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Ex-presidente do Banif pede auditoria a “venda desastrosa” ao Santander

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Jorge Tomé, ex-presidente do Banif, considera que a venda do banco ao Santander aconteceu num “contexto um bocado estranho”, com um “resultado desastroso”.

Em entrevista à SIC Notícias esta quarta-feira, Jorge Tomé, que foi presidente do Banif até domingo, falou sobre o envolvimento da gestão do banco da operação e diz que desde sexta-feira estava afastado do processo, tendo o Banco de Portugal chamado a si a negociação.

“Aquilo que acabou por ser negociado com o Santander foi uma solução muito diferente da proposta”, afirmou, comentando a operação de resolução conhecida no domingo à noite que envolveu a injeção imediata de 2.255 milhões de euros – uma fatura que pode ultrapassar os três mil milhões para capitalizar o Banif na sua integração no Santander Totta, que pagou 150 milhões de euros pelo banco.

Não respondendo directamente à questão sobre se houve favorecimento à instituição espanhola, Jorge Tomé levantou dúvidas sobre a atuação do Banco de Portugal no processo, alegando que foram dadas condições para que o Santander escolhesse os ativos que queria comprar. “Escolheu os melhores” e “ao preço que quis”, afirma.

O ex-presidente do Banif acredita que a operação que ditou a venda do banco “desvalorizou o ativo”. “Uma coisa é vender um banco dentro da continuidade do negócio da operação, outra é vender ativos e passivos, sem concorrência”.

Jorge Tomé sugere mesmo que “deve ser feita uma auditoria à venda e à solução e comparar as diferenças“.

“Foi uma decisão completamente inesperada e o resultado foi desastroso. Soubemos através da comunicação social”, revelou Jorge Tomé, que explicou que “tinha sido aberto um concurso para a venda da posição do Estado no final de novembro, que seguiu o modelo com o apoio e desenho do BdP. Havia um prazo para entrega de propostas, 18 de novembro”.

Assim, se tivesse havido mais “três ou quatro dias para negociar com os quatro interessados, haveria uma proposta que evitaria a resolução”, garantiu.

O ex-presidente do Banif afirmou que esta solução – que prevê a transferência de ativos para a Naviget, uma sociedade criada para o efeito – servirá para recapitalizar o Fundo de Resolução.

“O efeito desta solução de passar ativos do antigo Banif para este veículo chamado Naviget ao preço a que estes ativos passaram, obviamente que num processo de venda estes ativos vão gerar mais-valias, gerando mais-valias, como esse ativo pertence ao fundo de resolução, é óbvio que o fundo de resolução vai ser capitalizado por essa via”, afirmou Jorge Tomé.

ZAP

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