Covid-19. Itália quer mais restrições no Natal, Reino Unido pode começar a vacinar em dezembro

Angelo Carconi / EPA

Em Itália, o pesadelo da primeira vaga está de volta. Este sábado, o país voltou a ser aquele com maior número de óbitos por covid-19. O Governo italiano pretende impor mais restrições no Natal.

Apesar da ligeira melhoria na curva de contágio, esta semana a Itália registou um alto número de mortos – uma média de 700 pessoas por dia. Para evitar o crescimento da pandemia, o Governo estabeleceu que as restrições vão durar pelo menos até o Natal.

De acordo com os dados da Universidade Johns Hopkins dos Estados Unidos, Itália ocupa, juntamente com o Reino Unido, o terceiro lugar mundial em letalidade por coronavírus.

Em Itália, a cada cem pessoas infetadas, quase quatro morrem (3,7%).  A classificação é liderada pelo México, que regista quase dez mortos (9,8%) a cada cem contagiados e do Irão com cinco mortos (5,3%) a cada cem casos positivos.

O governo italiano estabeleceu três tipos de zonas de confinamento no país, conforme 21 critérios Comité Técnico Científico do Ministério da Saúde. Os critérios são baseados em número de mortos, cuidados intensivos, quantidades de zaragatoas efetuadas e positividade.

O Decreto do Presidente do Conselho de Ministros (DCPM) foi atualizado e estabeleceu que das vinte regiões italianas, sete estão na zona vermelha com restrições mais rígidas por causa de alto risco de contágio (Lombardia, Piemonte, Vale de Aosta, Calábria, Campânia, Toscana e Abruzos).

Oito regiões estão na zona laranja com nível médio de transmissão (Ligúria, Emília-Romanha, Friuli-Veneza Júlia, Marcas, Basilicata, Úmbria, Apúlia, Sicília. Na zona amarela estão cinco regiões com baixo nível de contaminação do vírus (Vêneto, Trentino-Alto Ádige, Lácio, Molise e Sardenha).

O primeiro ministro Giuseppe Conte advertiu que o Natal será contido, sem grandes festas, beijos e abraços.

“Uma semana de sociabilidade desenfreada significaria pagar caro em janeiro com alta na curva de contágios, de mortes, stress nos cuidados intensivos. Seria uma loucura. Temos que nos preparar para um Natal mais sóbrio, ainda esperamos que a economia possa crescer, que possamos comprar e trocar presentes. Mas beijos, abraços, comemorações, festões são impensáveis, independentemente da curva epidemiológica”, disse Conte.

Em janeiro, Itália vai iniciar uma “campanha de vacinação sem precedentes”, começando pelas camadas da população mais expostas à covid-19, anunciou este sábado o ministro da saúde, Roberto Speranza.

A campanha “terá lugar no final de janeiro, altura em que esperamos ter as primeiras doses destinadas às categorias mais expostas”, informou Roberto Speranza no congresso dos farmacêuticos italianos, acrescentando que “esta campanha de vacinação sem precedentes irá requerer uma mobilização extraordinária de todos”.

A Itália foi primeiro país europeu a ser duramente atingido pela primeira onda do coronavírus. Registou até agora pelo menos 1,34 milhões de casos, dos quais mais de 48.000 foram fatais. A península está atualmente dividida em diferentes áreas e todo o país deve aderir a um toque de recolher ativo entre as 22h e as 5h.

Reino Unido pode começar a vacinar em dezembro

Boris Johnson não tenciona prolongar o confinamento nacional além das quatro semanas, confirmou este sábado o governo inglês. Dia 2 de dezembro, a Inglaterra regressará às restrições locais para limitar a propagação da segunda vaga.

Este plano voltará a aplicar os três níveis já existentes antes do confinamento, mas várias zonas serão colocadas no patamar acima para manter a propagação sob controlo e preservar o que foi conseguido com o confinamento.

Este plano voltará a aplicar os três níveis já existentes antes do confinamento, mas várias zonas serão colocadas no patamar acima para manter a propagação sob controlo e preservar o que foi conseguido com o confinamento.

O serviço nacional de saúde do Reino Unido (NHS) pode começar a vacinar já em dezembro, se os reguladores aprovarem uma das vacinas a tempo. Matt Hancock, secretário de estado da Saúde do país, afirmou que a vacina pode começar a ser distribuída antes do Natal.

“Pedi ao NHS para se preparar para uma distribuição rápida à medida que a vacina vai sendo produzida. Se o regulador aprovar a vacina, vamos estar prontos para começar a vacinar no próximo mês”, afirmou Hancock.

O Reino Unido encomendou 40 milhões de doses da vacina da Pfizer e espera 10 milhões de doses até o final do ano.

A decisão chega após terem sido declaradas fortes restrições em 11 zonas da Escócia e do anúncio de novo confinamento na Irlanda do Norte, que terá a duração de duas semanas, até 11 de dezembro.

No Reino Unido, onde foram registadas mais mortes na Europa (54.625), cada província irá decidir a respetiva estratégia para responder a esta crise sanitária.

ZAP // Lusa

 

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1 COMENTÁRIO

  1. Cada vez as pessoas se acreditam menos em todos estes dados em torno do Covid sabendo inclusive que todas as outras doenças deixaram de receber assistência médica. Morre hoje em dia muito mais gente e não é de Covid mas sim de todas as outras doenças que deixaram de receber assistência médica.

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