Desconfinamento: A satisfação de uns, continua a ser a angústia de outros

Patrícia de Melo Moreira / AFP

Há vários meses que muitas áreas de atividade económica desejavam o anúncio de um desconfinamento generalizado. Numa altura altura em que a taxa de vacinação está a aumentar progressivamente, o Governo fez-lhes a vontade, mas há quem ainda não esteja satisfeito.

Na conferência de imprensa que sucedeu ao Conselho de Ministro, esta quinta-feira, António Costa anunciou novas medidas para o país desconfinar de forma gradual e semelhante.

Uma das medidas mais esperadas entra em vigor já no próximo domingo, dia 1 de agosto, e passa pelo alargamento dos horários dos restaurantes (em todo o país) até às 02h00. Ainda assim, mantêm-se a obrigatoriedade de apresentação do certificado digital ou teste negativo para ter acesso ao interior dos espaços a partir das 19h00 de sexta-feira e ao longo de todo o fim-de-semana.

Esta decisão agradou o setor da restauração, representada pela APOHRT – Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo, que realça que a medida traz alguma “estabilidade ” ao setor, pois desta vez o Governo “teve o cuidado” de apresentar medidas para pelo mês um mês (ou seja, até setembro, altura em que a situação pandémica deverá voltar a ser revista e onde o Executivo decidirá se o país avança para a fase 2 do desconfinamento).

Por outro lado, António Condé Pinto, dirigente da APOHRT, destaca, em declarações ao Expresso, a decisão de “deixar de ter regras diferentes em cada concelho é um sinal de tranquilidade importante para as pessoas que viviam confundidas com todas as variáveis que foram sendo criadas”.

Ainda assim, o dirigente associativo sublinha que prefere ver tudo publicado em “Diário da República” para celebrar as novas regras. “Fomo-nos habituando a ter surpresas inesperadas ao longo do tempo quando tudo fica preto no branco. É a velha questão das vírgulas que nos preocupa”, afirma.

Por sua vez, a secretária-geral da Ahresp, Ana Jacinto espera que o Governo possa fazer uma maior divulgação das regras do uso de certificados digitais, que serão exigíveis no momento do registo de entrada em hotéis e também na entrada de restaurantes.

“Estas regras dos certificados foram adotadas sem preparação e isso deu muita confusão. Já dissemos isso ao Governo. Por outro lado, para os consumidores deve ser feita uma campanha quer de informação quer de sensibilização, porque muitos dos conflitos que ainda se registam dizem respeito ao facto de os consumidores desconhecerem as regras”, aponta a mesma representante em declarações o Público.

“Equilíbrio entre saúde pública e economia”

Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da APED, mostra-se satisfeito com o anúncio do fim das restrições nos horários do retalho a partir de 1 de agosto.

Ao Expresso, destaca: “saudamos como uma vitória o facto de o Governo finalmente estar a pensar num equilíbrio entre saúde pública e economia”.

“Satisfação” é a palavra escolhido para sintetizar o espírito do setor da distribuição depois de fechar o primeiro semestre com quebras na ordem dos 30% nas vendas no retalho especializado.

Apesar disso, os setor queixa-se que ainda falta clarificar como fica a questão do rácio de pessoas por loja (5 por 100m2) outra frente de luta do sector, para evitar filas e desmobilização de consumidores.

A APED também saúda o fim da proibição da venda de álcool no retalho a partir das 21, apesar de continuar a haver limitações à venda de álcool na via pública.

“Enorme frustração”

Um dos setores mais afetados pela pandemia são os bares e as discotecas, que desde março de 2020 que não abrem portas.

As dificuldades ao longo dos últimos meses têm sido muitas, e apesar das expectativas não serem muito grandes para a abertura ainda no mês de agosto, Miguel Camões, da Associação de Bares e Discotecas da Movida do Porto, refere que “isto passa o pior dos cenários imagináveis”.

O responsável destaca que ouvir o primeiro-ministro, António Costa, anunciar que a abertura dos bares e discotecas só vai ser possível em outubro, na terceira etapa do plano de desconfinamento aprovado esta quinta-feira em Conselho de Ministros, “foi a pior das surpresas” e “uma enorme frustração”, referiu Miguel Camões ao Expresso.

O representante frisa que a situação criada “discrimina todo o setor“, e mostra “grande preocupação com as consequências do fim dos apoios”.

“É que as moratórias das rendas acabaram a 30 de junho, temos em cima de nós o bolo de dívidas que fomos acumulando ao longo destes meses todos e o programa Apoiar-Pt ficou suspenso com a reabertura da restauração”, conclui.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro explicou que a gestão da pandemia passa a ser feita “em função da taxa de vacinação” e que foram decididas pelo Governo três fases de levantamento gradual das medidas de combate à pandemia, cujas regras serão aplicáveis em todo o território continental.

Assim, ficou definido que o desconfinamento terá início em agosto, mas só deverá ter fim em outubro.

Ana Isabel Moura, ZAP //

 

 

 

 

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