Derrota histórica para o PSD. O PS resiste, o Bloco chega-se à frente e o PAN estreia-se

Hugo Delgado / Lusa

A derrota do PSD, com uma desvantagem de mais de 10 pontos percentuais sobre o PS que foi o vencedor da noite eleitoral, o reforço do Bloco de Esquerda como a terceira força política e a eleição de um eurodeputado do PAN marcam as europeias que se realizaram neste domingo em Portugal.

O PS foi o grande vencedor da noite eleitoral, como já indicavam as sondagens, somando 33,39% dos votos, com uma vantagem de mais cerca de 10 pontos em relação ao PSD que somou 21,94%. Trata-se, percentualmente, do pior resultado de sempre dos sociais-democratas, ficando abaixo dos 24,3% obtidos nas legislativas de 1976.

O PS conseguiu eleger 9 eurodeputados, mais um do que nas eleições passadas, enquanto o PSD mantém os seis lugares no PE.

Em europeias, o pior resultado do PSD tinha sido há 5 anos quando, em coligação com o CDS-PP, conseguiu 27,7% dos votos. A concorrer sozinho, o pior resultado do partido foi em 1999, com 31,1% dos votos, com Pacheco Pereira como número um.

Há 5 anos, a diferença entre o PS – que então venceu também as eleições – e a coligação PSD/CDS-PP foi inferior a 4 pontos percentuais.

O CDS-PP alcançou também o seu pior resultado de sempre em europeias, com 6,19% dos votos, mas manteve Nuno Melo no Parlamento Europeu (PE).

A CDU foi outra das forças derrotadas da noite, ficando em quarto lugar na votação com 6,88%, abaixo dos 6,9% conseguidos nas legislativas de 1999 e dos 9,09% das europeias de 2004.

O Bloco de Esquerda (BE) e o PAN foram os outros dois vencedores da eleição, com os bloquistas a conseguirem eleger um segundo eurodeputado e a duplicar a votação de 2014, com cerca de 320 mil votos e 9,82%, consolidando-se como a terceira força mais votada nas europeias.

Já o PAN, o partido Pessoas-Animais-Natureza, surpreendeu ao conseguir eleger pela primeira vez um eurodeputado, com cerca de 5,08% e 165 mil votos.

Outro dos perdedores da noite foi António Marinho e Pinto que nas europeias de 2014 conseguiu eleger 2 eurodeputados para o seu partido de então, o MPT (Movimento Partido da Terra), mas que agora fica fora do PE.

O Aliança, do ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes, falhou a eleição de Paulo Sande, somando 1,86% dos votos, e a coligação Basta, do ex-social-democrata André Ventura, ficou em nono lugar na votação com 1,49%, atrás do Livre de Rui Tavares (1,83%).

Portugal elege 21 dos 751 eurodeputados ao PE.

Rio chuta para a frente e fala em ganhar as legislativas

Perante os resultados negativos, Rui Rio, presidente do PSD, admite “sem floreados” a derrota, mas considera que tem “condições” para levar o partido a “um bom resultado” nas legislativas de Outubro, recusando abandonar o barco.

“Estamos a falar de alguém que anda há 61 anos na vida pública. Eu não abandono, eu assumo as minhas responsabilidades“, atira Rio em declarações aos jornalistas, frisando que a meta é agora “ganhar as eleições” legislativas. Um objectivo que Rio acredita ser possível porque são “eleições completamente diferentes”.

O presidente do PSD não deixa de enviar farpas aos opositores dentro do PSD, frisando que foi “difícil andar um ano com turbulência interna“. Talvez por isso Rio aponte como o grande culpado pelo resultado o “PSD como um todo”. “O Dr. Paulo Rangel, como cabeça de lista, teve um pouco mais e eu também porque sou líder do partido”, acrescenta ainda.

Rio frisa também que é preciso “aprender” com os erros desta campanha e que nas legislativas, é necessário “fazer uma campanha diferente dos moldes tradicionais”.

Costa mantém fé na geringonça

Analisando os resultados da noite eleitoral, António Costa considera que a vitória do PS é “expressiva, clara e inequívoca” e que constitui um “voto de confiança” dos portugueses no seu Governo.

“Nestas eleições, é evidente a derrota muito clara que o PSD e o CDS-PP sofreram”, aponta ainda o primeiro-ministro, notando que os parceiros de esquerda que suportam a actual solução governativa também alcançaram um bom resultado. É  primeiro-ministro a manter a fé na geringonça que pode vir a ser necessária ao PS nas legislativas.

O mau resultado do PCP, na coligação CDU com Os Verdes, pode vir a ser um problema para o PS nas eleições de Outubro. Mas Costa finta essa pergunta. Há quem defenda que os comunistas estão a pagar agora o apoio que têm dado ao PS no Governo. A manter-se a actual tendência de votos, os socialistas ficarão longe da maioria absoluta em Outubro, pelo que poderão depender de uma nova “geringonça” para governar. Falta saber se o PCP estará disposto a firmar uma nova aliança com o PS.

Bloco afirma-se como terceira força política

A coordenadora do BE, Catarina Martins, qualifica de “extraordinário” o resultado do partido, considerando que estas eleições “reconfiguram o mapa político”. “A disputa política está nos projectos que a esquerda tenha capacidade para apresentar”, aponta ainda a líder bloquista num alerta a Costa de que precisará de contar com o seu partido para o que há-de vir.

“O BE cresceu em percentagem, cresceu em votos e cresceu em todo o território, de norte a sul do país”, salienta Catarina Martins, realçando que o partido “é hoje a terceira força política do país”. “Com mais força, mais capacidade e por isso mesmo com mais responsabilidade”, acrescenta.

O BE elege dois eurodeputados, Marisa Matias e José Gusmão, e assegura importância eleitoral mais do que suficiente para que Costa não se esqueça disso com as legislativas no horizonte.

“Noite histórica” para o PAN

O porta-voz do PAN, André Silva, congratula-se com a eleição de um eurodeputado para o PE, realçando a “noite histórica” do partido que já “não é uma moda” e que “ganhará cada vez mais voz”. “Há cada vez mais pessoas a pensar como nós”, considera o dirigente, frisando que o PAN tem “dado respostas, ao contrário dos partidos tradicionais”.

“A religião do PIB [Produto Interno Bruto] não pode estar no centro da discussão”, aponta também André Silva, reforçando a importância de questões como a “crise climática”.

Cristas culpa abstenção pelo mau resultado

“Ficámos aquém dos objectivos traçados”, afirma Assunção Cristas sobre a noite eleitoral negativa do CDS-PP, lembrando que o partido que lidera não conseguiu atingir a meta de eleger o seu segundo eurodeputado.

Ao lado de Nuno Melo, a líder dos populares considera que a abstenção, em redor dos 70%, foi “o maior obstáculo” do partido, e garante que compreendeu “bem o sinal que os eleitores quiseram dar”.

Falando para o interior do partido e apontando às legislativas, Assunção Cristas destaca que o CDS é um partido “forte, unido, dinâmico, entusiasmado”.

“Um sinal de alerta” para os comunistas

O secretário-geral do PCP assume que o resultado eleitoral da CDU foi “particularmente negativo” para os interesses dos trabalhadores, do povo e do país, reconhecendo a quebra face aos 3 eurodeputados eleitos em 2014. A CDU tinha obtido há 5 anos o seu segundo melhor resultado de sempre em sufrágios europeus, sendo a terceira força política mais votada, com 12,7%, e 3 mandatos conquistados. Desta vez, elegeu apenas dois eurodeputados.

O resultado deste domingo “deve constituir um sinal de alerta“, constata Jerónimo de Sousa, salientando que “as eleições legislativas de Outubro próximo serão um momento decisivo”. Até porque pode estar em causa a sua liderança no PCP, perante um novo mau resultado.

SV, ZAP // Lusa

 

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28 COMENTÁRIOS

  1. Ó Rio, vais já ganhar as legislativas. Está-se mesmo a ver que vai ser outra geringonça, mas a 2 que o PCP também já era…

  2. Será que Cristas compreendeu mesmo bem o sinal” dos eleitores?É que o sinal quer dizer que há muito que ninguém a suporta, existe um limite para a incompetência e estupidez e a cristas ultrapassou esse limite de uma forma impressionante!

    • Mas o parasita Melo ainda consegue ser muito pior do que ela e, vai continuar com o tacho milionário em Bruxelas – onde não tem feito absolutamente NADA!!

  3. Estou com uma curiosidade enorme em ver se os indefetíveis do PSD, que cá costumam vir comentar e agredir tudo e todos que o não são, agora também vêm para pelo menos assumir que perderam, e que afinal o povo português não é tão analfabeto como eles gostariam que fosse.
    Paulo Rangel que nunca no parlamento europeu fez algo que se possa assinalar, e Nuno Melo que foi por indicação dos seus colegas parlamentares o que teve pior desempenho durante o último mandato, que se calem de uma vez e não conspurquem mais o ambiente político nacional, pois precisamos de paz para enfrentar todos os desafios que aí vêm, e que este governo tem sabido enfrentar e resolver, embora como é natural por vezes também erre. Vamos vencer as legislativas que se avizinham e prosseguir na recuperação do país.

  4. O comunista Rui Rio que acha que fazer negocio com casas é especulação e tem de ser combatido, que acha que o lucro e iniquo, essa cópia de PCP só teve 20% dos votos? Quem diria

    • O candidato principal do PSD era o advogado parasita Paulo Rangel (que, quando tem tempo livre no seu escritório de advogados, lá faz uma visita a Bruxelas!), não o Rui Rio!!

      • Rui Rangel outro, que passa o tempo a falar contra a “direita populista”.
        Para partidos anti-direita ja existe o PS, BE, PCP, PAN e LIVRE não era preciso o PSD também. Só me admira ainda terem tido 20%

  5. Com 70% de abstenção!!!!!!

    Mas percebo que os pouco que foram, fizeram a sua parte, elegeram alguém (também) que aparentemente tem um défice cognitivo, esperemos que os restantes não nos desiludam…

    Normalmente a abstenção fica-se pelos 30/40%, neste caso ultrapassou as marcas, o mesmo que dizer, que estão todos a borrifar-se para tudo…

    Onde andam os jovens, que não se fazem à vida para arrumar com as “antiguidades”?

    Talvez ganhem as legislativas, assim espero, para provarem do próprio veneno, e se não houver veneno, é porque está tudo bem :/ …

    PS: Na Dinamarca a abstenção foi 35%, esta percentagem, diz muito desse povo , do governo deles…

    Triste povo o nosso que de brandos costumes, ficou em modo muito brando, para se levantar e ir votar, mas, foram a banhos com euforia…

    Portugal, o país que está em 1º lugar em tudo que não nos abona, até na abstenção…

    • “Normalmente a abstenção fica-se pelos 30/40%”
      Ah?! Isso nunca aconteceu!…
      Normalmente fica sempre acima dos 60% (em 2009 foi de 63%, em 2014, 66% e agora mais de 68%)!…
      Os candidatos também não ajudam, embora, em 17 candidatos deve haver algum que “escape”!…
      O facto de haver (oficialmente) 10,7 milhões eleitores também não ajuda – há mais eleitores do que habitantes!!…
      É urgente actualizar os cadernos eleitorais – na realidade, não devem passar dos 9 milhões!
      Portugal não está 1º lugar na abstenção; ficou em 6º – em 1º ficou a Eslováquia com 77%!
      O país com menos abstenção foi a Bélgica com apenas 11% mas houve também eleições federais e regionais – e lá o voto é obrigatório!

    • Ó Albertina… Então fica-se pelos 30 a 40%!!!??? Nas Europeias?!!! Isto de comentar a seguir ao almoço pode promover estes deslizes.
      E neste caso o Eu! tem razão. Como é que é possível haver 10,7 milhões de eleitores!!! Então Portugal supostamente tem 10,31 milhões. Cerca de 2 milhões estão abaixo dos 18 anos. Logo como é que podem votar 10,7 milhões?!! Mesmo admitindo 2,2 milhões de emigrantes portugueses no estrangeiro, e admitindo que alguns destes não têm idade para votar, parece-me excessivo considerar um universo eleitoral de 10,7 milhões.

    • D.ª Albertina Correia: A que “antiguidades” se refere concretamente? À tal peste “grisalha”?
      Penso que uma grande parte dos portugueses ainda está fortemente traumatizada pelo “reinado” de Passos Coelho e enquanto esse trauma não passar ou se reduzir significativamente, o PSD não terá qualquer hipótese, mesmo até com um Rui Rio no comando, que me parece uma pessoa politicamente honesta. Por outro lado o PS mostrou que outro caminho era possível, e foi. Claro que houve também erros, mas o PCP e o Bloco também não ajudaram muito!… Creio que as Legislativas não irão ter resultados muito diferentes, para já, dos das Europeias do passado domingo.

      • Eu estou traumatizado é com aquilo que o PS me tirou, via bancarrota Sócrates e via hipoteca do país à Troika. Passos foi apenas o executor daquilo que o PS acordou com os credores de 90 mil milhões de euros.

        • Estou plenamente de acordo consigo. Não tenho mesmo dúvidas. Mas… e talvez possa até ser um poco de ingenuidade minha, este PS de agora parece-me ser algo diferente. Passos foi de facto o executor, mas um executor com muito pouca sensibilidade humana. Foi um trauma para várias camadas da nossa sociedade. Claro que o PSD não está perdido, neste momento parece-me ter um “timoneiro” com qualidades de honestidade política, mas ainda demorará um largo tempo até que o partido se recomponha perante a sociedade. Ainda não será seguramente em Outubro!… E isto não será, certamente, “amnésia descarada!”…

      • Mas qual outro caminho ? Economia favorável (turismo), juros de dívida quase zero, impostos, com a maior receita fiscal de sempre e depauperamento enorme em todas as áreas do Estado, pergunta-se: é este o caminho fabuloso que o OBSERVADOR aqui elogia ?! Acorde para a realidade, amigo, que o país está é de pantanas.

        • Bom, comentar aqui nesta espaço não é naturalmente fácil. Para já e para esclarecer qualquer equívoco, não sou socialista. Ponto final. O meu comentário, no início, foi mais motivado pela afirmação da D.ª Albertina Correia acerca de “arrumar com as antiguidades” e que me pareceu “arrumar com os velhos” e isso levou-me a questioná-la se se referiria à classe dos da “peste grisalha”, a que ela não respondeu. Infelizmente faço parte dessa classe cujo epíteto me conduz ao tempo de Passos Coelho e daí a minha observação sobre o tal “traumatismo” que, na verdade existiu e ainda perdura. Não falei que seguimos um “caminho fabuloso”, essa classificação é sua. Claro que não seguimos um caminho fabuloso, mas seguimos um outro caminho com características mais humanas e menos traumatizantes para a nossa sociedade. Se vai ter consequências negativas no futuro, não sei, é um caso que teremos de analisar. Uma coisa é certa, o PCP e o Bloco em nada ajudaram para um melhor sucesso; alguns resultados positivos que se obtiveram foram imediatamente distribuidos e acabou por não se criar riqueza. Os tempos agora são diferentes e menos positivos. Os juros da dívida com tendência para zero foi naturalmente um facto bastante positivo; quanto ao turismo, ponho as minhas dúvidas. Não se incentivou a indústria e aí está um grave problema que naturalmente iremos pagar caro. Enfim, hove de facto um outro caminho, mas… também vátrios erros. Portanto o meu comentário não tem qualquer tipo de fanatismo político e não será certamente através dele que o meu país se torna o tal “pobre país”…

      • Ó Observador. Pretendo discutir consigo no bom sentido de palavra apenas invocando para o efeito argumentos concretos.
        Diz que o PS fez muito. Pois eu digo-lhe que o PS nada fez.
        – Portugal está no último terço no crescimento do PIB entre todos os países da UE. Os nossos adversários diretos crescem todos a taxas bem superiores (praticamente ao dobro). Como resultado da governação socialista ficaremos uma vez mais em penúltimo lugar (sim, porque neste capítulo ninguém bate os gregos).
        – O défice terá sido reduzido de 3% para aproximadamente 0% (a ver vamos). O governo anterior encontrou um país sem dinheiro (e sei muito bem do que falo) e conseguiu com enorme sacrifício de todo o povo português reduzir de 11% para 3%.
        – Atualmente as contas nacionais são problemáticas. O comum mortal não tem esta opinião. Vê um défice 0% e acha que tudo está bem. Mas não está. A receita cairá a pique em breve como resultado de novo período de recessão que se avizinha. No entanto este governo aumentou a despesa corrente em mais de 5 mil milhões de euros. E estes estarão lá para alguém pagar. Como as receitas fiscais cairão abruptamente, o resultado facilmente se imagina: novo défice considerável (seguramente acima de 3% e mais dívida pública).
        – Portugal aumentou o seu turismo. Mas nesse mesmo período muitos outros países cresceram igualmente. E o turismo no seu todo (a nível mundial) aumentou imenso. Não se esqueça que aqui ao lado Espanha tem 80 milhões de turistas, a França quase 90 e a própria Grécia tem mais de 20 milhões. Portugal, turistas estrangeiros tem apenas 12,5 milhões, isto é, abaixo de Veneza, Catalunha,…
        – Pelo meio ainda tivemos as descoordenações nos combates aos fogos, resultado de terem nomeado amigos incompetentes para a proteção civil.
        – Caso Tancos, e quanto a esta novela não adiantarei mais nada porque já é demasiado ridícula.
        – Governo com maior número de familiares quer no governo quer em cargos públicos.
        – Maior carga fiscal de sempre no ano de 2018. Se a economia estava a crescer deveria ter havido um aliviar da pressão. Só não houve como alguns impostos ainda foram engenhosamente aumentados.
        – O PM prometeu reduzir o imposto sobre os combustíveis logo que o preço do petróleo nos mercados internacionais aumentasse. Ora bem… o preço aumento, mas o imposto não desceu!

        Sabe o que me parece. Imagine um barco à vela em alto mar. Com Passos Coelho havia vento contrário e ainda assim percorreram-se algumas milhas. Com o atual governo, o vento estava forte, e de feição, mas não o souberam aproveitar. É certo que o barco andou a um ritmo maior do que no governo anterior, mas o vento também era muito diferente. Devíamos ter crescido a 4% ou mais. Deveríamos ter aliviado a carga fiscal, para depois a subir quando fosse necessário (quando os maus ventos regressarem, o que de resto está para breve); deveríamos ter promovido uma reforma da administração pública; deveríamos ter acelerado o processo de autonomia dos tribunais e da investigação judicial nomeadamente dotando-a de melhores meios,…). Enfim, deveríamos ter feito tanta coisa que decididamente não fizemos.

        • Agradecido por toda a sua informação. Claro, para ser honesto, não posso discordar consigo. Penso que estamos aqui a trocar impressoões sem qualquer tipo de fanatismo, pelo menos da minha parte.
          Não disse que o PS fez muito, disse textualmente que «seguimos um outro caminho com características mais humanas e menos traumatizantes para a nossa sociedade. Se vai ter consequências negativas no futuro, não sei, é um caso que teremos de analisar». Foi isto que eu disse. Este «seguimos» talvez seja uma expressão um pouco confusa e menos realista, uma vez que, como já disse, não sou socialista.
          Convenhamos que Passos Coelho e Vítor Gaspar foram duas personagens arrogantes, extremamente autoritárias e sem qualquer tipo de sensibilidade humana. Não tiveram qualquer tipo de afectuosidade para com o povo que estava a ser esmagado pelas dificuldades impostas. Isso criou traumas, sobretudo em muitíssimos elementos da classe média que, de um momento para o outro, se viram em situações bastante degradantes. Claro que estávamos numa situação de quase bacarrota, mas tinha mesmo que ser assim? Não se poderiam ter encontrado outros métodos, menos dolorosos, considerando uma recuperação mais prolongada? E esses traumas persistem, quer queiramos, quer não. Não digo que hoje corra tudo bem, continuamos, é certo, com dificuldades, mas existe uma outra sensibilidade para comunicar com o povo e parece-me existir mais algum apoio. Não estou a favorecer os socialistas porque não sou socialista. Fui durante muitos anos CDS mas desiludi-me, e infelizmente continuo a desiludir-me ainda mais, por isso desde o tempo de Passos Coelho que deixei de ter partido. Politicamente estou numa situação de “virgindade”.
          Na verdade Portugal tem crescido alguma coisa, embora timidamente, lembremos que a Alemanha tem actualmente um crescimento de 0,5%, o que seria impensável há alguns anos. Devíamos de ter aproveitado muito melhor o tempo em que o vento soprava mais de feição, mas convenhamos que com este tipo de “geringonça” seria difícil conseguir melhor. Agora estamos a braços com vários problemas internos, houve falta de alguma perspicácia política que conduziu a uma instisfação que se generalizou por toda a função pública e prevejo que o PS aí virá a ter grandes dificuldades, já que o PCP e o Bloco parecem não estar muito dispostos a colaborar. Alguma modificação terá que ser feita, mas isso só lá para as próximas legislativas… Que o PSD recupere, não o creio, mas pugnaria por uma coligação com o PS. Também a mentalidade agora existente no PSD, com Rui Rio, parece-me bastante diferente e a meu ver também bastante mais saudável. Enfim, é uma incógnita para o futuro. De qualquer forma agradeço o seu comentário, que apreciei.

          • De um modo geral também estou de acordo com grande parte do que refere.
            Pessoalmente estou à vontade para falar em partidos políticos porque muito embora constate que uns governos são melhores do que outros, até hoje, e já levo 53 anos, votei sempre em branco. Penso que apenas terei falhado uma ou duas eleições europeias. De resto, votei sempre em branco. Nunca me revi nestas seitas, para não lhes chamar quadrilhas.
            Em relação à era Passos / Gaspar penso que tinha mesmo de ser assim. O país não tinha dinheiro. A dívida pública já era enorme e o défice um autêntico absurdo. Anos de má governação resultaram num quadro bem negro. E o pior é que tínhamos agora a oportunidade de fazer melhor e aproveitar o bom tempo para arrumar a embarcação. Não o fizemos. Sinto que perdemos uma grande oportunidade.
            Fala ainda do crescimento da Alemanha. Também podia referir o baixo crescimento da França, Itália, Inglaterra. Mas como compreende bem, esses países não são do nosso campeonato e estão em patamares muito superiores ao nível do desenvolvimento e do crescimento económico. Temos de ser realistas e procurar compararmo-nos com os do nosso campeonato (Hungria, Roménia, Irlanda, Grécia, Eslovénia, Eslováquia, República Checa,…). E esses estão praticamente todos a crescer bem mais do que nós. Obviamente que se os do nosso campeonato sobem na tabela, nós iremos descer. Felizmente há a Grécia que não nos deixa assumir o último lugar. Caso contrário seríamos o último. Quanto aos primeiros classificados da tabela… espere para ver o efeito desse seu arrefecimento em todos os outros. Porque vai vê-lo e mais cedo do que muita gente pensa.

    • Disse ontem a esmagadora maioria do portugueses que isto é tudo uma cambada. Nada presta, nada oferece confiança: PSD, PS, CDS, PCP, Verdes, etc. Este país está uma desgraça. É a mensagem que o povo passou. Com o país a seguir este caminho, pobrezinho, com uma classe política tão reles e com corruptos por todo o lado, pressinto que o futuro pode acabar numa nova chafurdice.

  6. E agora Rio? Não deixo de confessar que até admirava a sua forma de fazer política, até ao surgimento daquele enorme erro de palmatória que foi colocar ao colo aquele tal senhor Nogureira, da Femprof, que é prof. mas que não dá aulas há anos. Depois surpreendeu também ao tentar cavalgar uma fantasia que foi criada só para efeitos eleitorais como foi a questão da “family gate”. Pois agora os radicais do PSD que o empurraram para isso que mostrem a cara. O pior, contudo, é daquela senhora colonialista, fascista e racista dessimulada que quis envergonhar o António Costa. Se há neste momento alguém que detesto mesmo e que está a mais na vida pública é, claramente, a Cristas. Petulante, desavergonhada, foi traída pela sua falta de humildade, pois ela só pretendia mostrar que é melhor que o Paulinho. Pois é, assim se vê como Deus escreve direito por linhas tortas. Que esta senhora desapareça de vez para o bem de todos.

  7. Um país e um povo desgraçado !
    Único país da UE onde a extrema esquerda se aproxima dos 20% !
    O país com maior abstenção nestas europeias.
    Um pais de ignorantes onde mais de metade nem sabe o nome de quem está a votar… mas ainda assim vota. E votam com tanto mais empenho, quanto os seus eleitos são corruptos e nepóticos.
    Um país que está a precisar de muito comunismo para abrir os olhos !
    Um país que está a precisar de um socialista como Maduro.

    • Eh lá!… Nuno Melo, és tu?!
      Enfim… como de costume, só escreves mentiras e disparates!!
      Portugal não foi o país com maior abstenção – foi o 6º!
      20%?!
      O PCP e o BE juntos tiveram cerca de 15% – na Irlanda, partidos da mesma família politica do PCP e BE, passaram os 28%!
      Mas, vai lá ver os resultados da Irlanda, da Grécia ou de Chipre e pode ser que fiques um pouco menos ignorante!…
      Além disso, se os candidatos dos maiores partidos se tivessem portado como a Marisa Matias, certamente que teriam melhores resultados…
      Embora, infelizmente, outros candidatos de partidos mais pequenos tivessem tido pouco tempo de antena…
      Mas, tanta preocupação com o PCP e BE, e, um dia quando acordardes para a realidade, ainda vais descobrir que o PS, PSD e CDS é que tem governado Portugal nos últimos 40 anos!…

  8. Com 70% de abstenção ninguém pode gritar vitória. A democracia e todos os partidos nacionais foram derrotados. Essa é que é a grande realidade. Tudo o resto é praticamente irrelevante. Só a família do César deve ter feito a totalidade dos votos que o PS teve.

  9. Estes analistas também estão em crise. O PSD teve mais votos que há 4 anos, chamam-lhe derrota histórica. O PS que teve um cagagésimo mais que o “poucochinho de José Seguro” é uma vitória estrondosa. Assim vai este pobre país. Para mim há 2 vitoriosos: BE e PAN e um derrotado, a CDU. Os restantes tremeram todos: PSD, CDS e PS. E atenção que os sociais democratas perderam cerca de 5% de votos para os novos: Aliança, Basta e Iniciativa Liberal, o que de forma agregada pode significar algum crescimento à direita. O PCP parece estar a sofrer absorção pelo BE e PS. As próximas eleições poderão confirmar ou desmentir isso.

  10. Tu não estás confuso, tu ficaste é baralhado.. mas daqui a uns dias isso passa!
    Então o CDS, partido que afirma pretender vencer as legislativas, e que coloca como fasquia eleger 2 Eurodeputados e ficar acima do BE e da CDU, apenas treme?
    É uma derrota em toda a linha, o que mostra que o povo português não anda a dormir e que sente o cheiro de cínicos e hipócritas que apenas pretende o voto, bastou ver o sorriso da Cristas ontem!
    A desculpa da polarização do voto à direita, pode também ser encarado à esquerda, ou a quem achas que o PAN, LIVRE, ETC foi buscar os votos?

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