PS, PSD e PCP votaram contra. Deputados únicos fora da conferência de líderes

António Cotrim / Lusa

João Cotrim de Figueiredo, Iniciativa Liberal

Os deputados únicos não vão ter o estatuto de observador na conferência de líderes, mas serão ouvidos pelo presidente do Parlamento “quando o entenda útil” e têm direito a cinco declarações políticas por ano parlamentar.

Este foi o resultado das votações indiciárias, esta terça-feira, no grupo de trabalho sobre o regimento da Assembleia da República, na véspera de apresentar o seu trabalho na comissão parlamentar dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, na quarta-feira de manhã.

Esta comissão decide, depois, se confirma ou não as votações do grupo de trabalho, antes de enviar as alterações ao regimento para votação em plenário. PS e PSD têm uma maioria confortável para as fazer aprovar.

Na reunião, que durou quase duas horas, os dois maiores partidos, com a ajuda do PCP, votaram lado a lado para, por exemplo, chumbar a proposta do Chega de os deputados únicos representantes de partidos (DURP) terem os mesmos direitos dos grupos parlamentares, que têm de ter o mínimo de dois deputados.

Os deputados do CDS, do Chega e do PAN não estiveram na reunião do grupo de trabalho.

O Bloco de Esquerda, através de José Manuel Pureza, ainda tentou ultrapassar o impasse propondo que fosse dado aos três deputados únicos (Iniciativa Liberal, Livre e Chega) o mesmo estatuto na conferência de líderes que foi dado ao PAN na anterior legislatura (2015-2019).

Ou seja, o estatuto de observador e com direito a intervir quando se tratasse de matérias em que tenha de “exercer os seus direitos”, na expressão do regimento, que é o caso do agendamento de iniciativas legislativas para plenário.

João Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, usou o argumento da “dignidade” de os deputados terem o direito a ter assento na conferência de líderes e aceitou, logo ali, a sugestão de Pureza.

Tanto António Filipe (PCP) como Pedro Rodrigues (PSD) consideraram que deve haver “uma diferenciação” entre grupo parlamentar e os deputados únicos.

E Joacine Katar Moreira, do Livre, assinalou a “resistência enorme” em alterar o que está em vigor, por parte dos partidos, e recordou que os novos deputados são “cidadãos escolhidos por milhares de cidadãos” nas eleições.

Na hora da votação, a proposta do Chega, para dar plenos direitos aos deputados únicos, a exemplo do que acontece com os grupos parlamentares, foi chumbada pelos votos do PS, PSD e PCP e registou os votos contra do IL e Livre e a abstenção do Bloco.

“Não há nenhum partido que esteja livre de ter apenas um deputado, e não deixará de ser um partido com presença na Assembleia. Portanto, o que devíamos ter era o mesmo direito, fazer declarações políticas, tal como todos os outros partidos”, afirmou André Ventura, citado pela TSF.

É um escândalo, é uma vergonha, e mostra que os partidos do sistema não estão a conseguir reagir ao facto de ter novas vozes na Assembleia”, defendeu ainda.

Apesar de as suas expectativas terem saído goradas desta reunião, os deputados únicos ganham o direito a fazer cinco declarações políticas por ano (antes eram três) e a falar um minuto e meio em cada debate quinzenal.

A polémica em torno dos tempos e direitos dos deputados únicos arrasta-se desde o início da sessão legislativa, em 24 de outubro.

Depois de uma primeira posição, de os grupos parlamentares recusarem o direito a fazer perguntas ao primeiro-ministro no debate quinzenal, entretanto corrigida, o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, defendeu uma revisão do regimento urgente na parte dos direitos dos DURP.

ZAP // Lusa

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6 COMENTÁRIOS

  1. que democracia….

    portanto para além do funcionalismo público já dividir os portugueses em 1ª e 2ª agora a AR reforça a ideia, quem votou nestes partidos é português de 2ª o seu voto pelos vistos vale menos que os dos outros.

    e depois vêm se queixar que as pessoas não votam, pois não, para quê contribuir para esta palhaçada?

  2. esquerda e direita tudo cartas do mesmo baralho que so servem para enganar panhonhas

    se as eleicoes mudassem realmente algo de fundo ja tinham sido proibidas

  3. A ditadura do poder, no seu melhor. Só o povo português é solidário, os políticos é só venha a nós o nosso reino. Nunca votei em branco, nunca votei nos partidos com representação na assembleia da república, sempre votei com uma cruz em todo o boletim de voto (nulo), agora que o meu voto elegeu um deputado é isto?…..

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