Ex-presidente do BESA nunca divulgou lista dos devedores em Angola

sinanyuzakli / Flickr

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O ex-presidente do BES Angola (BESA), Rui Guerra, assegurou esta terça-feira que havia dois anexos à garantia estatal angolana concedida ao banco onde constavam os nomes dos devedores, mas que nunca passou a informação ao BES nem ao Banco de Portugal.

“Os mutuários estavam identificados na dita garantia. Existiam dois anexos: um tinha a ver com a carteira de crédito e o outro com o imobiliário. Eram do conhecimento do BESA e das autoridades [angolanas], bem como dos auditores e de quem nos supervisionava”, avançou aos deputados o responsável.

Eu nunca fiz chegar esse anexo a Lisboa [ao BES, que era o acionista maioritário do BESA], nem aos acionistas locais“, garantiu Rui Guerra.

Questionado sobre se tinha dado conhecimento dos anexos à garantia ao Banco de Portugal, o gestor também negou.

“Se eu não fiz chegar ao BES, penso que não”, sublinhou durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES/GES.

Rui Guerra revelou que a sua gestão, que iniciou funções no princípio de 2013, estava a desenvolver esforços para tentar executar a garantia estatal angolana sobre os grandes devedores do BESA, mas os trabalhos acabaram por não dar frutos, já que, em agosto do ano passado, o Banco Nacional de Angola (BNA) interveio no BESA e a garantia foi revogada.

“Íamos a caminho de podermos executar alguma parte da garantia. Estávamos a caminho disso”, afirmou.

“Isso quer dizer que morremos na praia?”, questionou o deputado do PS, Pedro Nuno Santos. “Não digo que também não seja uma frustração minha”, admitiu Rui Guerra.

Sobre a demora da gestão do BESA em executar a dita garantia, o ex-líder do banco angolano que era controlado pelo BES justificou-a com a tentativa de chegar a acordo com os devedores.

“Antes de haver uma execução é natural que nos reunamos com os clientes para perceber como é que a dívida assumiu determinadas dimensões”, disse o responsável.

No que toca à decisão das autoridades angolanas de revogarem a garantia que tinham concedido ao BESA e que ascendia a 3,3 mil milhões de euros, Rui Guerra jogou à defesa.

“Eu não tenho elementos objetivos que possa partilhar com os senhores deputados quanto ao porquê da mesma. Os pareceres jurídicos que na altura obtive mostravam que era uma garantia robusta“, sublinhou, acrescentando apenas a informação que é pública de que o Estado angolano decidiu em agosto revogar a garantia.

Mas salientou: “O que eu posso partilhar é que ao longo dos meses de 2014 sempre tive conversas muito naturais e estreitas com o Ministério das Finanças e com o senhor governador do BNA e nunca tive indicações de que havia intenção de revogar a garantia“.

Apesar da insistência dos deputados em tentar apurar o nome dos devedores que constavam nos dois anexos da garantia estatal angolana, Rui Guerra recusou-se sempre a revelá-los, alegando o seu dever de sigilo bancário, em Portugal e em Angola.

“Foi concedido crédito a José Guilherme em 2013 [quando Rui Guerra já era o presidente executivo do BESA]? E à Opway? E à Prebuild?”, foi lançando o deputado socialista, sem obter as correspondentes respostas.

Salgado e Sobrinho tratavam das principais questões

O ex-presidente do BES Angola assegurou que, pelo menos até 2012, as grandes questões relativas ao BES Angola eram tratadas diretamente entre Ricardo Salgado, presidente do BES, e Álvaro Sobrinho, antigo presidente do BESA.

“Os temas porventura relevantes relativos ao BESA, pelo menos até 2012, e pelo que me pude aperceber, sempre foram tratados diretamente entre o Dr. Ricardo Salgado, na qualidade de representante do acionista maioritário e presidente da comissão executiva do BES, com o pelouro de Angola, e o Dr. Álvaro Sobrinho, na qualidade de CEO do BES”, afirmou o responsável durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES/GES.

Durante boa parte deste período Rui Guerra era administrador não executivo do BESA, antes de assumir a sua liderança executiva no início de janeiro de 2013.

“Possuía um conhecimento muito limitado do que se vivia no BESA”, garantiu, apontando para a informação que era pública através dos relatórios e contas da instituição.

Depois de assumir o cargo de presidente executivo do BESA, por convite de Amílcar Morais Pires, o antigo administrador financeiro do BES que tinha ainda a responsabilidade pelo pelouro internacional, Rui Guerra admitiu que encontrou muitas surpresas.

“Após o diagnóstico inicial possível, encontrámos o banco numa situação muito difícil e que seguramente não antecipávamos”, revelou aos deputados.

Segundo Rui Guerra, a prioridade da nova gestão foi “repor a transacionalidade e assegurar a sustentabilidade financeira do banco”, tendo sido ainda feita a reforma ao nível da governação da entidade angolana.

/Lusa

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