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Os antigos compadres zangaram-se de vez. Trump puxa os cordelinhos nos bastidores para correr com McConnell

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A relação de altos e baixos entre os dois azedou de vez depois de McConnell ter reconhecido a vitória de Joe Biden. Trump quer agora que um Republicano concorra contra McConnell pelo cargo da liderança do partido dentro do Senado.

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Depois de ter sido um dos principais promotores da agenda política de Donald Trump, Mitch McConnell já não está nas boas graças do ex-Presidente norte-americano. Segundo avança o Wall Street Journal, Donald Trump tem conversado com Senadores e aliados sobre uma tentativa de destronar Mitch McConnell da liderança Republicana do Senado.

No entanto, os Senadores não estão interessados em trair o actual líder da minoria Republicana na câmara superior do Congresso dos EUA. As discussões podem acentuar as divisões entre Trump, que continua a ser a figura Republicana mais influente, e McConnell, actualmente o membro do partido eleito a ocupar o cargo mais alto.

A relação entre Trump e McConnell tem visto muitos altos e baixos. Apesar de terem existido algumas alfinetadas durante o mandato do lado de Trump, o então líder da maioria Republicana do Senado foi um dos seus maiores aliados.

McConnell foi a chave que permitiu a Trump nomear três juízes para o Supremo e assim alargar a maioria conservadora, principalmente nas escolhas de Brett Kavanaugh e de Amy Coney Barrett.

Donald Trump também apontou um enorme número de juízes para os tribunais federais porque McConnell tinha impedido Obama de fazer as escolhas e deixou as vagas prontas a serem preenchidas pelo seu sucessor.

Poucos dias depois da nomeação de Kavanaugh e antes das eleições intercalares em 2018 – onde o lugar de McConnell no Senado estava em risco – Trump fez um comício no Kentucky, estado que McConnell representa, e teceu-lhe elogios. “Eu conheço pessoas duras. Ele é duro, é duro à moda do Kentucky“, afirmou.

Mas a lua-de-mel durou pouco e o ambiente entre os dois azedou de vez depois da derrota de Trump nas eleições presidenciais do ano passado. As acusações de fraude eleitoral mostraram ao ex-Presidente quem estava disposto a arriscar tudo pela lealdade e pelos votos – já que Trump continua a ser uma figura popular entre os eleitores conservadores – e quem não virou as costas às convenções políticas para o apoiar.

Além de Mike Pence, o número dois de Trump na Casa Branca, McConnell também não apoiou as pretensões do então Presidente de não confirmar a vitória de Joe Biden. Num discurso ao Senado, Mitch McConnell disse que esperava “um resultado diferente”, mas deu os parabéns ao candidato Democrata por ter vencido a eleição.

Depois da invasão de apoiantes de Trump ao Capitólio a 6 de Janeiro, McConnell também disse que o ex-Presidente era “practicamente e moralmente” responsável pela insurreição.

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“Eles fizeram isto porque ouviram mentiras malucas da boca do homem mais poderoso na Terra porque ele estava zangado por ter perdido uma eleição”, acusou. Contudo, McConnell votou contra no julgamento para a destituição de Donald Trump.

Os dois também discordaram a nível político este ano. McConnell juntou-se a outros 18 Senadores Republicanos e votou a favor da lei das infraestructuras, que Trump estava a tentar sabotar nos bastidores. O ex-chefe de Estado chegou a dizer que a aprovação da lei faz “os Republicanos parecer fracos, tolos e burros“.

“A lei das infraestructuras do Joe Biden é uma desgraça. Se o Mitch McConnell fosse inteligente, do que até agora ainda não vimos provas, ele teria usado a carta do limite da dívida para negociar um bom pacote para as infraestructuras”, criticou Trump.

Divisão no partido pode fazer estragos nas intercalares

A zanga entre as duas figuras pode fazer estragos nas eleições intercalares marcadas para o próximo ano. Os Republicanos tinham esperança de aproveitar as quedas na popularidade de Biden com a retirada das tropas do Afeganistão para criar energia à volta da campanha.

Recorde-se que os Republicanos perderam o Senado nas últimas presidenciais e actualmente não controlam nenhum órgão legislativo. Apesar de haver 50 Senadores para cada lado, os Democratas conseguiram recuperar o órgão porque a vice-presidente Kamala Harris também preside ao Senado e desempata as votações.

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Numa entrevista recente, Trump recusou discutir se estava a recrutar candidatos que concorressem contra McConnell, mas deixou escapar que o queria ver fora da liderança do partido dentro do Senado, um cargo que tem há quase 15 anos. “Acho que ele é muito mau para o partido Republicano”, disse Trump.

McConnell não comentou as declarações do ex-Presidente. Vários Senadores já mostraram que apoiam o actual líder, como Tommy Tuberville. “Não me vou meter nessa luta“, afirmou Tuberville, que era um dos maiores aliados de Trump.

Os Senadores Republicanos escolhem a sua liderança a cada dois anos. McConnell está já no seu oitavo mandato à frente do partido, que só acaba em Janeiro de 2023. O Senador do Kentucky tem garantido a reeleição visto que tem aliados em vários comités que financiam as campanhas de colegas no partido, ao contrário de Trump, que não tem ajudado nas campanhas de outros Republicanos.

O Senador John Kennedy também acha improvável que Trump consiga correr com McConnell, comparando as probabilidades às de um burro aprender a voar. “Não vejo isso a acontecer realisticamente”, rematou.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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