Fenprof considera task-force para ajudar escolas com falta de professores “atestado de incompetência”

Paulo Novais / Lusa

O secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira

O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) considerou hoje que criação de uma ‘task-force’ para ajudar as escolas que ainda têm falta de professores representa um “atestado de incompetência aos diretores” e não vai resolver o problema.

“É um atestado de incompetência aos diretores das escolas, a quem o senhor ministro, pelos vistos, não reconhece capacidade para resolver o problema e, portanto, tem de ter alguém que lhe diga como se faz”, criticou Mário Nogueira.

O Ministério da Educação anunciou na quarta-feira a criação de uma ‘task-force’ para ajudar as escolas que ainda têm falta de professores, por não conseguirem preencher todos os horários mesmo depois de recorrerem à contratação de escola.

O grupo de trabalho, que será constituído por elementos da Direção-Geral de Estabelecimentos de Ensino e da Direção-Geral da Administração Escolar, vai colaborar diretamente com as escolas para avaliar as situações de carência em concreto.

Em conferência de imprensa, o secretário-geral da Fenprof começou por criticar a constituição da ‘task-force’, “integrada por alguém que não está isento de responsabilidade pela situação que estamos a viver”, e continuou acrescentando que a medida não vai resolver o problema.

“Os diretores sabem como é que se resolve, o problema é que não há professores”, apontou o dirigente sindical, acrescentando que, por outro lado, o executivo deveria antes permitir que as escolas completassem os horários.

Mário Nogueira lançou também críticas ao ministro da Educação, que na véspera anunciou, além da ‘task-force’, um conjunto de medidas com o intuito de tornar mais atrativa a profissão docente que terão, no entanto, de esperar para depois das eleições legislativas antecipadas, convocadas pelo Presidente da República para 30 de janeiro na sequência do chumbo do Orçamento do Estado para 2022.

As propostas foram apresentadas na sequência da apresentação de um estudo de diagnóstico de necessidades docentes que estima que até 2030/2021 seja necessário contratar 34.508 novos docentes.

“É absolutamente extraordinário como é necessário passar seis anos à frente do Ministério para perceber que havia um problema de falta de professores em Portugal. É extraordinário, porque (o ministro) teve organizações que, ao longo dos últimos anos, lhe foram chamando a atenção”, sublinhou o secretário-geral da Fenprof.

Recordando que também aquela estrutura sindical alertou para o problema, apresentando por diversas vezes propostas negociais, Mário Nogueira afirmou que o ministro da Educação não o reconheceu, desvalorizou-o e deixou que se agravasse.

Sobre a justificação apresentada por Tiago Brandão Rodrigues para suspender a implementação das medidas devido à convocação de eleições antecipadas, defendendo que estão em causa matérias complexas, com implicações orçamentais, que implicam uma negociação “com densidade e continuidade, o representante dos professores sublinhou que o ministro “está lá há seis anos” e já tinha tido oportunidade para se sentar à mesa com os sindicatos.

  // Lusa

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