Afinal, os deuses da Antiguidade eram às cores (e já as podemos ver)

Nos nossos livros da escola e em museus de todo o mundo, as obras de arte da antiga Grécia e Roma não têm cores: são simples, puro e branco mármore.

Mas será este apenas um mito? Em declarações ao jornal New Yorker, Mark Abbe, professor de arte antiga da Universidade da Geórgia, disse que a brancura na escultura clássica é “uma mentira que todos mantemos”.

A noção de que romanos e gregos antigos odiavam cores vivas, segundo ele, “é o equívoco mais comum sobre a estética ocidental na história da arte ocidental”. De facto, nos anos 1980, o arqueólogo Vinzenz Brinkmann notou pequenas manchas de cor nas antigas esculturas gregas.

O mito da brancura cimentou-se na era neoclássica da arte visual – por volta de 1760 a 1830 – quando a arte e a cultura antigas experimentaram um reavivamento. Nesta altura, a forma de mármore branco foi ressuscitada. Evitando a cor, os escultores renascentistas podiam mostrar melhor as suas habilidades técnicas.

Agora, a exposição “Gods In Color”, que começou em Munique e depois percorreu todo o mundo, visa quebrar esta mentalidade. “Gods In Color” esteve na Alemanha, Espanha, Turquia, México e Estados Unidos, com mais de dois milhões de visitantes em todo o mundo.

Graças a novos métodos de investigação, os estudiosos conseguiram fornecer um senso cada vez mais preciso das cores de tinta que costumavam ser usadas na arte em mármore antiga.

As peças da exposição em “Gods In Color” são recriações de gesso das esculturas gregas e romanas, pintadas com uma aproximação aos seus tons originais. O estudo de pequenos flocos de pigmento restante nas obras de arte determinou a paleta.

Para criar reproduções, as esculturas são primeiro observadas a olho nu, depois sob o escrutínio de lâmpadas ultravioletas. A luz deve vir de um ângulo baixo, quase paralelo à superfície. Esse truque, de acordo com o All That’s Interesting, traz ao de cima detalhes impossíveis de ver ou analisar.

Os pigmentos coloridos usados nos tempos antigos não envelheciam da mesma maneira. Ocre desaparece rapidamente, enquanto pigmentos como vermelho e azul derivados de minerais podem sobreviver durante muitos séculos.

A luz ultravioleta dá a primeira indicação de cor e padrão que pode ser invisível a olho nu. Os traços de pigmento são identificados com base em como desapareceram e no que sabemos até agora sobre como os corantes reagem à erosão. O resultado é uma justaposição de realidades: o que assumimos que uma vez foi e o que a ciência nos diz que é verdade.

A aplicação das técnicas é um processo demorado, principalmente se faltarem peças integrais que requeiram reconstrução. Os artistas devem consultar obras de arte e textos históricos para criar uma representação realista desses acessórios. O processo é repetido em várias áreas das estátuas. As reconstruções aplicam apenas cores que puderam ser claramente identificadas durante as investigações. Algumas secções das obras permanecem brancas.

Algumas pessoas ainda debatem o conceito da policromia na escultura antiga. Os curadores da exposição admitem mesmo que esses visuais podem chocar os nossos sentidos. Porém, a ideia de que as estátuas gregas e romanas da antiguidade eram muito mais coloridas do que pensávamos é mais um passo para alcançar a precisão histórica.

ZAP //

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