Escândalo do leite condensado. Bolsonaro insulta jornalistas e diz que Dilma comprou mais latas

Marcelo Camargo / Agência Brasil

O Governo de Jair Bolsonaro, no Brasil, enfrenta um novo escândalo depois de gastos de 1,8 mil milhões de reais (quase 152 milhões de euros) em produtos alimentares como leite condensado, pizza, refrigerantes e até chicletes.

O já chamado escândalo do leite condensado foi tornado público pelo jornal Metrópoles que divulgou que elementos do Governo federal gastaram um total de 1,8 mil milhões de reais (quase 152 milhões de euros) em produtos alimentares e em bebidas em 2020. Um valor que é 20% maior do que em 2019.

Entre as compras do Governo estão mais de 15 milhões de reais (mais de 2 mil euros) em leite condensado, dos quais quase 14 milhões (cerca de 2126 euros) foram para o Ministério da Defesa.

Foram ainda gastos 2,2 milhões de reais (cerca de 334 mil euros) em chicletes e 32,7 milhões (quase 5 milhões de euros) em pizza e refrigerantes.

Os dados foram apurados pelo Metrópoles junto do Painel de Compras do Ministério da Economia e não são contestados por Jair Bolsonaro que aproveitou a presença num almoço com cantores sertanejos, numa churrascaria, onde esteve ao lado do presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes e de vários ministros, para criticar os jornalistas.

“Quando vejo a imprensa me atacar, dizendo que comprei dois milhões e meio de latas de leite condensado, vai para a p*** que o pariu“, atirou o presidente do Brasil neste evento.

Imprensa de m**** essa daí. É para enfiar no rabo de vocês aí essa lata de leite condensado”, acrescentou ainda.

Bolsonaro ainda defendeu os gastos, salientando que essa compra de alimentos “não é para a presidência da República”, mas “para alimentar 370 mil homens do exército brasileiro” e também para “programas de alimentação via Ministério da Cidadania” e “via Ministério da Educação”.

“Essas acusações levianas não levam a lugar nenhum e se me acusam disso, é sinal de que não têm do que me acusar“, apontou também Bolsonaro.

“Me acusam de ter comprado milhões de chicletes e quem já esteve no Exército, já teve um catanho, e tem um chicletinho lá dentro. Isso não é mordomia, não é privilégio“, afiançou ainda.

Um catanho é um tipo de refeição rápida utilizada por militares para deslocações rápidas em missão.

Nesta intervenção, Bolsonaro também prometeu demonstrar tudo o que foi gasto. “Em 2014, a Dilma [Rousseff, ex-presidente do Brasil] comprou mais leite condensado do que eu”, disse ainda.

O filho de Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, também já veio defender os gastos do Governo, referindo-se especialmente ao leite condensado e notando que o produto “foi escolhido por ter virado de certa maneira uma marca do Presidente, presente até em seu café da manhã com John Bolton [ex-conselheiro de segurança nacional dos EUA], em sua residência no Rio, durante a transição em 2018″.

Eduardo Bolsonaro acrescenta que o leite condensado adquirido foi destinado, em 91%, para o Ministério da Defesa, salientando que é “indicado a quem faz muitas actividades físicas e serve de base para a elaboração de vários outros alimentos comuns à mesa dos brasileiros, como bolos”.

Além disso, o deputado sustenta que as Forças Armadas do Brasil têm um efectivo de 334 mil elementos que consumiriam mais de 6.500 latas de leite condensado por dia, o que considera “algo bem razoável” para militares.

Deputados pedem investigação para saber se houve corrupção

Entretanto, deputados parlamentares já formalizaram uma denúncia no Tribunal de Contas da União solicitando a abertura de uma investigação às compras do Governo.

“Em meio a uma grave crise económica e sanitária, o aumento de gastos é absolutamente preocupante, tanto pelo acréscimo de despesas como pelo carácter supérfluo de muitos dos géneros alimentícios mencionados”, alegam os deputados na queixa a que o Notícias UOL teve acesso.

O deputado federal Marcelo Freixo, do PSOL, também pediu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e pede acesso aos contratos públicos para saber quais são as empresas fornecedoras e como foram contratadas.

“Especialmente em um ano em que o Governo se omitiu quanto a diversos gastos necessários ao enfrentamento da pandemia de covid-19, é preciso investigar essas compras e essas prioridades do Governo, e se houve gasto desnecessário ou mesmo corrupção“, salienta Marcelo Freixo citado pelo Metrópoles.

 

Susana Valente, ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Imprensa marrom, 2 anos tentando achar algo para incriminar o presidente, a esquerda pira. 2 anos sem nenhuma corrupção. Bolsonaro eleito no primeiro turno em 2022. Trás a urna para votarmos nele novamente.

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