que não viu o diabo, acredito que não porque ele desapareceu do mapa virando as costas aos problemas.

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