EUA inauguram embaixada em Jerusalém. Pelo menos 55 mortos em protestos

Abir Sultan / EPA

A mudança da embaixada americana de Telavive para Jerusalém acontece esta segunda-feira. Donald Trump vai transmitir uma mensagem por vídeo.

A embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém, reconhecida unilateralmente pelo Presidente norte-americano como capital de Israel, é inaugurada esta segunda-feira, dia do 70º aniversário do Estado judaico. Donald Trump vai transmitir uma mensagem por vídeo.

Inicialmente, Trump tinha vontade de assistir à cerimónia, mas será representado pelo secretário de Estado adjunto, John Sullivan, a sua filha Ivanka e o marido, conselheiro da Casa Branca Jared Kushner. De acordo com um alto responsável norte-americano, o presidente dos EUA irá dirigir-se aos convidados através de uma mensagem de vídeo.

O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e a transferência da embaixada instalada até agora em Telavive foram anunciados por Donald Trump a 6 de dezembro, em consonância com a sua promessa eleitoral, mas em rutura com décadas de consenso internacional. Apesar da contestação da comunidade internacional e dos palestinianos, os Estados Unidos mantiveram a decisão.

A decisão de transferir a embaixada americana de Telavive revoltou os palestinianos, que veem Jerusalém Oriental como a capital de um futuro Estado. Já Israel considera a cidade como a sua capital “eterna e indivisível”.

Para os palestinianos, a mudança cimenta o status quo da ocupação, nota a Al Jazeera. Porém, esta transferência não mudará a “vontade dos palestinianos”, garantem os moradores de Jerusalém, que preparam manifestações em larga escala.

Trump fez ainda coincidir o evento com a comemoração dos 70 anos do nascimento do Estado de Israel, proclamado em 14 de maio de 1948, na sequência do fim do mandato britânico na Palestina.

São esperadas “cerca de 800 pessoas”, incluindo uma forte delegação do congresso norte-americano, na inauguração da embaixada, provisoriamente instalada no local onde estava o consultado norte-americano, enquanto é aguardada a construção de um novo edifício.

Uma cerimónia “bilateral” americano-israelita, referiu o alto responsável norte-americano, minimizando assim as informações de que vários diplomatas de outros países que não reconhecem Jerusalém como capital maculariam a inauguração. O apoio internacional é assim bastante reduzido.

Para já, uma pequena embaixada provisória começa a operar esta segunda-feira no prédio consulado dos EUA em Jerusalém. Quando o resto da embaixada se mudar de Telavive, o complexo será transferido para um espaço maior.

55 palestinianos mortos e mais de 2.400 feridos

Pelo menos 55 pessoas morreram e milhares ficaram feridas em confrontos na manhã desta segunda-feira entre palestinianos e soldados israelitas na Faixa de Gaza ao longo da fronteira com Israel, horas antes da transferência da embaixada dos EUA para Jerusalém.

O Ministério da Saúde palestiniano fala em 2.400 feridos e adianta que muitas das vítimas mortais não foram ainda identificadas.

De acordo com a CNN, 35.000 pessoas – descritas como “protestantes violentos” – estavam reunidas em 12 localizações diferentes ao longo da cerca que marca a fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel e outros milhares de palestinianos estavam concentrados a cerca de um quilómetro.

Segundo a agência espanhola EFE, as forças israelitas, que tinham alertado a população para não se aproximarem da linha divisória, dispararam gás lacrimogéneo contra os manifestantes para impedir que eles se aproximassem do portão de segurança.

O Exército israelita espera que dezenas de milhares de palestinianos participem nos protestos contra a transferência da embaixada dos Estados Unidos de Telavive para Jerusalém, cuja inauguração acontece esta segunda-feira às 16:00 – 14:00 em Portugal continental.

Em panfletos lançados por caças, o exército israelita avisa que “atuará contra qualquer tentativa de danificar a vedação de segurança ou atacar soldados ou civis israelitas”. O Hamas indicou esperar dezenas de milhares de manifestantes, também em protesto contra a mudança da embaixada norte-americana.

Na terça-feira, os palestinianos assinalam o Nakba (desastre, em árabe), que designa o êxodo palestiniano em 1948, quando pelo menos 711 mil árabes palestinianos, segundo dados da ONU, fugiram ou foram expulsos das suas casas, antes e após a fundação do Estado israelita.

Netanyahu insta todos os países a transferir embaixadas

“Insto todos os países a juntar-se aos Estados Unidos na transferência das suas embaixadas para Jerusalém”, disse o chefe do Governo israelita, numa cerimónia celebrada nesse ministério para comemorar a conquista diplomática que significa a mudança, esta segunda-feira, da delegação norte-americana.

Netanyahu incentivou os diplomatas presentes a seguir os passos da Casa Branca “porque é o correto e porque serve para avançar na paz” e agradeceu à ministra dos Negócios Estrangeiros da Guatemala, Sandra Erica Jovel, a decisão do seu país de transferir também a embaixada na próxima quarta-feira.

Revelou ainda que “há outros países” que estão a avaliar a possibilidade de fazerem o mesmo, mas recusou adiantar quais. Benjamin Netanyahu também agradeceu ao Presidente dos EUA, Donald Trump, por se ter atrevido a “confrontar o inimigo, Irão”.

Além disso, durante o seu discurso, Netanyahu também se referiu à vitória de Israel, este sábado, no Festival da Eurovisão, realizado em Lisboa. “Aqueles que não queriam que Israel esteja na Eurovisão vão ter uma Eurovisão em Jerusalém no próximo ano”, disse, numa alusão ao movimento pró-palestiniano que pediu o boicote à artista.

Trump não respeitou as promessas estabelecidas

O conselheiro do Presidente palestiniano Saeb Erekat disse, esta segunda-feira, que a Administração norte-americana é mentirosa e que Washington deixou de ser um parceiro devido à abertura da embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém.

Saeb Erekat disse à rádio Voz da Palestina que o “presidente Donald Trump não respeitou as promessas estabelecidas” no quadro das negociações de paz.

O conselheiro do Presidente palestiniano afirmou ainda que a Administração norte-americana é neste momento “parte do problema”, acrescentando que a equipa presidencial para os assuntos do Médio Oriente não tem qualificações. “O mundo precisa de líderes reais e os representantes da Casa Branca ‘são agentes imobiliários‘, não são líderes”.

Portugal entre os países que boicotam inauguração

Enquanto que os israelitas encaram este momento com um clima de festa, o mesmo não se pode dizer dos palestinianos, países árabes e muçulmanos, europeus céticos ou críticos em relação à abordagem de Donald Trump face ao processo de paz israelo-palestiniano e ao estatuto de Jerusalém.

É por isso que dezenas de países decidiram não se fazer representar na cerimónia alusiva à inauguração da embaixada dos Estados Unidos. É o caso de Portugal. “Portugal não se fará representar na inauguração da embaixada dos EUA em Jerusalém”, confirmou o DN junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros português.

A cerimónia do Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita para assinalar a inauguração da embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém decorreu este domingo à noite.

Israel dá luz verde a teleférico

O Governo israelita deu, este domingo, luz verde a um investimento 43 milhões de euros para o projeto de construção de um teleférico entre Jerusalém Ocidental e Cidade Velha, em Jerusalém Oriental, setor palestiniano ocupado por Israel. Os dois lados de Jerusalém serão, assim, unidos.

O anúncio foi feito pelo ministro israelita do Turismo, Yariv Levin, em vésperas da transferência da embaixada dos Estados Unidos de Telavive para Jerusalém.

O projeto de teleférico “vai mudar a face de Jerusalém, oferecendo aos turistas e visitantes um acesso confortável ao Muro das Lamentações”, na Cidade Velha, afirmou Levin.

O projeto prevê um teleférico com um percurso de 1,4 quilómetros, entre a parte ocidental de Jerusalém até ao Monte das Oliveiras, e depois até à entrada para a Cidade Velha, próximo do Muro das Lamentações, lugar sagrado de oração para os judeus.

ZAP // Lusa

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6 COMENTÁRIOS

  1. O fascistóide do Netanyahu já veio dizer que quer o próximo festival da Eurovisão em Jerusalém. Assim se percebe melhor a razão para uma música de merda ter ganho o festival. Politiquices…

  2. Reconhecer Jerusalém como capital de Israel é como reconhecer Lisboa como capital de Portugal.

    É um facto.

    Ponto final.

  3. Jerusalém sempre foi a capital de Israel desde que foi um Reino, cerca de XVII séculos antes de Cristo !!!

  4. Sr. Dinis, Absolutamente de acordo. Alias tanto Obama como Clinton afirmaram a mudança da Embaixada nas campanhas destes, mas tiveram que se baixar ao “politicamente correcto”. Lamentável Portugal e a sua atitude em relação ao evento.

  5. Na verdade, Coimbra é a capital oficial (de jure) de Portugal. Nunca foi assinado um documento a oficializar a mudança de capital para Lisboa. Pesquise.

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