“Radical chique” e “ressentido”. Filho de Paulo Branco pode ter sido o pivot do escândalo sexual em França

Yale University

O advogado Juan Branco, filho do produtor de cinema português Paulo Branco.

Juan Branco, o filho do produtor de cinema Paulo Branco, é o homem do momento em França. O advogado de 30 anos saltou para as luzes dos média no âmbito da divulgação do vídeo sexual que levou à desistência de Benjamin Griveaux, o candidato de Emannuel Macron à Câmara de Paris. Branco alega que não tem nada a ver com o caso, mas estará a ser investigado pelas autoridades.

Foi o próprio Juan Branco quem acusou a justiça francesa de o ter colocado sob escuta, numa altura em que se questiona qual foi o seu verdadeiro papel no processo que culminou com a divulgação de vídeos sexuais em que Benjamin Griveaux, um homem casado e pai de dois filhos, aparece a masturbar-se.

As imagens terão sido enviadas, em 2018, pelo político para a estudante Alexandra de Taddeo, de 29 anos, através de uma aplicação de troca de mensagens.

Quis o destino que Alexandra conhecesse e se envolvesse amorosamente, cerca de um ano mais tarde, com o artista russo Piotr Pavlenski que está refugiado em França, depois de várias intervenções realizadas na Rússia, onde se manifestou contra as políticas de Vladimir Putin.

Piotr Pavlenski assumiu perante a justiça e os jornalistas que foi ele quem divulgou os vídeos sexuais no seu site, Pornopolitique.com, que entretanto foi desactivado. As imagens também correram pelas redes sociais e levaram Griveaux a renunciar à candidatura, alegando a intenção de proteger a “família”. Isto depois de Piotr ter ameaçado que ia divulgar mais vídeos, nomeadamente envolvendo outros políticos.

No meio desta história, entra em força o nome de Juan Branco que apareceu como o advogado de Piotr e de Alexandra, acusados pela divulgação das imagens íntimas sem autorização e sob medidas judiciárias de Termo de Identidade e Residência. Estão também impedidos de contactar um com o outro.

Juan Branco admitiu, entretanto, que Piotr o contactou antes da divulgação dos vídeos para pedir o seu conselho.

Piotr resolveu publicá-los online, alegando que pretendeu desmascarar Griveaux como “um grande hipócrita” que “mentiu aos seus eleitores”, fazendo a “propaganda dos valores familiares tradicionais” que ele próprio “despreza”.

A família de Alexandra, estagiária na UNESCO desde Junho de 2019, acredita que ela foi “manipulada” por Piotr que tem, claramente, uma agenda política, com diversas performances artísticas que visam abalar o status quo.

O artista contestário já foi condenado a um ano de prisão por ter incendiado a fachada de uma sucursal do Banco de França em Paris, em 2017. Antes tinha-se tornado conhecido pela forma como desafiava as autoridades russas, depois de ter incendiado as portas de entrada do KGB em Moscovo e de ter colado os testículos ao asfalto em frente ao mausoléu de Lenine. Em Maio de 2017, obteve o estatuto de refugiado político em França.

Quando foi detido no âmbito da divulgação dos vídeos sexuais, Piotr estava a ser procurado pelas autoridades francesas depois de alegadamente ter agredido várias pessoas numa festa de final de ano para a qual foi convidado por Juan Branco.

Entretanto, Juan Branco deixou de ser o advogado do activista russo após pedido do Bastonário da Ordem dos Advogados de França, Olivier Cousi, e na sequência de uma indicação do Ministério Público.

“Um advogado não pode ser, ao mesmo tempo, militante de uma causa e apoiar as acções ou dar a entender que pode apoiar as acções do seu cliente, uma vez que isso não lhe dá a distância necessária para o poder defender“, explica o bastonário Olivier Cousi, citado pela imprensa francesa, falando de uma “ausência de prudência aquando de declarações aos média” que expuseram Juan Branco a “um risco de violação de princípios essenciais”.

Juan Branco já veio lamentar que as autoridades o puseram sob escuta e que andaram a vigiar a sua residência, bem como a “violar a confidencialidade das suas comunicações com os clientes”, o que pode indiciar que estará a ser investigado por um possível envolvimento na difusão dos vídeos sexuais.

Enquanto a comunicação social francesa vai sublinhando as muitas zonas de sombra quanto ao verdadeiro papel do advogado no caso Griveaux, o filho de Paulo Branco foi fotografado, nesta quarta-feira, num famoso café de Paris ao lado de Alexandra de Taddeo.

Descrito como “perigoso” e “muito manipulador”

Autor do livro “Crépuscule”, um best-seller em França definido por alguns como “um panfleto anti-Macron“, Juan Branco também é próximo do movimento Coletes Amarelos, tendo sido advogado de vários dos manifestantes que tiveram problemas com a justiça, além de ter participado em protestos nas ruas.

No livro, ele fala em denunciar “Macron e os oligarcas”, frisando que “eles não são corrompidos, eles são a corrupção” e definindo o “Macronismo” como “uma nova variante do fascismo”. “Se não fizermos nada, se não agirmos, teremos Marine Le Pen no poder em 2022″, assegura o advogado franco-português.

Filho de Paulo Branco e de uma psicanalista espanhola, Juan Branco estudou em escolas de elite, como as Universidades de Yale e Sorbonne, e cresceu em Paris, com figuras como a actriz Catherine Deneuve e o realizador Raoul Ruiz como visitas frequentes da casa dos pais.

Mas apesar de ter convivido com a elite, Juan Branco faz questão de notar que nunca foi rico e chegou a dizer aos média franceses que vivia com o apoio de um subsídio do Estado.

“Fui educado num colégio muito burguês e estava em ruptura com alguns dos processos que os meus pais me haviam inculcado. Éramos burgueses sem capital“, salientou também em declarações divulgadas pela Sábado, realçando que se sentia “um estrangeiro que não pertencia a esses círculos” de franceses da elite cultural com quem convivia.

Terá sido no Liceu que nasceu uma “profunda inimizade” entre Juan Branco e Gabriel Attal, actual Secretário de Estado da Educação, devido a um diferendo por causa de um blogue, segundo revelaram antigos colegas de escola à France Info. Há quem fale numa “rivalidade visceral”, considerando que foi essa rivalidade que “iluminou o seu ódio por Macron”, como relata o Ouest-France.

Certo é que Juan Branco revelou que Gabriel Attal é homossexual, insinuando que teria sido alvo de uma “promoção no sofá” por manter, alegadamente, um relacionamento amoroso com um conselheiro de Macron.

“Gabriel conseguiu tudo o que Juan perdeu”, referia a um média francês um antigo professor dele no Liceu, salientando que Branco será movido por um certo “ciúme” por não ter conseguido ainda alcançar lugares de poder.

Em 2017, aquando das eleições legislativas, foi candidato do França Insubmissa, da extrema-esquerda, mas não conseguiu ser eleito para deputado municipal com apenas 13,94% dos votos.

Antes disso, em 2012, esteve envolvido na campanha do socialista François Hollande para as presidenciais, depois de um convite da escritora Aurélie Filippetti que foi ministra da Cultura de França. Tinha então 22 anos, mas a sua ambição era clara, como considerou Aurélie Filippetti em declarações recentes.

Ele é perigoso. Tem talento, é inteligente, no início deixamos-nos prender. Mas depois de um tempo, vira-se contra nós. Ele exigiu, quando me tornei ministra, tornar-se director de gabinete aos 22 anos… Disse-lhe que não era possível. Ele ficou ressentido“, frisou Aurélie Filippetti numa declaração anterior à divulgação dos vídeos sexuais de Griveaux que é citada pela France Info.

“Ele é, ao mesmo tempo, megalómano, mitómano e muito, muito manipulador“, considerou ainda.

Descrito pelo L´Express como “o radical chique” que “quer a pele” de Macron e pelo Ouest-France como “um jovem advogado brilhante e super qualificado”, é criticado até por alguns dos políticos franceses mais radicais.

Juan Branco tem no currículo a “medalha” de ter coordenado a equipa jurídica internacional que defendeu Julian Assange, o fundador da WikiLeaks. Já falou em diversos eventos em defesa de Assange e também se colocou ao lado do hacker Rui Pinto quando esteve na Web Summit em Lisboa, em 2019, criticando que “é uma vergonha extraordinária que as autoridades portuguesas tenham permitido a sua detenção”, conforme declarações à Renascença.

Em Maio de 2019, o site satírico Nordpress anunciou a morte de Juan Branco, noticiando que tinha sido encontrado no fundo do rio Sena, crivado por 12 balas e com uma corda ao pescoço. Um desfecho trágico que combina com os grandes revolucionários – e a revolução de Juan Branco continua bem viva, com o franco-português desejoso de deixar o seu nome na história na “guerra” contra Macron.

Susana Valente SV, ZAP //

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