FMI diz que défices ocultos tiraram 43 mil milhões à economia portuguesa

International Monetary Fund / Flickr

Christine Lagarde, diretora-geral do FMI

Christine Lagarde, diretora-geral do FMI

Uma análise do Fundo Monetário Internacional (FMI) a 80 países mostra que Portugal está entre os países que mais absorveram défices ocultos desde a viragem do século – e a culpa é das instituições públicas fracas.

O Dinheiro Vivo cita um estudo de economistas do FMI – “Fiscal costs of contingent liabilities” – que afirmam que Portugal foi a quinta economia, entre 80 países, com os piores passivos contingentes do séc. XXI.

O FMI refere que os contribuintes pagaram 24,5% do PIB – cerca de 43 mil milhões de euros – a bancos (11% do PIB) ou empresas públicas (12,1%). O valor acabou por parar à dívida portuguesa, que é hoje a mais cara da zona euro.

Passivos contingentes são as obrigações que podem materializar-se nas contas públicas, nomeadamente garantias ao setor bancário, empresas públicas e administrações local e regional. O estudo – cujas conclusões os economistas do FMI sublinham não deverem ser vistas como do próprio fundo – olhou para os passivos contingentes que se materializaram em 34 economias avançadas e 46 emergentes entre 1990 e 2014.

No total, cita o Dinheiro Vivo, os portugueses foram os 15ºs que mais pagaram, subindo para quinto – atrás de Islândia, Irlanda, Grécia e Turquia – no caso dos “défices ocultos” deste século. E todos por culpa dos seus bancos.

A dívida acumulada de 2001 a 2013 decorrente da reclassificação da dívida do setor empresarial do Estado (SEE) custou aos portugueses quatro vezes mais do que o normal: nos 32 episódios semelhantes registados nos 80 países, a absorção de dívidas do SEE custou em média 3,1% do PIB.

O mesmo se passou com os resgates à banca forçados aos contribuintes. O relatório salienta que os 91 eventos semelhantes custaram em média 9,7% do PIB nos 80 países, mas em Portugal levaram 11% entre 2007 e 2014.

Nas contas do “défice oculto” de 24,5% do PIB português, refere o Dinheiro Vivo, entram ainda 0,6% do PIB vindos de parcerias público-privadas e mais 0,8% por via da assistência financeira à Madeira.

Apesar de não tirarem conclusões específicas sobre cada país, os economistas do FMI concluíram que os 80 países que forçaram maiores “défices ocultos” aos seus contribuintes são aqueles que surgem menos bem classificados nas análises sobre corrupção e força das instituições públicas.

“É imediato concluir que os países com menores índices de corrupção são os que tiveram menos ‘défices ocultos'”, lê-se nas conclusões. Além disso, apontam, “os países com as instituições públicas mais fortes sofreram bastante menos com os passivos contingentes”.

ZAP

PARTILHAR

6 COMENTÁRIOS

  1. Tenho um amigo cego que há anos escreveu um artigo “Há árbitros que são mais cegos do que eu”. Penso que se enquadra o momento que estamos a viver. Com o Sócrates foi igual. Einstein tinha razão, quando descrevia a correlação entre as premissas e os resultados de uma função e com essa correlação definia o cumulo da estupidez.

  2. E AINDA LHES VÃO DAR AS 35 HORAS SEMANAIS Á FUNÇÃO PÚBLICA, QUANDO SE CONFIRMA QUE A MAIORIA DEVE IR PARA A RUA, POIS O SISTEMA PÚBLICO ESTÁ VICIADO DE CORRUPÇÃO …… !!! ….RUA HÁ MUITA JUVENTUDE MAIS HABILITADA E EDUCADA, QUE OS CHULOS E CORJAS VICIADAS DO SISTEMA PÚBLICO, QUE DEVEM IR PARA O DESEMPREGO COM 500€, ESTAMOS FARTOS E CANSADOS DE VICIADOS ……… !!!!
    – Nas contas do “défice oculto” de 24,5% do PIB português, refere o Dinheiro Vivo, entram ainda 0,6% do PIB vindos de parcerias público-privadas e mais 0,8% por via da assistência financeira à Madeira.
    Apesar de não tirarem conclusões específicas sobre cada país, os economistas do FMI concluíram que os 80 países que forçaram maiores “défices ocultos” aos seus contribuintes são aqueles que surgem menos bem classificados nas análises sobre corrupção e força das instituições públicas.
    “É imediato concluir que os países com menores índices de corrupção são os que tiveram menos ‘défices ocultos’”, lê-se nas conclusões. Além disso, apontam, “os países com as instituições públicas mais fortes sofreram bastante menos com os passivos contingentes”.

  3. “É imediato concluir que os países com menores índices de corrupção são os que tiveram menos ‘défices ocultos’”, lê-se nas conclusões. Além disso, apontam, “os países com as instituições públicas mais fortes sofreram bastante menos com os passivos contingentes”. PARA QUANDO GENTE PRESA????

RESPONDER

Governo vira-se para Rio para mudar a lei e garantir o novo aeroporto

O Governo está a preparar uma alteração à Lei para evitar que o projecto do novo aeroporto do Montijo seja chumbado. Uma medida que passará, necessariamente, pela necessidade de um entendimento entre PS e PSD …

"Entretenimento saudável". Santa Casa desvaloriza estudo sobre raspadinhas

O Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa desvalorizou a investigação da Universidade do Minho que aponta para o vício das raspadinhas. Esta sexta-feira, um artigo científico publicado na The Lancet alertou para …

"Diga-lhe para ligar ao FBI". Autocarro com a cara do príncipe André circula em Londres

Um autocarro escolar, com a cara do príncipe André, andou a circular por Londres, esta sexta-feira, numa campanha da advogada Gloria Allred para pressionar o filho da Rainha a falar com o FBI. Esta sexta-feira, um autocarro …

Suspeito de terrorismo ouvido em tribunal (com o juiz a recusar ver os seus vídeos por não ter Internet)

O arguido Rómulo Costa, um dos oito portugueses acusados por financiamento ao terrorismo e recrutamento, adesão e apoio ao Estado Islâmico, foi interrogado, esta sexta-feira, na fase de instrução do processo que vai decorrer no …

FC Porto recorre do castigo de um jogo à porta fechada

O FC Porto vai recorrer do castigo de um jogo à porta fechada, aplicado pelo Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) por ofensa a um agente desportivo. "O FC Porto vai recorrer …

Moita Flores investigado por corrupção. Antigo PJ fala em "coincidência" com empréstimo aos filhos

Francisco Moita Flores, antigo inspector da Polícia Judiciária e ex-presidente da Câmara de Santarém, está a ser investigado por suspeitas de corrupção. Há transferências de dinheiro de uma construtora para empresas a que esteve ligado …

SOS Animal vai constituir-se assistente no processo contra João Moura

A SOS Animal anunciou, esta sexta-feira, que se vai constituir assistente no processo criminal contra o cavaleiro tauromáquico detido, na quarta-feira, por suspeitas de maus-tratos a cães em Monforte, no distrito de Portalegre. Em comunicado, a SOS …

SMS de Rangel revelam teia de corrupção na Relação de Lisboa. Juiz Vaz das Neves tem empresa contra a lei

O ex-presidente do Tribunal da Relação de Lisboa, Luís Vaz das Neves, que foi constituído arguido na Operação Lex, tem uma empresa que se dedica à arbitragem extrajudicial de conflitos, o que constitui uma violação …

Presidente da PwC esteve em Lisboa para controlar danos do Luanda Leaks

O presidente mundial da PricewaterhouseCoopers (PwC) esteve em Lisboa, há duas semanas, para controlar os danos provocados pelo caso Luanda Leaks. Bob Moritz, presidente mundial da PricewaterhouseCoopers (PwC), esteve em Lisboa, há duas semanas, para perceber até …

CM Lisboa vai negociar avenças em parques para moradores da envolvente da Baixa

O presidente da Câmara de Lisboa afirmou, esta sexta-feira, que a autarquia irá tentar acordar com os operadores dos parques de estacionamento da envolvente da Zona de Emissões Reduzidas da Baixa-Chiado a criação de "avenças …