Europeias: PS com candidatos “escondidos”, CDU só observa e Rangel já faz rimas ao primeiro-ministro

Paulo Cunha / Lusa

A dias do escrutínio para o Parlamento Europeu, PS acusou o BE de ser ambíguo, CDS critica respostas de Costa sobre Tancos e PSD quer ver “candidatos escondidos” do PS. Até já há rimas para o primeiro ministro.

O candidato socialista europeu Pedro Marques desafiou a esquerda em Portugal a clarificar a sua posição relativamente à saída do euro e a “parar de ser ambígua”, porque os portugueses “têm de saber no que estão a votar”.

“Nós construímos uma solução política em Portugal que deu bons resultados. Mas a esquerda, também em matéria europeia, tem que parar de ser ambígua, neste tempo das eleições europeias a esquerda tem que ser clara”, disse o candidato.

Em Setúbal, o cabeça de lista do PS às europeias distinguiu o PCP, que “tem sido mais ou menos claro” no que respeita à saída do euro, do BE, que é “mais ambíguo”. O PCP, que “tem dito que defende a saída do euro”, tem que “explicar aos portugueses como é que se enfrenta a vaga de despedimentos e êxodo de empresas, a desvalorização dos salários e das pensões, dos nossos depósitos”, que daí decorreria.

Contudo, frisou, o BE é mais ambíguo e por isso “tem que esclarecer” a sua posição, uma vez “que ainda há bem pouco tempo falaram em preparar um cenário de saída do euro” e, por isso, “têm de explicar onde estão”.

Também António Costa criticou o PCP e o BE, dizendo que estes partidos se afastaram do voto de protesto em Portugal, mas não o fizeram na Europa, considerando este tipo de posicionamento inútil para a resolução de problemas.

“Eu julgava que os partidos que há três anos e meio, connosco, construíram esta solução governativa já tinham percebido que mais vale estarem comprometidos com uma solução de Governo do que se manterem arredados numa mera posição de protesto. Infelizmente, vejo que aprenderam em Portugal, mas ainda não aprenderam na Europa”, declarou.

O presidente da federação distrital de Setúbal do PS, António Mendes, que fez a primeira intervenção da noite, frisou que o PS é a “alternativa de quem não vê a participação na Europa como uma questão de ser bom ou mau aluno”.

Rangel critica primeiro-ministro em rimas

O cabeça de lista do PSD às europeias, Paulo Rangel, questionou se o PS se está a “transformar no partido unipessoal” de António Costa, estranhando a ausência de antigos líderes na campanha socialista. O candidato lamentou que o PS critique o PSD por trazer à campanha ex-líderes do partido, como Passos Coelho, Ferreira Leite ou Luís Filipe Menezes.

“Porque é que não vai nenhum ex-líder à campanha do PS? Será que o PS se está a transformar num partido unipessoal, que é o partido de Costa e apenas de Costa e mais ninguém?”, questionou, retomando o desafio lançado ao almoço por Menezes para que os socialistas levem à campanha nomes como Vítor Constâncio ou António José Seguro.

Paulo Rangel acusou ainda o PS de “esconder alguns dos seus candidatos”, dizendo que o número três da lista, Pedro Silva Pereira, “o antigo braço direito de José Sócrates, ainda não apareceu em nenhuma ação de campanha”.

O eurodeputado acusou ainda o PS de “uma profunda dissonância” nas posições em relação aos liberais europeus tomadas por Costa e o ministro e dirigente do PS Pedro Nuno Santos. “Mas afinal que PS é este? É o PS de Costa em Lisboa, é o PS de Costa em Paris ou é o PS de Pedro Nuno Santos em Aveiro?”, desafiou, acusando o primeiro-ministro de uma “espargata ideológica” ao estar coligado com BE e PCP.

O candidato aproveitou ainda para fazer uma rima dedicada às “duas caras” do primeiro-ministro, acusando António Costa de ter “dois amores que em nada são iguais”, ligando-se a BE e PCP em Lisboa e tentando uma aliança com os liberais em Bruxelas. “António Costa tem dois amores que em nada são iguais, uns são socialistas e os outros são liberais”, rematou.

CDS com ambição sem limites

O Governo também foi alvo de críticas do CDS-PP. A líder, Assunção Cristas, acusou o primeiro-ministro de “falta de honestidade política” nas respostas por escrito que deu à comissão parlamentar de inquérito ao caso do furto de material militar de Tancos.

“O primeiro-ministro tem tudo menos honestidade política, tem tudo menos frontalidade”, afirmou Assunção Cristas num jantar, no dia em que foram conhecidas as respostas, por escrito, de António Costa à comissão parlamentar de inquérito, em que o líder do executivo admite, segundo a líder do CDS, que pode ter encoberto “uma situação gravíssima e um atentado sério ao Estado de direito”.

Os centristas, afirmou, ficaram “sem saber a resposta” à pergunta sobre se o “primeiro-ministro sabia e se tinha sido conivente com a farsa encenada” em torno da recuperação do material furtado em junho de 2017. “Conseguiu dar respostas contraditórias e manter a dúvida em cima da mesa”, declarou Assunção Cristas, depois de nomear as hipóteses, antecipando a conclusão de que “a resposta é sempre má”.

Em Lisboa, Nuno Melo, cabeça de lista, esteve na baixa de Lisboa, entre muitos turistas e poucos eleitores portugueses, acreditando que não há impossíveis. Assunção Cristas lembrou a campanha autárquica de 2017 em que o CDS ficou à frente do PSD e fez uma afirmação: A ambição “não tem limites”.

O candidato aproveitou para responder ao “insulto escusado” do “comissário político” Eduardo Cabrita de associar os centristas à extrema-direita europeia, sugerindo-lhe que olhe para o extremismo dos seus parceiros, BE e PCP.

“O PS não está mais próximo de CDU de Merkel, está próximo da CDU de Jerónimo de Sousa”, afirmou Melo, em resposta ao ministro da Administração Interna, a quem chamou “comissário político”. Se o PS “quer falar de extremismos, fale à sua esquerda” e “olhe bem para BE e para PCP”, disse Melo, acusando os socialistas de terem levado “o extremismo ao poder em Portugal”, afirmou.

Marisa não quer dinheiro dos contribuintes para fraudes

A cabeça de lista do BE às europeias, Marisa Matias, rejeitou que, “depois do dinheiro dos contribuintes” ter pagado as fraudes do passado, se queira “agora usar o dinheiro dos pensionistas para pagar as fraudes do futuro”.

“Nós não aceitamos que depois do dinheiro dos contribuintes ser usado para pagar as fraudes do passado, queiram agora usar o dinheiro dos pensionistas para pagar as fraudes do futuro”, criticou Marisa Matias, num jantar em Setúbal.

A eurodeputada bloquista lembrou que “foi apenas o BE que confrontou diretamente o PS, o PSD, e o CDS nas suas intenções e nos seus planos obscuros ou mais ou menos obscuros de privatizar os sistemas públicos de Segurança Social a nível europeu”. E não só isso, mas como terem planos também para diferenciar e transformar os sistemas de segurança social para pobres e para ricos. Nós queremos um sistema único, público, solidário”, defendeu.

Marisa Matias deixou depois um alerta: “chega de desviar o dinheiro que falta às pensões para quem o vai esconder nos paraísos fiscais, nos offshores, sem ter que mostrar nada porque a União Europeia favorece essa política permanente da ocultação e nós não a aceitamos”.

CDU a observar as “cambalhotas políticas” dos partidos

O líder parlamentar comunista juntou-se à caravana europeia da CDU, no Seixal, acusando PS, PSD e CDS-PP de darem “cambalhotas” políticas, confiante num bom resultado eleitoral.

“Sabe que, com frequência, nós nas eleições temos duas vitórias: vencemos os obstáculos que temos para termos bons resultados eleitorais e vencemos as sondagens. Se nestas eleições vencermos as sondagens como vencemos há cinco anos quando nenhuma sondagem apontava o resultado que tivemos, acho que conseguimos vencer as sondagens e julgo que também domingo à noite teremos motivos para celebrar duplamente”, afirmou João Oliveira.

“Estamos a construir um resultado que domingo à noite sirva para reforçar a nossa capacidade de intervenção no Parlamento Europeu. Não temos nenhuma fasquia que nos limite. A nossa ambição é termos melhores condições para intervir em defesa dos trabalhadores e do povo e estamos confiantes que o povo há de reconhecer essa necessidade de reforço da CDU”, frisou, recusando “fazer exercícios de bola de cristal”.

Em relação aos outros partidos, João Oliveira afirmou que tem visto as suas campanhas como uma “tentativa de defender posições que são manifestamente contraditórias com a ação política e com as opções e a atuação de cada um dos partidos, particularmente PS, PSD e CDS, que têm procurado dar algumas cambalhotas para justificar o injustificável face à sua atuação concreta”, acusou.

ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Palhaçada estamos a votar para a europa e andamos a lavar roupa suja nacional …. BE e PCP nao fazem falta no parlamento europeu ja temos extremistas a mais que querem o fim da europa ou que nada de revelante trazem pra o bem do país apenas lutam para destabilizar o bloco europeu …. E estamos a falar da europa, penso que existem pessoas que nao sabem o que isso representa e o valor que a mesma tem frente a uma China, EUA ou Russia…a europa nao vai bem isso todos sabemos mas nao queiram piorar as coisas com extremos sejam eles qual forem, sinto me europeu, defendo os valores da europa que sempre tem acolhido e defendido valores humanos independetemente da religiao, ou cultura ou crises economicas …agora penso que temos que ser calculistas e ter opiniao critica pois se os extremos estao a crescer a culpa tambem é por razoes externas e países que adoram manipular opiniao publica em seu favor …

  2. “…para que os socialistas levem à campanha nomes como Vítor Constâncio ou António José Seguro.”

    E o Sócrates, o Teixeira dos Santos, o Paulo Campos, o Mário Lino, o António Mendonça, o Manuel Pinho, …

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