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Depois do terramoto das legislativas, vem aí um Conselho Nacional difícil para o CDS

José Sena Goulão / EPA

Assunção Cristas

O CDS reúne esta noite o Conselho Nacional. Segundo o Público, Assunção Cristas deverá renunciar a lugar de deputada na Assembleia da República.

O CDS deverá marcar esta quinta-feira o próximo congresso para janeiro de 2020. Assunção Cristas vai sair de cena e, segundo avança o Público, também deverá renunciar ao lugar de deputada no Parlamento. Neste Conselho Nacional, alguns conselheiros nacionais vão pedir responsabilidades pela estratégia adotada pela direção, numa reunião que se prevê tensa.

Abel Matos Santos, porta-voz da Tendência Esperança em Movimento, é um dos mais críticos. Assumindo ser candidato à liderança, Matos Santos aponta o dedo a toda a direção, e não apenas à líder.

“Alguns não subiram ao palco com ela na noite das eleições e andaram publicamente a falar dos erros, como se não estivessem lá estado. Os responsáveis não são apenas a líder mas são também a direção nacional, o porta-voz [João Almeida] e a secretaria-geral”, disse, em declarações ao matutino.

O conselheiro nacional desafiou também João Almeida, Filipe Lobo d’Ávila e Francisco Rodrigues dos Santos – que estão em reflexão sobre se avançam para a liderança – a assumirem a sua posição e a “contribuírem para uma solução” no partido.

Foram muitos os que fugiram ao trono nas últimas semanas. Sobre a futura liderança, alguns dirigentes defendem que é exigível que o sucessor de Cristas seja deputado, o que canaliza os apoios para João Almeida, já que nem Francisco Rodrigues dos Santos, nem Lobo d’Ávila estão no Parlamento. Ainda assim, a tese não é consensual.

O vice-presidente da JP, Francisco Mota, lembra que Paulo Portas e Manuel Monteiro não saíram do grupo parlamentar para a liderança. Telmo Correia, presidente do conselho nacional, também sublinha que a condição de deputado não é obrigatória.

O deputado Telmo Correia deixou um apelo ao partido para evitar “discussões de acertos de contas” e João Gonçalves Pereira, vereador em Lisboa, apelou também à tranquilidade.

“É importante o conselho nacional fazer a sua ponderação e que o possa fazer de forma livre e aberta, mas deve ser um conselho nacional construtivo. Deve ser uma avaliação com perspetiva de futuro”, afirmou, citado pelo Público.

“CDS está no triângulo das Bermudas”

José Ribeiro e Castro, o antigo presidente do CDS, lamenta a “situação débil” do partido, que “foi colocado numa circunstância estratégica muito desafiante e difícil”, a que chama de “triângulo das Bermudas” – composto pela Iniciativa Liberal, do Chega e do PSD.

Em entrevista à Rádio Observador, criticou as medidas aplicadas pelo Governo PSD/CDS e a “estupidez das direções” do partido sublinhando que o CDS tem agora de se “reafirmar num contexto de grandes tensões”.

“Creio que há duas fases, uma fase Portas e uma Cristas e creio que esta crise começa ainda na liderança do Dr. Paulo Portas, no Governo PSD/CDS. Não tanto por causa da austeridade, mas estamos a pagar o preço de não termos sido suficientemente solidários com as medidas que aplicámos.”

Ainda assim, o ex-líder elogia a capacidade de ambos partidos de cumprirem “exemplarmente” o memorando negociado com o PS depois de terem recebido o país numa “situação absolutamente terrível: com um programa de resgate duríssimo e que era indispensável cumprir para salvar o país”.

Conseguem dar a volta à situação, conseguem por o país a recuperar e passado 4 anos, ao fim da segunda legislatura, há muita gente que acha que o mau da fita foi o PSD e o CDS e não o Partido Socialista, que colocou o país nesse lugar”, acrescentou.

  ZAP //

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