Direita não larga Tancos e Pedrógão. Esquerda já só pensa no OE2018

Manuel de Almeida / Lusa

O primeiro-ministro, António Costa

O primeiro-ministro, António Costa

O debate sobre o Estado da Nação aconteceu, esta quarta-feira, no Parlamento, com a tragédia em Pedrógão Grande, o roubo de armamento nos Paióis Nacionais de Tancos e as demissões no Governo como pano de fundo.

O primeiro-ministro, António Costa, respondeu “cara a cara” ao pedido de demissão dos ministros da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, e da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, feito pela líder do CDS, Assunção Cristas.

Obviamente que não demito nenhum ministro, obviamente que não demito a ministra da Administração Interna, obviamente que não demito o ministro da Defesa Nacional. Deixe-me dizer-lhe uma outra coisa ainda mais fácil: tudo aquilo que qualquer uma das minhas ministras ou dos meus ministros fizer, será sempre responsabilidade minha”, afirmou.

A presidente do CDS-PP acusou ainda o primeiro-ministro de liderar um Governo de “austeridade dissimulada” e pautado por uma “sucessão de casos” com ministros e secretários de Estado, numa referência ao caso GalpGate.

Sobre Tancos e as viagens ao Euro 2016, a presidente do CDS disse que o chefe do executivo faz “montagem de narrativas” e “vive convencido do seu poder para colocar pontos finais” mas prometeu, por cada “ponto final” trazido pelo PM, trazer “reticências e pontos de interrogação”, e “muita exclamação e muita indignação”.

Sobre a tragédia em Pedrogão Grande, Cristas apontou a “falha gravíssima do Estado na proteção dos cidadãos”, considerando que “a confiança quebrou-se e era necessário repará-la de imediato” mas, em vez disso, assistiu-se à “total descoordenação”.

“Caiu a máscara do fim da austeridade”

Pelo lado do PSD, Passos Coelho acusou o Governo de “calculismo e populismo latente” e o Estado de “falhar clamorosamente” nos recentes acontecimentos, defendendo que o país precisa de “muito mais”.

Na sua intervenção, que já está a dar que falar pela inspiração num post no Facebook de Poiares Maduro, Passos afirmou ainda que “caiu a máscara do fim da austeridade”, atribuindo os resultados económicos conseguidos a um ‘plano B’, que passou por cortes em várias áreas.

“A meio da legislatura o país descobriu que a economia pode até estar a andar melhor, mas que a responsabilidade política está a fracassar em grande estilo“, acusou.

“Mas agora que ficaram expostas as fragilidades, as contradições, as simulações, o calculismo e o populismo latente, agora começa a sentir-se que precisamos coletivamente de mais qualquer coisa. O país precisa, pelo menos, de liderança e de objetivos mobilizadores e efetivos”, afirmou. “Precisamos, enquanto país, de muito mais”, defendeu.

“Fiasco” das “premonições” e cartazes no ecoponto

Carlos César também falou, num discurso em que recuperou as posições assumidas há um ano no mesmo debate, quer por Passos Coelho, quer por Assunção Cristas.

No debate sobre o estado da Nação de 2016, segundo Carlos César, Passos deixou o seguinte diagnóstico sobre o país: “O investimento está a cair a pique, o emprego ou estagnava ou destrói-se, o crescimento tem menos vigor do que antes, há riscos orçamentais e o país está a andar para trás”.

O balanço é, felizmente, o fiasco dessas premonições do deputado Passos Coelho. Ao invés, o investimento subiu, o emprego aumentou, o crescimento é uma constante na economia e o valor do défice é saudado por todas as instituições europeias”, contrapôs.

Já Assunção Cristas, de acordo com Carlos César, “a candidata a líder da oposição, trouxe o que chamou uns auxílios em forma de cartaz(es)”. O líder parlamentar socialista referiu que nesses cartazes a presidente do CDS “acenou com a diminuição do emprego”, uma “hecatombe do investimento”, o “colapso do investimento público”, “a escassez do investimento estrangeiro” e ainda cartazes sobre redução das exportações, queda de confiança dos consumidores e aumento de impostos”. “Um, dois, três, quarto, cinco, seis, sete cartazes – sete cartazes do CDS para o ecoponto“.

PCP pede coragem ao Governo, BE exige garantias

Jerónimo de Sousa defendeu que é preciso cumprir o que está nos orçamentos do Estado, aconselhou o Governo a “romper com as políticas” dos últimos anos e assumir “com coragem uma política alternativa“.

“O que está feito não é suficiente, e não é só uma questão de ritmo. É preciso ir mais longe e romper com a política que durante décadas vigorou no país e assumir, com coragem, uma política alternativa”, disse o líder do PCP.

Além de dizer que o último ano e meio “é a prova” de que havia alternativa às “políticas de direita” do Governo anterior, Jerónimo pediu a Costa que governe para resolver “os problemas do país” e não para “mostrar serviço” em Bruxelas.

Por sua vez, Catarina Martins exigiu ao primeiro-ministro que dê respostas ao “défice escondido do atraso estrutural do país”, apontando as reformas antecipadas, o aumento do salário mínimo e as leis laborais como prioridades.

Numa altura em que “o estado da Nação é ainda o estado de choque”, a bloquista defendeu que ao Governo cabe “responder pelos erros” e “reconstruir o que foi destruído” e ao Parlamento aprovar soluções “corajosas” para a reforma da floresta.

Catarina Martins questionou Costa sobre “o défice escondido, o atraso estrutural do país”, em que dois milhões e 600 mil pessoas estão abaixo do limiar da pobreza, há crianças sem acesso a creche e territórios abandonados. Para a deputada, o acordo assinado com o Governo há um ano “foi um passo positivo” para dar resposta “ao défice escondido”, mas o próximo ano “não será fácil”, advertiu.

A deputada do PEV, Heloísa Apolónia, considerou que o país está “definitivamente melhor” mas que não é ainda suficiente, sugerindo medidas medidas para o próximo Orçamento do Estado como um reescalonamento no IRS, mais investimento público e ainda o descongelamento das carreiras na administração pública.

ZAP // Lusa

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8 COMENTÁRIOS

  1. A coligação de interesses (exploradores/corruptos/parasitas), agarra-se a qualquer coisa que “flutue”, não é esquisita.

  2. e os jornalistas.. profissionais que infelizmente sobrevivem aos jogos de interesses especialmente do seu sindicato, comandado por agentes do marxismo ao serviço dos seus valores ( $$$$$$$$$) e ao mesmo tempo dos seus medos……..( o saneamento dos jornalistas do diario de noticias em bloco feitas por saramago e o bando politico que regressou ao governo passados 40 anos ainda esta bem na memoria desta geraçao medrosa e rendida aos “encantos ” da filosofia marxista. “se me fores fiel seras promovido, so pensam na “voz do seu dono”.
    os politicos sao meros joguetes nas maos desta escumalha que invade as nossas casas com noticias e meias verdades…e lavagens cerebrais .muito triste. tao triste que no seculo XXI ainda continuam a falar de esquerda e direita como se o muro de berlim nao tivesse caido e como se as ditaduras ainda existentes e as mais horrendas e maleficas nao fossem comunistas( coreia do norte, cuba, birmania, venezuela, uruguai, bolivia)

    • A filosofia marxista é uma treta e é a melhor desculpa que alguém se lembrou para criar estados obesos onde há muito para roubar. A ideia é, vamos criar um estado social e paguem todos muitos impostos para os coitadinhos que precisam. Podiam era dizer-nos logo que os coitadinhos que muito precisam são os arrebanhados do partido que precisam de tachos para viver.

      Como dizia a outra: O socialismo termina quando termina o dinheiro dos outros.

      • quase toda a gente sabe isso.. mas o 25 de abril ao inves de acabar com o analfabetismo, veio fomentar o clientelismo e falta de caracter e de valores… ficaram a ganhar os mercenarios marxistas que tudo devoram como diz e bem desde que nao seja deles….
        infelizmente a geringonça representa o anafabetismo politico levado ao colo pelos jornalistas mercenarios.
        saudades do jornal novo e do independente.

  3. Quanto a mim está já tudo resolvido, dos fogos os mortos já foram enterrados e de Tancos afinal aquilo era material barato e inofensivo que já deve estar à venda nos bazares dos chineses para que os papás deste país possam na próxima época natalícia presentear os seus filhos com uma arma de brincar aos cowboys e se os partidos do centro/direita insistem na conversa, já viram bem que a menina Catarina e o tio Jerónimo já vieram a terreiro dizer que a culpa é deles! «não é que não haja alguma ponta de razão» mas até eles próprios têm a sua quota parte mas se insistem ainda estes vão culpar o Salazar!.

  4. Há quanto tempo estes senhores estão no poder?
    Desde finais de 2015, estes senhores só conseguiram reverter a venda da TAP? Assumam as responsabilidades que lhes cabem e deixem de atirar culpas para terceiros.
    O deficit diminui, mas a dívida aumenta… Vamos cantando e rindo e vamos ver onde iremos parar ou talvez cair…

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