David Cameron: “Sei que algumas pessoas nunca me vão perdoar”

The Prime Minister's Office / Flickr

Ex-primeiro-ministro britânico, David Cameron

David Cameron não está arrependido da decisão de realizar o referendo que abriu portas ao Brexit em 2016, mas está profundamente preocupado com o futuro do Reino Unido.

David Cameron, antigo primeiro-ministro britânico, quebrou o silêncio numa recente entrevista concedida ao Times. O antigo governante revelou que o resultado do referendo que abriu portas ao Brexit, em 2016, o deixou deprimido, apontando o dedo a Michael Gove e Boris Johnson pela forma como fizeram campanha pela saída da União Europeia.

Cameron é contra um Brexit sem acordo, e põe em cima da mesa a hipótese de um segundo referendo que, segundo o ex-primeiro-ministro, pode ser necessário para que o Reino Unido quebre o impasse a que chegou.

Sei que algumas pessoas nunca me vão perdoar por ter organizado um referendo. Outras por tê-lo organizado e perdido. Há ainda, claro, pessoas que queriam um referendo e que queriam sair que estão contentes que a promessa feita tenha sido mantida”, disse Cameron durante a entrevista, reconhecendo que não se arrepende da decisão, mas pensa na derrota sofrida “todos os dias”, preocupado pelas suas consequências.

Segundo o Expresso, Cameron está a menos de uma semana de lançar o seu livro For the Record (“Para que fique Registado”). Na obra, é particularmente duro com o ex-amigo Michael Gove, a quem chama “mentiroso”, incluindo nas críticas Boris Johnson. Os dois comportaram-se de “forma terrível”.

O atual Reino Unido preocupa-o, nomeadamente a crise entre conservadores e pela possibilidade de uma saída da União Europeia sem acordo. “Acho que podemos chegar a uma situação em que saímos, mas seremos amigos, vizinhos e parceiros. Podemos chegar lá, mas adoraria poder avançar para esse momento rapidamente, porque estamos perante uma lembrança dolorosa para o país, algo que é doloroso assistir.”

“Organizar um referendo não foi uma decisão que tomei de ânimo leve”, confessou, ao recordar que sofreu uma grande pressão política.

O referendo realizado no Reino Unido terminou com uma votação de 52% a favor da saída da União Europeia, contra os 48% que se manifestaram pela posição contrária. O resultado levou o ex-primeiro-ministro a demitir-se.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Os ingleses estão fraturados .
    Com tantas divisões os desentendimentos vão-se acumulando . Perante o exterior a má imagem revela-se e as negociações não se concluem.
    Se a saída for sem acordo vão pagar bem caro a sua teimosia.

  2. Este “artista” fez o referendo porque queria manter/credibilizar o seu “tacho” e nunca pensou que o Brexit iria ganhar!…
    Como ganhou, ele fez como os outros cobardes pro-Brexit – passou a barata quente e deu de frosques! .

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