Direção de Rio vai negociar listas de deputados antes da posse do novo líder. Rangel não põe “carro à frente dos bois”

Hugo Delgado / Lusa

Rui Rio com Paulo Rangel

A Comissão Política Nacional do PSD reuniu-se esta segunda-feira para aprovar o cronograma da elaboração das listas de candidatos a deputados para as eleições legislativas antecipadas. Paulo Rangel considera que se anda a “pôr o carro à frente dos bois”.

Ao que o semanário Expresso apurou, o cronograma em questão prevê que as concelhias do partido indiquem as suas escolhas de candidatos a deputados até 25 de novembro, ou seja, dois dias antes das eleições internas que escolherão o novo líder do PSD e candidato a primeiro-ministro.

Depois das diretas, o processo interno de elaboração das listas continua sob a alçada da Comissão Política Nacional em funções, uma vez que os novos órgãos dirigentes só irão tomar posse no Congresso de 17, 18 e 19 de dezembro.

Como tal, explicou o jornal, no dia 30 de novembro será a vez de as distritais indicarem os nomes pretendidos, podendo haver negociações com a Comissão Política Nacional até ao dia 6 de dezembro. Um dia depois, prevê-se que as listas sejam aprovadas em Conselho Nacional.

Ainda de acordo com o Expresso, o mesmo cronograma aprovado esta segunda-feira prevê que a submissão das listas esteja finalizada até dia 15, dois dias antes do Congresso do partido.

“Não vamos pôr o carro à frente dos bois”

Questionado pelos jornalistas sobre este cronograma da atual direção do PSD, o candidato à liderança Paulo Rangel disse não querer colocar “o carro à frente dos bois” e que “há tempo” depois das eleições internas para se fazer as “operações necessárias para as legislativas”.

“Depois do dia 27 de novembro há, pelo menos, 23 dias para preparar as listas. Há tempo para pensar. Cada coisa em seu tempo. Não vamos pôr o carro à frente dos bois“, afirmou o social-democrata à chegada a uma sessão com militantes, em Viana do Castelo.

Rangel disse ainda que “agora é tempo de clarificação interna” e que “quem está preocupado” com as listas de candidatos a deputados “é que já está a estabelecer cronogramas antes do tempo”.

“Essas pessoas é que devem ter alguma preocupação. Porque quem não tem preocupação sabe perfeitamente que embora seja um calendário exigente, é um calendário perfeitamente cumprível“, garantiu.

Ainda questionado sobre a decisão do atual líder do PSD de não fazer campanha para as eleições internas do partido disse que “cada um escolhe o seu caminho”.

“Acho que é obrigação dos candidatos, em respeito pelos militantes, apresentarem-se democraticamente. Não terem medo, não terem receio de se apresentarem democraticamente aos militantes. Estou a ir a todas as capitais de distrito e às duas regiões autónomas falar, humildemente, com os militantes para apresentar as minhas ideias, designadamente, como podemos ser uma oposição credível e, agora, uma alternativa forte para ganhar as eleições de 30 de janeiro de 2022″, disse.

Sobre a possibilidade de ser formalizada uma terceira candidatura à liderança do partido e de Nuno Miguel Henriques estar disponível para fazer debates com Paulo Rangel, respondeu: “Os debates a existirem, têm de existir entre todos os candidatos”.

“Infelizmente houve um candidato que não quer fazer debates. Que se furtou aos debates. Não quer falar com os militantes (…) Também se aprende muito quando se fala com os militantes do PSD e não se está encerrado numa torre de marfim”, atirou.

Sobre as críticas de que diz ser alvo por parte de Rui Rio, assegurou que a sua “campanha é pela positiva”, sem “ataques pessoais, nem respostas, nem recados”.

“Uns dizem que não fazem campanha e depois estão sempre a dirigir pequenos ataques, ou grandes ataques aos seus adversários. Outros estão a fazer campanha e não dirigem nenhum ataque. Apenas fazem propostas construtivas. Os militantes julgarão quem está a fazer mais pelo PSD”, acrescentou.

O candidato à liderança do PSD adiantou que até dia 27 vai estar “concentrado” em “mostrar aos militantes” que tem “condições para ser o melhor candidato a primeiro-ministro” e que tem “uma alternativa para Portugal, pilotada e apresentada pelo PSD”.

Para Rangel, “o objetivo do PSD, passadas as eleições internas, é ganhar as legislativas e ser Governo, preferencialmente, com maioria absoluta e, se isso não for possível, com uma maioria estável em coligação”.

O social-democrata escusou-se a fazer cenários de acordos pós-eleitorais e a comentar as posições que Rui Rio tem vindo a assumir sobre a matéria, dizendo que recusará “um bloco central”.

“Não estamos aqui para fazer cenários. Não somos analistas políticos, estamos aqui para fazer uma proposta aos portugueses de uma alternativa à governação do PS”, avançou.

  ZAP // Lusa

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