Eurovisão rejeita música da Bielorrússia. Críticos dizem que legitima “regime sanguinário” de Lukashenko

Os organizadores do Festival Eurovisão da Canção recusaram esta quinta-feira a inscrição de uma música da Bielorrússia devido às suas polémicas letras de caráter político.

A European Broadcasting Union (EBU) exigiu esta quinta-feira que a Bielorrússia apresentasse uma nova inscrição ou corre o risco de ser desqualificada da competição, de acordo com o Deutsche Welle.

“Concluiu-se que a música coloca em questão a natureza política do concurso“, disse a EBU, num comunicado divulgado nas redes sociais. “Além disso, as reações recentes à entrada proposta podem trazer descrédito à reputação do ESC [Festival Eurovisão da Canção].”

A canção, intitulada “I’ll teach you” (“Vou ensinar-te”, em tradução livre), ridiculariza as manifestações contra o presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko. A canção, interpretada pelo grupo bielorrusso Galasy ZMesta, atraiu mais de meio milhão de visualizações na página oficial da competição no YouTube.

Os críticos da música acreditam que legitima o regime de Lukashenko, que foi acusado de fraude na eleição presidencial do ano passado contra a opositora Sviatlana Tsikhanouskaya. Tanto a União Europeia (UE) como os Estados Unidos não reconheceram Lukashenko como o presidente legítimo do país.

“Isto é uma brincadeira do povo da Bielorússia, de tudo o que está a acontecer no país”, disse a cantora Angelica Agurbash, que representou a Bielorússia na competição da Eurovisão em 2005, em declarações à agência Reuters. “Receber qualquer representante do regime sanguinário de Lukashenko seria errado”

Lukashenko é presidente da Bielorússia desde 1994 e tem sido criticado por observadores de direitos humanos pela sua repressão às liberdades civis e à imprensa. A agência de direitos humanos Freedom House caracterizou o país como “não livre”, descrevendo o país como um “Estado autoritário consolidado”, onde “as eleições são abertamente orquestradas e as liberdades civis são fortemente restringidas”.

A inscrição da canção bielorrussa é a última a gerar polémica no concurso deste ano, depois de a inscrição do Chipre ter atraído a condenação da comunidade religiosa do país no início deste mês. A Igreja de Chipre acredita que a entrada da música “El Diablo” (“O Diabo”) promove o culto satânico.

De acordo com o site oficial da competição, “El Diablo” é sobre “apaixonar-se por alguém tão mau como o diabo”. A música é interpretada pela cantora grega Elena Tsagkrinou.

Uma declaração do Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa de Chipre descreveu a entrada como um elogio à “submissão fatalista dos humanos ao poder do diabo”. Os manifestantes reuniram-se em frente à emissora estatal de Chipre para exigir a retirada da canção da competição.

O Festival Eurovisão da Canção acontecerá em maio na cidade holandesa de Roterdão.

Maria Campos, ZAP //

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