Gente bonita come Fruta Feia

Nasce esta segunda feira a Fruta Feia, uma cooperativa criada por quatro amigos para aproveitar a fruta e vegetais que os supermercados desperdiçam por considerarem que não têm o aspecto perfeito que os consumidores procuram.

A cooperativa vai abrir na Casa Independente, nos Anjos em Lisboa, depois de alguns contratempos que levaram a que o projecto, um dos três vencedores de um concurso de ideias promovido pela Gulbenkian, só tenha reunido agora o dinheiro suficiente para arrancar.

“A ideia surge da identificação do problema do desperdício alimentar devido à aparência e da motivação de querer fazer qualquer coisa para contrariar essa tendência. A motivação necessária surgiu com o anúncio do concurso da Gulbenkian”, explicou Isabel Soares, uma das mentoras da Fruta Feia.

Depois de ter assistido a vários documentários e ter lido artigos sobre o assunto, Isabel Soares teve a confirmação de que a ideia seria para arrancar no Natal em conversa com o tio, agricultor, que lhe explicou que iria deitar para o lixo metade da sua produção de peras, pois não tinham o calibre necessário para venda normalizada.

Gente bonita come fruta feia” é o lema do projecto que pretende associar ” bons ideais às pessoas que estão dispostas a comer” esta fruta não normalizada para evitar o desperdício alimentar, explicou Isabel Soares à Lusa.

Até ao momento são 12 os produtores da zona Oeste que vão colaborar com a delegação de Lisboa, mas a Fruta Feia tem tido contactos de vários interessados em participar no projecto de variadas zonas do país.

“O nosso projecto também implica uma proximidade aos agricultores, tornando-se inviável irmos buscar laranja ao Algarve. Teria um custo de transporte que seria reflectido nos custos ao consumidor. Para já não conseguimos dar resposta pela questão do transporte, mas esperamos no futuro replicar a ideia noutros pontos do país”, explicou.

Dois dias depois de ter sido publicado na página oficial que as inscrições na Cooperativa estavam abertas, já há mais de 60 pessoas sócias da Fruta Feia, dispostas a pagar a quota anual de cinco euros além dos 3,5 euros por uma cesta pequena — três a quatro quilos de frutas e hortícolas da época — ou sete, pela cesta grande com seis a oito quilos, que serve uma família de quatro pessoas.

“Este projecto mantém-se pela venda de fruta e hortaliças. Quanto mais consumidores forem, mais sustentável é, e mais rapidamente podemos crescer e replicar o modelo noutros pontos do país”, reconheceu.

Para o arranque, Isabel Soares explica que a Cooperativa consegue abastecer 120 pessoas, devido a questões logísticas, mas o projecto já seria viável com quarenta. Quanto aos preços praticados, foram estipulados em função dos custos dos produtos e dos transportes e depois de tirada uma “pequena margem para o projecto crescer”.

“Fizemos uma cesta no supermercado com este tipo de produtos, vimos o seu preço e estabelecemos que seria metade. Sabemos que é pelos preços que vamos atrair os consumidores”, reconheceu.

De acordo com Isabel Soares, os maiores entraves ao projecto foi a constituição legal da cooperativa e as várias burocracias que tiveram de ser ultrapassadas. Financeiramente o grupo tinha o prémio de 15 mil euros do concurso Ideias de Origem Portuguesa, da Gulbenkian e da Cotecmas que veio a “tornar-se insuficiente par pagar a carrinha, a constituição legal”.

Outro dos obstáculos sentidos foi o próprio contacto com os agricultores. Isabel Soares reconhece que quando conhecem o projecto ficam interessados em trabalhar nele, já que se “está a comprar o lixo que ninguém quer”.

“O objectivo é ajudar directamente os agricultores e não distribuidores ou intermediários, foi difícil passarem-nos esses contactos e não se trata de pessoas que estão pela internet”, reconheceu.

Isabel Soares conta que depois da desconfiança inicial os produtores até agradecem, mas é normal “já que levam uma vida toda a ouvir dizer que têm de produzir fruta bonita, nabiças perfeitas” e depois “é normal que fiquem desconfiados, nem acreditam”.

As cestas vão poder ser recolhidas, numa primeira fase, às segundas-feiras na Casa Independente, nos Anjos, sendo que a Fruta Feia, ideia de Isabel Soares, Inês Ribeiro, Francisco Gonçalves e Sara Silva, pensa em encontrar um ponto de recolha em Campo de Ourique e Telheiras.

A Fruta Feia, que conta ainda com recursos financeiros limitados, está a promover uma campanha de ‘crowdfunding’ (donativos monetários) na internet, de forma a poder viabilizar o projecto em outras partes do país.

ZAP/Lusa

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