Docentes com mais de 60 anos podem deixar de dar aulas

Tiago Petinga / Lusa

O Ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues

Tiago Brandão Rodrigues colocou em cima da mesa a opção de docentes com mais de 60 anos poderem deixar de dar aulas e passar a desempenhar outras atividades nas escolas.

Na nota de apresentação do Orçamento do Estado para 2020, o Ministério da Educação admite que os professores com mais de 60 anos possam deixar de lecionar e passar a desempenhar outras funções nos estabelecimentos de ensino. Este cenário estará em discussão na especialidade, esta sexta-feira, no Parlamento.

No documento, a tutela fala em “explorar cenários que permitam aos professores após os 60 anos desempenhar outras atividades, garantindo o pleno aproveitamento das suas capacidades profissionais”. Segundo o Público, esta é a primeira vez que o Ministério da Educação admite a criação de um regime para professores mais velhos num documento oficial.

Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), concorda com a proposta, mas admite problemas na sua “exequibilidade”, uma vez que são mais de 20 mil os docentes com mais de 60 anos atualmente a dar aulas. Assim, “12 a 15% das turmas” ficariam sem professor caso a medida avançasse.

A nota do Governo antecipa ainda a “criação de incentivos à aposta na carreira docente em áreas do país e grupos de recrutamento onde a oferta de profissionais possa revelar-se escassa”, com o objetivo de fazer face à falta de professores nas regiões de Lisboa e do Algarve. Sobre esta problemática, o Governo anunciou medidas extraordinárias esta quarta-feira.

Em dezembro, o Governo garantiu estar “a analisar e a estudar, com detalhe e com profundidade, as necessidades de substituição de professores por via de aposentação, para identificar necessidades por grupo de recrutamento e por região a médio/longo prazo”.

De acordo com o matutino, garantiu ainda “está a ser construído um trabalho para ser feito com as instituições de ensino superior com responsabilidades na formação de professores, para mapear necessidades relativas à formação inicial de professores, avaliando os modelos existentes, procurando aumentar a atratividade da profissão docente e a adequação dessa mesma formação inicial”.

A tutela quer ainda elaborar um diagnóstico sobre o modelo de recrutamento e colocação de professores e sobre as necessidades de docentes de curto e médio prazo, de “5 a 10 anos”. O objetivo de Brandão Rodrigues é criar um “plano de recrutamento” de professores, que tenha em conta “as mudanças em curso na sociedade portuguesa” e que promova o rejuvenescimento da carreira.

Outra das novidades avançada pelo mesmo diário é a criação de um projeto-piloto de “educação a tempo inteiro” no 2.º ciclo do ensino básico. A “escola a tempo inteiro” foi criada em 2006, no 1.º ciclo, com a introdução das atividades extracurriculares e de enriquecimento curricular, que complementam o horário curricular dos alunos.

O Público adianta que o Ministério da Educação quer também avaliar o modelo em 2020.

Atualmente, 41% dos professores portugueses tem mais de 50 anos e menos de 1% tem menos de 30, de acordo com o relatório anual sobre educação da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE).

ZAP //

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13 COMENTÁRIOS

  1. coitados dos Professores em Portugal, é verdade, eu acho que devia ser aos 50, puxa será que é só os professores que o governo deveria pensar? mas como todos sabem a função publica para trabalhar ta quieto..

      • Podem passar a desempenhar outras actividades, podem ir para a secretaria, ou ficar como auxiliares educativos, sempre tirando o lugar a outros funcionários e sendo “despromovidos”, passando de cavalo a burro, será que vão aceitar isso?
        Áh, podem ir avaliar os professores no activo, aqueles que não querem avaliações, assim já não são despromovidos, passam a ser como árbitros no futebol, só não lhe chamarão santos…
        Mas, óh Tu!, será que pensas que todos os outros são “desatentos” ou burros, a inteligência só chegou para ti, foi isso?

  2. A inveja dos pequeninos portugueses, como sempre! Salazar “criou-os” bem: pobres, ranhosos e invejosos. Não conhecem minimamente como funciona o ensino, nem como é o trabalho dos professores, mas têm sempre opinião e, os miseráveis, ainda se atrevem a cacarejar o já gasto “…mas como todos sabem a função publica para trabalhar ta quieto…”! O triste que disse isso será um grande trabalhador? Será daqueles que “vai trabalhando… devagar… para ir garantindo um posto de trabalho, como manda o partido”! Se soubesse algo sobre professores, veria que têm de marcar o ponto de hora a hora (ou de hora e meia em hora e meia),senão têm falta a descontar no ordenado e nas férias (dupla penalidade pela mesma falta). Claro que os que aqui falam não sofrem isso. E os professores têm prazos obrigatórios a cumprir em outras tarefas para além de ensinar… E se não apresentam o trabalho feito, têm as hierarquias às costas. Por isso, trabalham muitas horas para além do seu horário, seja na escola seja em casa (muitas horas!). Os invejosos têm disso? Ainda bem que este governo quer atirar terra para os olhos dos tugas (professores incluídos) quando vem com estas propostas, a que o brasileiros chamariam e bem “conversa p’ra boi dormir”. É bom que o governo mantenha os professores até bem velhos no ensino, para que este seja ainda mais miserável do que já é! Os tugas, invejosos, não merecem melhor. Merecem sim que este governo (como os passados) se esteja a marimbar para eles, mantendo-os ignorantes, pois assim são mais fáceis de levar à certa e de serem (des)governados sempre pelos mesmos partidos que se agarraram como lapas a este mísero esterco chamado Portugal. Não é tão bom que, agora, o partido governante com o bom beneplácito dos ex-parceiros de geringonça, queira que todo o maralhal passe de ano lectivo, saibam ou não ler ou escrever ou fazer contas?! Que interessará isso para quem não vai ter grandes empregos, nem grande futuro! Basta-lhes ser proletários! Mas agora também estes não têm sorte, pois os partidos que antes os “defendiam?”, preferem agora outro tipo de novos “proletários”, a saber: cães, femininistas, imigrantes, “alegres” (homossexuais machos e fêmeas), Trans, LGBTIJKLM (e mais todos os caracteres chineses, que os latinos não chegam), vegans, touros, ideologia de género, populismos e outras loucuras (das muitas que aí brotam todos os dias dos mais iluminados cérebros!). Mas as “lapas” (partidos) do governo (ou não) irão esfregar as mãos de contentes, pois num abrir e fechar de olhos, de um dia para o outro, irão (milagre!) acabar com a ignorância, a burrice e o analfabetismo (até o funcional) neste país! E o lamaçal chamado Portugal passará de um dia para o outro para o topo das contagens internacionais no que toca a resultados de conhecimento: 100% de sucesso nas nossas escolas! Mas o sucesso não tem nada a ver com conhecimento. A ignorância endémica jamais deixará este aterro. E isso é bom! É bom para os tugas-invejosos e seus mal-educados e mal-formados rebentos, imagens de seus dignos pais, que transformaram as escolas de hoje em antros de muitos pequenos marginais sem qualquer espécie de respeito por regras, por professores, funcionários (já alastrou à saúde…) e em autênticas fábricas de futuros marginais (com o beneplácito de todos os partidos e nomeadamente daqueles ex-geringonceiros). É tão bom ver esta gentinha toda a “chafurdar no lamaçal” com as suas opiniões avalizadas… (os seus bons conhecimentos do que se passa na educação, ensino e outras… são verdadeiros mimos…).

  3. a noticia dá que pensar!!!
    Primeiro fala-se em proteger a classe médica e os professores devido às agreções. O resto da população é paisagem. Quem protege os passageiros no metro / comboio que são muitas vezes assaltados, quem protege os policias que muitas vezes são agregedidos, etc… até quem protege os presos que são agredidos e violados dentro das cadeias…

    Agora fala-se em os professores deixarem de dar aulas após os 60 anos. E depois fazem o que? serviços administrativos, limpezes!!! era o que faltava… não à 600€ para pagar a um auxiliar e ia-se dar alguns milhares a um professor para desempenhar as mesmas funções!!! só neste pais…
    E o resto das profissões? um policia com 60 anos na rua faz o que? nem correr pode!!!
    E por exemplo os trabalhadores com 60 e + anos na construção que já deviam estar reformados mas ainda têm te trabalhar porque os médicos recusam a sua reforma!!!

    hája paciencia… só neste pais

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