Guerra comercial. Estados Unidos e China voltam à mesa das negociações

A China e os Estados Unidos retomam as negociações para um acordo que tem como objetivo pôr fim às disputas que ameaçam a economia mundial.

Esta terça-feira, Estados Unidos e China voltam às negociações para um acordo que ponha fim a disputas comerciais que duram há um ano, enquanto acusações mútuas sinalizam persistentes tensões entre Pequim e Washington.

Este é o primeiro frente-a-frente entre o representante do Comércio e o secretário do Tesouro dos EUA, Robert Lighthizer e Steven Mnuchin, respetivamente, com o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, desde que os presidentes Donald Trump e Xi Jinping acordaram um segundo período de tréguas, no mês passado.

Desde então, declarações dos ambos lados terão abalado as esperanças de um acordo para breve que ponha fim às disputas que ameaçam a economia mundial.

Na semana passada, Trump alertou que pode não haver acordo antes das próximas eleições presidenciais, marcadas para novembro de 2020. No fim de semana, o líder norte-americano atacou o estatuto da China como país em desenvolvimento na Organização Mundial do Comércio, afirmando que Pequim “aldraba o sistema às custas dos EUA”.

O ministério chinês dos Negócios Estrangeiros disse, entretanto, que as críticas de Trump “expuseram ainda mais a sua arrogância desonesta e egoísmo”. Citado pela imprensa norte-americana, Jake Parker, responsável em Pequim pelo Conselho Empresarial EUA-China considerou que as expectativas de um avanço nas negociações são “modestas”. “Esperamos que os dois lados adotem uma abordagem pragmática e realista”, afirmou.

Em Washington passou a haver um consenso para uma política mais confrontacional em relação a Pequim, que é agora oficialmente classificado como “rival estratégico”.

“Este é um jogo que testa quem é o mais forte e quem pode durar mais tempo – eu espero que sejamos nós”, disse na segunda-feira Chuck Schumer, senador democrata do estado de Nova Iorque. Schumer acrescentou que Trump não deveria “desistir de restringir a Huawei em troca de nada menos do que compromissos concretos sobre acesso ao mercado, usurpação de propriedade intelectual e transferência forçada de tecnologia”.

O primeiro período de tréguas colapsou após Trump ter subido as taxas alfandegárias sobre o equivalente a 200 mil milhões de dólares (178 mil milhões de euros) de bens importados da China, acusando Pequim de recuar em compromissos feitos anteriormente.

A escolha de Xangai, a “capital” económica da China, para nova ronda de negociações sinaliza a disposição do lado chinês para chegar a um acordo.

Há 12 anos, o ministro do Comércio da China, Bo Xilai, reuniu-se em Xangai com Peter Mandelson, então comissário do Comércio da União Europeia, para selar um acordo que restringia temporariamente o “aumento” das exportações chinesas de têxteis para a UE.

As empresas chinesas retomaram já a compra de soja, algodão, carne de porco e sorgo dos EUA. As compras diminuíram depois de as negociações terem colapsado, em maio passado.

Washington relaxou também as restrições sobre o grupo chinês das telecomunicações Huawei, colocado numa lista de entidades do Departamento de Comércio após as negociações falharem em maio, o que implica que as empresas norte-americanas tenham de solicitar licença para vender tecnologia à empresa.

No cerne das disputas está a política de Pequim para o setor tecnológico, que visa transformar as firmas estatais do país em importantes atores globais em setores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.

Os EUA consideraram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.

Lusa ZAP // Lusa

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