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Escavações mostram forte em Miranda do Douro ocupado entre os séculos III e IX

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Francisco Pinto / Lusa

Arqueólogos em notificação castreja no São João das Arribas, Miranda do Douro

Após quatro anos de escavações no castro de São João das Arribas, em Miranda do Douro, os arqueólogos descobriram estruturas e objetos que situam a ocupação da fortaleza entre os séculos III e IX.

A ocupação do castro de São João das Arribas, em Miranda do Douro, situa-se entre a antiguidade tardia e a Alta Idade Média, disse a arqueóloga Mónica Salgado à Agência Lusa. “Neste último ano, fomos surpreendidos com o aparecimento de uma muralha com uma arquitetura diferente, que poderá ser um campo de pedras fincadas”, explicou.

Segundo a investigadora, os campos de pedras fincadas postos a descoberto são características defensivas do período proto-histórico da Idade do Ferro.

“Esta área, onde se encontra a muralha de pedras fincadas, começou a ser estudada no último ano. Provavelmente, não vamos conseguir compreender na totalidade esta estrutura defensiva. Terá, assim, de ficar para trabalhos futuros”, disse a arqueóloga.

As escavações decorreram por entre pequenos montes e giestas e outros arbustos da flora autóctone do Parque Natural do Douro Internacional. A equipa de arqueólogos e um conjunto de voluntários tentaram perceber a importância histórica e arqueológica do sítio classificado em 1910 como monumento nacional.

Neste campo arqueológico participaram jovens voluntários vindos de diversos países, que demonstraram vontade em conhecer a história do local e os usos e costumes das terras de Miranda.

Gaelle Carvalho, da Palombar  associação que promove o património rural e parceira nas escavações de São João das Arribas , disse à Lusa que os jovens estrangeiros se mostraram satisfeitos por contribuir para a preservação do património arqueológico.

“O desenvolvimento de técnicas a nível profissional é outra da vertentes escolhidas pelos jovens”, explicou a responsável. Francisco Conde, voluntário oriundo de Espanha, adiantou que quis complementar os seus estudos em arqueologia e conhecer o período histórico da Alta Idade Média.

A partir de 2021, os arqueólogos vão voltar ao trabalho para tentar compreender melhor o lugar emblemático. “Vamos entregar um relatório final destas campanhas desenvolvidas ao longo de quatro anos e vamos estudar o espólio cerâmico. Após a conclusão dos estudos, iniciaremos uma outra campanha de escavações”, frisou a investigadora.

Os trabalhos no distrito de Bragança tiveram início em 2014 e, após os estudos do sítio arqueológico, vai existir uma musealização de tudo o que foi encontrado no castro de São João das Arribas.

  DR, ZAP //

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