Ex-procurador conta “toda a verdade” e acusa Proença de Carvalho

António Cotrim / Lusa

O advogado Daniel Proença de Carvalho

Num “requerimento explosivo”, o ex-Procurador Orlando Figueira, acusado de corrupção no mesmo processo que envolve o ex-vice-presidente angolano Manuel Vicente, acusa o advogado Daniel Proença de Carvalho de ter comprado o seu silêncio em troca de um emprego.

O nome de Proença de Carvalho volta, novamente, a ser colocado no centro da chamada Operação Fizz, que investiga suspeitas de corrupção e de branqueamento de capitais, tendo como arguido mais mediático o ex-vice-presidente de Angola, Manuel Vicente.

No início de Novembro, o advogado Paulo Blanco, também arguido no processo, depois de ter representado o ex-vice-presidente angolano em alguns negócios imobiliários em Lisboa, já tinha acusado Proença de Carvalho.

Agora, é Orlando Figueira quem, “num requerimento explosivo”, como revela a Sábado, imputa culpas ao advogado, acusando-o de ter tentado comprar o seu silêncio.

A “menos de 50 dias” do arranque do julgamento, há um volte-face na defesa de Orlando Figueira que resolveu dar um “basta” no processo, alegando que não tinha dito tudo o que sabe por ter feito “um ‘acordo de cavalheiros'” com Proença de Carvalho.

“Chegou a altura de dizer basta e de contar toda a verdade!!!”, escreve Orlando Figueira no requerimento de 44 páginas que foi entregue no Juízo Central Criminal de Lisboa, nesta semana, segundo a revista.

O antigo procurador do Departamento de Investigação e Acção Penal assegura que Proença de Carvalho lhe prometeu “um emprego futuro” e o pagamento das despesas com a sua defesa, neste processo, para não mencionar o seu nome, nem o de Carlos Silva, vice-presidente do BCP.

Orlando Figueira, que é acusado de ter arquivado processos de figuras angolanas, após alegados pagamentos de Manuel Vicente, também frisa que o advogado lhe pediu para não falar da “existência da conta de Andorra”. Esta conta, naquele território offshore, terá servido para o pagamento das alegadas “luvas”.

Proença de Carvalho e Carlos Silva negam as acusações do ex-procurador, refere a Sábado.

O Ministério Público acusou Manuel Vicente de ter pago mais de 763 mil euros a Orlando Figueira. A julgamento vão suspeitas de crimes de corrupção, branqueamento de capitais, falsificação de documento e violação de segredo de justiça.

O caso tem sido marcado pela tensão diplomática entre Portugal e Angola, por estar em xeque um ex-responsável do Estado angolano.

ZAP //

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9 COMENTÁRIOS

  1. Vamos ver se é desta que este também é julgado e condenado c/ a espada da JUSTIÇA. Este andou sempre por trás (ou á frente) dos outros corruptos, ladrões e vigaristas deste país.

    • Desde à muito, que passa incólume pelos “pingos da chuva”. Ñ por ser fininho, mas por termos uma justiça permeável a influências, e dividendos nas offshores. Haja coragem, e logo se verá porque este dono dos advogados de falinhas mansas, tem sido tão apaparicado.

  2. Ai Proença ai Proença, agora é que o teu capital se desmorona 🙂 à pois é… quem muito come e bem quer parecer, um dia….rasga a roupa que nela deixa de caber, novo ditado português, apenas uma rima.
    Fica com os dedinhos de fora.
    Quando um é apertado não há acordo de cavalheiro que resista Sr. infelizmente, a necessidade obrigou-o a aceitar e caíu para o lado do mais fraco, alias como sempre.
    Será que se verá mais alguma coisa sobre este Sr.? Ó Dr. Proença, apareça.

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