Garcia de Orta com taxa de ocupação de 309%. Intensivos do Hospital da Luz no limite

Caroline Blumberg / EPA

O Hospital Garcia de ​​​​​​​Orta, em Almada, estava, este domingo, com uma taxa de ocupação de 309% relativamente ao que previa o plano de contingência. O Hospital da Luz, em Lisboa, continua a debater-se com o mesmo problema: a criação de camas para doentes que não param de chegar.

Este domingo, o Hospital Garcia de Orta (HGO), em Almada, apresentava uma taxa de ocupação de 309% relativamente ao que previa o plano de contingência, com 204 doentes infetados com covid-19, 19 deles em cuidados intensivos.

Num balanço da situação, o HGO diz que se verifica novamente um crescimento de doentes internados em enfermaria com covid-19 e que foram feitos ajustamentos para acomodar os doentes.



No sábado, a taxa de ocupação estava nos 250%. Dos 204 infetados com o novo coronavírus, 177 estão internados em enfermaria e, além dos 19 em cuidados intensivos (UCI), há mais oito doentes internados em Unidade de Hospitalização Domiciliária.

O Garcia de Horta volta a apelar à população dos concelhos de Almada e Seixal para que, em caso de doença, recorra em primeiro lugar aos médicos de família (Centro de Saúde).

Em caso de sinais e sintomas compatíveis com doença respiratória, a população deve dirigir-se primeiro às áreas dedicadas para doentes respiratórios dos Centros de Saúde, só recorrendo ao HGO em situações mais graves. O agrupamento de centros de saúde (ACES) do Laranjeiro e do Seixal tem horário prolongado nas áreas dedicadas a doentes respiratórios, atualmente com disponibilidade até às 20h00, de segunda a domingo.

O hospital relembra que conta no final do mês poder expandir a área dedicada ao atendimento de doentes respiratórios do serviço de urgência geral, aumentar a lotação dos cuidados intensivos e abrir uma nova enfermaria, mediante disponibilidade de recursos humanos.

O Hospital da Luz, em Lisboa, também se encontra numa situação crítica. De acordo com o Expresso, até terça-feira, e só no circuito de casos respiratórios, esta unidade de saúde recebeu 747 pessoas, muito próximo do limite, o que obrigou a um plano alternativo.

O semanário dá conta de que o plano de contingência do hospital será revisto, com a criação de mais seis camas de enfermaria. Esta semana, deverá crescer até às 70 camas covid, 16 das quais de cuidados intensivos, duas de obstetrícia e duas pediátricas.

Na quarta-feira estavam internados 51 doentes infetados com a doença.

“Depois, depende. Faço mais do que é aparente e, ao contrário do que dizem, não escolhemos os casos menos graves, recebemos quem chega. E se estão aqui, não sobrecarregam o SNS”, disse a médica Alexandra Bayão Horta, ao Expresso.

A profissional de saúde desta unidade acrescentou ainda que a colaboração do grupo com o SNS ultrapassa o número de doentes covid ali tratados e transferidos pela administração regional de Saúde. A manutenção da atividade assistencial aos doentes não-covid, sobretudo na oncologia, é outra forma de ajudar o Serviço Nacional de Saúde.

Alexandra Bayão Horta referiu que, na semana passada, houve doentes ventilados nas urgências enquanto esperavam por camas nos cuidados intensivos. Segundo a médica, esta é a área onde o esforço do hospital é mais evidente, com uma taxa de ocupação de 100%, da qual 65% são dedicados a doentes covid.

“Estamos próximos da nossa capacidade extrema, mas os problemas são os mesmos do setor público: a necessidade de atender a cada vez mais doentes porque estamos dimensionados para uma realidade que não é a atual”, adiantou António Messias, diretor do serviço de medicina intensiva.

O Hospital da Luz atingiu o que o médico considera ser o mínimo de camas de intensivos para responder aos doentes não-covid (seis) e aumentou para 16 as camas covid. “A partir daí entramos em situação de catástrofe”, rematou.

A crise pandémica em Portugal atingiu valores preocupantes. Este domingo, o país atingiu um novo máximo de mortes (275) e foram registados 11.721 novos casos de infeção por covid-19.

No mesmo dia, a RTP avançou que a reunião no Infarmed, prevista para a próxima terça-feira, foi adiada, ficando para já sem data definida.

A última vez que aconteceu foi a 12 de janeiro.

Lista de espera nos crematórios

O excesso de mortalidade em Portugal está a obrigar a um reforço dos crematórios. Atualmente, nas grandes áreas urbanas, esta técnica funerária é cada vez mais procurada e ronda os 60%.

De acordo com o Público, em algumas zonas do país, a espera arrasta-se por alguns dias, quer pela elevada procura, quer pelo facto de alguns espaços não se terem adaptado ao contexto que se vive.

“Um enterro está a ser realizado no mesmo tempo que antes, em 48 horas; já as cremações dependem – na Área Metropolitana de Lisboa, estamos com 72 horas a resvalar para os quatro dias, mas há outros em que a espera já vai nos cinco dias“, revelou Carlos Almeida, presidente da Associação Nacional de Empresas Lutuosas (ANEL).

Já na Área Metropolitana do Porto, “para Janeiro, os óbitos estão dentro da normalidade”, mas as listas de espera nos quatro crematórios – Lapa, Paranhos, Prado do Repouso e Matosinhos – repetem-se. As marcações para cremação oscilam numa espera entre 24 horas (caso do crematório do Cemitério da Lapa), e cinco dias (o de Paranhos, por exemplo). Matosinhos está a fazer marcações para dois dias depois e o do Prado do Repouso para daqui a quatro dias.

O Público realça que a diferença entre os quatro espaços se deve ao alargamento ou não do horário. Em Paranhos, o horário não foi alargado, ainda que seja possível fazer cremações fora de horas por um pagamento extra. Já o do Prado “foi reforçado com novas câmaras frigoríficas” e “acelerou o número de cremações diárias”.

Em Lisboa, os crematórios também procederam a ajustes, aumentando a capacidade de cremações diárias desde o início da pandemia. No entanto, é preciso ter em conta que há um limite máximo para o número de vezes em que os fornos são usados diariamente, uma vez que a sua sobrecarga pode originar danos nos equipamentos.

No caso da capital, cada crematório consegue dar resposta a entre seis e sete ações diárias, o que corresponde a uma capacidade máxima de 21 por dia.

Liliana Malainho, ZAP // Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Alto e pára o baile! Não há engano? 309%? Não estão a confundir com uma cadeia algures na Venezuela??
    Mas não se preocupem, em breve os hospitais já terão vagas de sobra. Assim que o governo arrancar com a eutanásia, vai ser um alívio!!

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