Desconfinar, testar e vacinar. As sugestões dos partidos após a reunião do Infarmed

António Cotrim / Lusa

Ontem ocorreu a 16.ª reunião do Infarmed. O tema central foi a evolução da situação epidemiológica da covid-19 em Portugal, que voltou a juntar hoje peritos, titulares de órgãos de soberania, forças políticas e parceiros sociais. Os partidos políticos reagiram às conclusões apresentadas na reunião.

O secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, considerou que o confinamento geral obrigatório está a ter resultados e, por isso, deve continuar para que “não se deite por terra” todo o esforço feito até agora.

“Os números que hoje foram conhecidos na reunião do Infarmed são muito animadores, pela primeira vez desde o início da pandemia que temos o número de contágios, denominado Rt, mais baixo de sempre, situando-se nos 0,66, o que demonstra que o esforço que está a ser feito pelos portugueses tem tido resultados”, afirmou o socialista numa declaração aos jornalistas, na sede do PS do Porto.

Igualmente positivos são os números dos recursos aos cuidados hospitalares e intensivos, contudo os valores têm de baixar ainda mais, frisou.

“Em meados de março poderemos reavaliar e começarmos, então aí, a perspetivar as condições em que poderá ocorrer o desconfinamento”, sublinhou.

Já sobre o processo de vacinação, José Luís Carneiro disse que se Portugal conseguir garantir a imunização de 70% da população até final de agosto estará a cumprir um “ambicioso objetivo”.

Por sua vez o PAN pediu ao Governo que planeie o desconfinamento de forma “eficaz e eficiente”, advogando que essa é uma condição para Portugal sair “de forma bem sucedida” da crise sanitária derivada da covid-19.

Inês Sousa Real, defendeu que “só com um planeamento eficaz e eficiente” será possível sair de forma bem sucedida da crise sanitária e “retomar alguma normalidade naquelas que são as atividades sociais e económicas”.

Destacando que “o sacrifício que foi pedido aos portugueses de facto teve o seu efeito, foi baixar não só o ‘R’ como também evidentemente as cadeias de contágio”, a deputada sustentou que o plano de desconfinamento deve ter em conta “diferenças regionais”.

Na opinião do PAN, o “pequeno comércio e pequenas empresas” poderão “abrir primeiro ao público”, uma vez que “têm sido setores muito fustigados pelo encerramento”.

A deputada advogou também que, para o sucesso do desconfinamento, “é fundamental” o reforço dos transportes públicos e “que se continue a apostar no teletrabalho”.

O Bloco de Esquerda acusou o Governo de não corresponder ao enorme esforço da população para conter a pandemia e de “poupar orçamentalmente à custa da crise”, defendendo a massificação dos testes e o reforço das equipas de saúde pública.

“Há um esforço que a população está a fazer e que está a dar resultado. No entanto, este enorme esforço que todas e todos fazemos enquanto população não está a ser correspondido por parte do Governo e isso deve ser de sublinhar”, criticou o deputado Moisés Ferreira.

“É inconcebível que perante esta situação o Governo tenha tido em 2020, ano de plena pandemia, a menor execução orçamental dos últimos anos. O que se exige é que o Governo utilize todo o orçamento e todos os instrumentos para ajudar no combate à pandemia”, defendeu.

Outro dos aspetos defendidos pelos bloquistas foi a necessidade de uma estratégia mais eficaz de testagem e de rastreamento de contactos, recorrendo ao número de testes para apontar o dedo ao que está a ser feito.

Do lado do PCP, o dirigente comunista Jorge Pires defendeu a vacinação anti-covid-19 de todos os portugueses “o mais rápido possível”, exigindo a diversificação da sua compra e o aumento de testagem e rastreio com vista ao desconfinamento no verão.

“Ficou mais uma vez claro que uma das formas mais eficazes de combater a epidemia é realizar o mais rápido possível o processo de vacinação de todos os portugueses, procurando garantir a imunidade de grupo até ao verão”, afirmou.

Segundo o membro da comissão política do Comité Central do PCP, o “calendário” da vacinação “não está garantido” e, por isso, insistiu “na necessidade de diversificar a aquisição de vacinas já aprovadas”.

“É fundamental propor um plano de desconfinamento que garanta o regresso gradual à atividade normal no plano económico, social, cultural e desportivo”, acrescentou ainda.

A deputada de “Os Verdes” Mariana Silva defendeu que “é tempo de olhar para o desconfinamento geral”.

A parlamentar ecologista ressalvou “há um longo caminho a percorrer-se” e que o alívio das restrições sanitárias tem de ser feito “de forma controlada para não dar passos atrás”.

Mariana Silva declarou que há que “olhar para o transporte público, aumentar a sua possibilidade e criar condições de segurança, nas escolas, nas habitações, nos centros de saúde e cuidados primários”.

O PSD apelou ao Governo para que faça “rapidamente” um planeamento para o período pós-confinamento e lamentou que os peritos não tenham apresentado “critérios” para essa fase na reunião do Infarmed.

“Fazemos um apelo para que este planeamento do pós-confinamento seja um planeamento feito rapidamente, de modo a que os portugueses saibam com tempo o que se vai passar nas suas vidas”, afirmou o deputado e dirigente do PSD Maló de Abreu.

O deputado do PSD defendeu que têm de existir critérios “muito claros” e lamentou que estes não tenham sido apresentados.

Maló de Abreu saudou que, tal como se esperava, o confinamento tenha levado a uma redução significativa do número de casos, mas salientou “não se conseguem identificar 84%” das cadeiras de contágio.

Quanto à vacinação, o dirigente social-democrata considerou que o processo “está a decorrer melhor”, embora com escassez de vacinas no primeiro trimestre. “Esperemos que se possa vacinar 80% da população portuguesa por volta do fim do verão”, disse.

O deputado do PSD manifestou ainda preocupação quanto ao processo de testagem.

A Iniciativa Liberal criticou o Governo pela ausência de preparação do desconfinamento e de um plano para abrir as escolas, condenando que tenha havido menos testes à covid-19 apesar da estratégia ser reforçar o rastreamento. João Cotrim Figueiredo, considerou que esta “não foi uma boa reunião”.

Na perspetiva do liberal, um dos aspetos mais graves tem a ver com as escolas já que, no decreto do estado de emergência em vigor, o Presidente da República “exige uma preparação atempada do regresso ao ensino presencial” e nada foi “dito nesta reunião que facilite a preparação desse plano”.

Na perspetiva de João Cotrim Figueiredo continua a faltar “sentido de urgência por parte deste Governo e não se está a preparar o desconfinamento” nem se está a mudar a estratégia.

André Ventura, o deputado único do Chega, lamentou que Portugal tenha passado de uma situação pandémica de “milagre”, que disse ter sido apontado pelos socialistas, para ser agora um “péssimo caso” em termos de números da covid-19.

“Portugal vai ficar confinado, pelo menos, até final de março e, provavelmente, em abril, vai haver um desconfinamento muito faseado e gradual. Ambiente político que se viu foi o que vamos manter tudo como está”, criticou Ventura, apelando a mais apoios às empresas e negócios em risco.

Por fim, o CDS-PP pediu ao Governo que indique quais as “linhas vermelhas” definidas para o desconfinamento poder arrancar, e defendeu que “está na hora” de “planear detalhadamente” a reabertura, que deve começar pelas escolas.

“Isso condiciona bastante a abertura e o desconfinamento que desejamos, mas aquilo que não ficámos a saber nada é sobre quais são as linhas vermelhas para o desconfinamento que tinham sido anunciadas na última reunião que era essencial definir do ponto de vista técnico. Isso não foi trazido aqui com a clareza desejada”, frisou Cecília Anacoreta Correia.

Na opinião do CDS-PP, “essa preparação deve começar pelo setor da educação, pelo menos dos alunos até aos 12 anos, e seria desejável que isso acontecesse a partir do próximo decreto do estado de emergência”.

O CDS-PP reiterou que “se devem envolver as Forças Armadas” e advogou que devem ser incluídos nesta tarefa também os setores social e privado.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ouve, esta terça-feira, a IL, Chega, PEV, PAN, CDS-PP e PCP sobre a renovação do estado de emergência, em audiências por videoconferência, a partir das 14h30.

Ana Isabel Moura Ana Isabel Moura, ZAP // Lusa

 

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