John Mabanglo / EPA

Donald Trump
“Disse à União Europeia que tem de compensar o seu enorme défice com os Estados Unidos através da compra em grande escala do nosso petróleo e gás. Caso contrário, serão tarifas até ao fim!!!” publicou Trump no Truth Social, que é propriedade da sua empresa de comunicação social.
O aviso não é novo. O futuro presidente dos EUA tem utilizado a ameaça de tarifas como tática de negociação com países que considera estarem a tratar os Estados Unidos de forma injusta.
Em novembro, Trump ameaçou aplicar uma tarifa global de 25% a todos os produtos importados do Canadá e do México, a não ser que esses países reforcem o que ele considera ser uma aplicação pouco rigorosa das leis relativas às drogas e às fronteiras.
A medida protecionista já foi aplicada no anterior mandato do presidente contra a China, grande “inimigo económico” dos EUA. Atualmente, já promete também sanções económicas a este país.
Durante a campanha eleitoral, Trump disse que ia procurar aumentar a produção americana de combustíveis fósseis, apesar de os Estados Unidos produzirem mais petróleo do que qualquer outro país alguma vez o fez, como reporta o Today Energy.
Trump prometeu ainda flexibilizar a regulamentação sobre novas perfurações e fracking, e a sua mensagem de que a Europa deve comprar mais energia aos Estados Unidos é coerente com as suas promessas.
A Europa tem-se afastado do gás natural russo durante a atual guerra com a Ucrânia, proibido por lei pela UE, comprando gás aos Estados Unidos para compensar parte da diferença.
Os EUA já forneceram 47% das importações de GNL (Gás Natural Liquefeito) da União Europeia e 17% das suas importações de petróleo no primeiro trimestre de 2024, de acordo com dados do gabinete de estatísticas da UE, Eurostat.
As ações europeias caíram acentuadamente na sexta-feira e as ações norte-americanas caíram ligeiramente no pré-mercado. A ameaça tarifária de Trump acrescenta mais incerteza ao mercado, e o aumento das tarifas poderá reacender uma crise de inflação global, disseram os economistas da CNN.
De acordo com a Reuters, a Comissão Europeia já respondeu ao presidente americano: disse estar pronta para discutir com Trump a forma de reforçar o que descreveu como uma relação já forte, incluindo no sector da energia.
“A UE está empenhada em eliminar gradualmente as importações de energia da Rússia e diversificar as nossas fontes de abastecimento”, disse um porta-voz.
Prefiro pagar pelos combustíveis ao Trump do que ao genocida Putin.