Mãe das crianças de Caxias detida por suspeita de homicídio

(dr) João Miguel Rodrigues / CM

A Polícia Judiciária deteve esta manhã a mãe das duas crianças que morreram na noite de segunda-feira, em Caxias, por suspeitas de homicídio das filhas.

“A Polícia Judiciária, em cumprimento de mandado de detenção emitido pelo Ministério Público, procedeu à detenção de uma mulher por fortes indícios da prática de dois crimes de homicídio“, informou a Polícia Judiciária, em comunicado enviado à imprensa.

As duas crianças estavam sinalizadas pela Comissão de Menores, depois de a mãe ter apresentado queixas contra o pai por abuso sexual e violência doméstica. No entanto, não foram alvo de qualquer medida de protecção.

A bebé de 19 meses que morreu e a irmã de quatro anos, que continua desaparecida, terão entrado na água, na praia de Caxias, em Oeiras, pela mão da mãe, que terá tentado suicidar-se com elas.

Segundo a Renascença, a mulher será ouvida ainda esta quarta-feira, num primeiro interrogatório, e eventualmente sujeita a medidas de coação.

De acordo com uma testemunha ocular, citada pela RR, a mulher saiu da água, em estado de pânico e em avançado estado de hipotermia, a afirmar que as suas duas filhas estavam dentro de água.

A mulher de 37 anos – que estaria em depressão profunda, conforme revelaram familiares à CMTV – continua hospitalizada.

O Ministério Público já abriu um inquérito ao caso, que decorre no Departamento de Investigação e Acção Penal de Oeiras.

Processo de protecção das crianças não saiu do papel

Ainda de acordo com a Renascença, fonte da Procuradoria-Geral da República confirmou que a mãe apresentou queixa na PSP em Novembro do ano passado contra o companheiro, o pai das duas crianças, por “crimes de violência doméstica e de abuso sexual de crianças”.

“No âmbito deste inquérito, foi proposta à denunciante a tele-assistência, tendo sido elaborado um plano de segurança. De acordo com a informação constante do processo, vítima e arguido estavam separados e não partilhavam a residência”, frisa ainda a PGR.

Fátima Duarte, da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, referiu à Lusa que a situação estava sinalizada e que foi remetida “com carácter urgentíssimo” para o MP.

Esse processo está ainda em curso, sem que tenham, até ao momento, sido confirmados quaisquer abusos.

A 2 de Dezembro, o MP terá aberto um processo “para proteger as crianças”, refere o CM, sem que tenham sido tomadas quaisquer medidas concretas.

Mãe das crianças sentia-se abandonada pelas autoridades

Familiares da mulher contaram à CMTV que ela fez queixas na PSP, na GNR, na Segurança Social e na APAV (Associação de Protecção de Apoio à Vítima) e que tinha “medo” do companheiro, com quem viveu em união de facto nos últimos cinco anos.

De acordo com as mesmas fontes, o pai das crianças terá feito ameaças de morte à mulher, às próprias filhas e a familiares.

O quadro de violência doméstica arrastar-se-ia há vários anos, mas a mulher só terá decidido sair de casa quando descobriu os alegados abusos cometidos pelo pai contra a filha de quatro anos.

Ela terá ido primeiro para a casa dos pais na Amadora e depois para a casa de uma tia, em Vila Franca de Xira, regressando por fim para a casa dos progenitores, apurou o JN.

O companheiro reportou o seu desaparecimento às autoridades na sexta-feira, mas os familiares alegam à CMTV que ela terá mantido contactos com eles, ao longo do fim-de-semana, e que foi só depois do meio-dia de segunda-feira que lhe perderam o rasto, após ela ter desligado o telemóvel.

Há cerca de 15 dias, o pai das menores terá dado entrada com um pedido de regulação paternal, no sentido de obter a guarda das filhas, factor que, de acordo com os familiares, contribuiu para agravar o quadro de depressão e de desespero da mulher.

Sentia-se abandonada pelas autoridades, segundo referem os familiares à CMTV, por não ter obtido qualquer resposta ou apoio depois da queixa apresentada em Novembro.

O advogado do pai das crianças, Rui Maurício, nega ao Diário de Notícias as acusações que lhe foram feitas pela ex-companheira e garante que não foi ouvido pelas autoridades.

Entretanto, recomeçaram nesta quarta-feira as buscas pela menina de quatro anos, que continua desaparecida.

ZAP

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6 COMENTÁRIOS

  1. Sr/a jornalista SV/ZAP, francamente… ” O quadro de violência doméstica arrastaria-se há vários anos…” ? Não será ” O quadro de violência doméstica arrastar-se-ia há vários anos…?!!!”

  2. É sempre assim, quem vai sofrer as represálias é a pobre da mãe que na sua insanidade mental devido ao estado de depressão em que se encontrava praticou o acto que para ela, era o fim do sofrimento em que vivia e ao mesmo tempo protegia as filhas,a de 4 anos que segundo ela era violada pelo pai e provávelmente a de 19 meses iria certamente acontecer o mesmo sem a proteção que deveriam ter tido pelas autoridades e assistentes sociais por quem já estavam sinalizadas (mas essas só sabem mexer os cordelinhos quando é para retirar os filhos ás mães) todas essas pessoas é que deviam ser responsáveis pelo que aconteceu ás crianças pois á mãe já lhe chegam os remorços pela vida fora é uma vitima e o malandro se a menina não aparecer rápidamente não sei até quando será possivel provar a sua culpa.
    Ele alem de ser um cobarde ao exercer violência doméstica e provocar a depressão na moça ainda é um porco violador,ele sim deveria ser condenado.

  3. Que “qualidade” de comentários para aqui vai!…
    Pobre mãe?!
    Uma assassina que mata as duas filhas agora é “pobre mãe”?
    Até agora, a única coisa certa é que a mãe matou as filhas – o resto é conversa para palermas!…

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