Bloco, PCP e CDS querem exoneração de Carlos Costa do cargo de governador do Banco de Portugal

José Sena Goulão / Lusa

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa

O Bloco de Esquerda pediu ao Governo que “exonere” Carlos Costa do cargo de governador do Banco de Portugal por este não poder ser escrutinado, neste momento, pela sua atuação enquanto administrador da CGD durante um período em que foram concedidos créditos ruinosos.

“O governador do Banco de Portugal não pode estar acima de escrutínio. A suspeita quanto à sua idoneidade é, em si, incompatível com as funções que desempenha”, lê-se no projeto de resolução do partido que pede a saída de Carlos Costa do banco central.

Na apresentação do projeto, de acordo com o Público, a deputada Mariana Mortágua observou que há “um único administrador que o Banco de Portugal disse que não ia avaliar” que era o próprio governador e que o que está em causa é saber se Carlos Costa é “idóneo” para ser governador.

“Quem pode garantir que Carlos Costa tem idoneidade?”, pergunta. “Essa garantia não existe, porque o Banco de Portugal não vai fazer uma avaliação do seu governador”, acrescenta a deputada.

“Depois de tudo o que aconteceu ao sistema bancário nacional, o país não pode compreender ou tolerar que um ex-administrador da Caixa, com responsabilidades em processos de decisão de créditos aparentemente ruinosos, utilize o seu lugar como responsável máximo do Banco de Portugal para garantir que não é incluído em futuros processos de avaliação. O BdP não pode ser um refúgio de ex-banqueiros, sob pena de ver a sua credibilidade ainda mais degradada aos olhos da opinião pública”.

“O governador já devia ter chegado à conclusão de que não tem condições para se manter no seu cargo”, afirmou a deputada.

Mariana Mortágua argumentou ainda que Carlos Costa pediu escusa da avaliação da idoneidade “de quem foi seu colega na administração da Caixa” e que essa escusa mostra que há “conflito de interesses”.

Em causa está o facto de vários ex-administradores da CGD estarem a ser avaliados na sua idoneidade pelo BdP, e o Bloco não compreende o porquê de essa avaliação não ser extensível ao governador do Banco de Portugal, que foi administrador da CGD numa parte do período em análise (2004 e 2006).

Carlos Costa “pertenceu ao Conselho de Crédito que aprovou, sem justificação, várias operações de concessão e reestruturação de crédito que incumpriram as indicações da DGR” – circunstância que levou Carlos Costa a precisar que “durante todo o período em que exerceu funções de administrador na CGD, não teve responsabilidades nas áreas de crédito, risco, acompanhamento de clientes ou de controlo e auditoria interna.

PCP disponível para acompanhar pedido de exoneração

O secretário-geral comunista recordou críticas anteriores do PCP ao atual governador do Banco de Portugal, mostrando disponibilidade para acolher a resolução anunciada pelo BE pela exoneração de Carlos Costa.

“Não conheço os fundamentos do projeto de resolução do BE. O que podemos dizer é que foram diversos os momentos em que criticámos o papel do supervisor, não só em relação ao processo da Caixa, mas outras instituições financeiras. A nossa crítica demonstrou que nem sempre o atual governador cumpriu da melhor forma e acompanhou esses processos”, afirmou Jerónimo de Sousa.

Também o CDS-PP defendeu que o governador do Banco de Portugal seja o primeiro a ser ouvido pela comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos, não excluindo um pedido de exoneração.

Em declarações à Lusa, o deputado e porta-voz do CDS-PP João Almeida considerou que a atividade anterior de Carlos Costa “está a arrastar o Banco de Portugal para o centro do debate”, o que considera ser prejudicial para o seu papel de supervisor.

“Entendemos que, se até ao momento do início dos trabalhos da comissão de inquérito, o governador do Banco de Portugal não tomar outra posição sobre essa matéria, é imprescindível que seja ele o primeiro a ser ouvido na comissão de inquérito e, na sequência dessa audição, sejam retiradas consequências e os partidos façam a avaliação sobre as condições que o governador terá ou não para se manter no cargo”, defendeu.

Questionado se o CDS-PP pondera pedir a exoneração de Carlos Costa, como fez o BE, João Almeida respondeu afirmativamente. “Quando o supervisor tem um governador que pede escusa num dos processos mais importantes que o banco tem para apurar, é indiscutível que a exoneração tem de se colocar”, respondeu.

ZAP ZAP // Lusa

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7 COMENTÁRIOS

  1. e não se esqueçam de uma das personagens principais, o sr Constâncio!

    creio que todos os bancos que andamos a pagar por coincidência, certamente, tiveram os ‘problemas’ que as nossas carteiras conhecem enquanto este sr era o manda chuva do banco de Portugal (ou melhor, apenas e só mais um braço do BIS).

  2. Pela porcaria que anda a fazer e de acordo com o que se tem passado na europa, este deve ser o próximo vice-governador do banco europeu!

  3. Já era para ontem, este Sr. tem tentado passar despercebido de todos estes escândalos bancários quando esteve directa ou inrectamente responsável pela maioria deles. É um escândalo nacional este Sr. ocupar o cargo que ocupa sem ser responsabilizado pelo que tem vindo a acontecer na banca do nosso País.

  4. À mulher de César não basta ser séria, também tem de parecer séria. Não se podem dar cargos destes quando existem dúvidas de idoneidade.

  5. Plenamente de acordo com a saída.
    Um profissional digno deste nome, nunca pactuava com situações de compadrio.
    A Comissão Parlamentar deve chamar este e o outro, Sr. Victor Constâncio, possivelmente com responsabilidades acrescidas e levar o processo ao Ministério Público, para que seja feita justiça.
    Estes e outros não podem estar acima da justiça.
    O actual presidente da CGD, já anda a tentar travar o processo, dizendo que a Instituição vai perder credibilidade.
    Deixe-me rir Dr. Miguel Macedo, o que o Sr. quer é que o assunto fique esquecido.
    Em democracia o Povo tem o direito de saber toda a verdade e exigir que os responsáveis sejam punidos de forma exemplar.

  6. Afinal não temos um tribunal em Portugal?
    Nem na Europa
    IMPORTA-SE um da China
    Para fazer justiça
    E acabar com a corrupção em Portugal to y

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