Costa e Silva não tem a certeza de que o seu plano saia da gaveta. “Poderá ditar o fim de uma geração”

José Sena Goulão / Lusa

O gestor e conselheiro do Governo António Costa e Silva alerta, em entrevista à Antena 1 esta sexta-feira divulgada, que a não implementação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), “poderá ditar o fim de uma geração.

O gestor da petrolífera Partex, que foi convidado pelo primeiro-ministro, António Costa, para esboçar um plano de retoma económica para o país no pós-pandemia, disse aos microfones da Antena 1 que não tem a certeza de que o documento saia da gaveta, alertando mesmo que o seu “falhanço poderá ditar o fim de uma geração”.

“O país já teve muitos programas que foram parar à gaveta. As coisas estão extremamente difíceis e não tenho certeza absolutamente nenhuma“, disse o autor do PPR, admitindo alguns cenários que poderão levar ao seu fracasso, como a “falta de abrangência política” ou a “entrada numa espécie de deriva”.

Costa e Silva disse ainda que pode ter sido mal interpretado quando falou do Estado.

“Vimos de um ciclo que os mercados autorregulados eram a solução de tudo, hoje não é assim. Esses mercados não trabalham necessariamente para o bem público e sou uma pessoa das empresas e os mercados são vitais, são máquinas de criação de inovação, de prosperidade, geram riqueza, mas tem de haver uma combinação rigorosa entre os mercados e o Estado“, disse em declarações na mesma entrevista, citadas pelo Eco.

No entender de Costa e Silva, e quando o país está mergulhado numa crise sanitária como a de covid-19, não é o mercado que salva o país, mas o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Não podemos desmantelar ou privatizar alguns dos serviços públicos, temos de ter muita atenção a isso e combinar com o setor privado. Esta articulação virtuosa é fulcral para o futuro”, conclui António Costa e Silva.

Documento entregue em Bruxelas

O Governo entregou esta quinta-feira em Bruxelas o PPR, no qual estima que a economia portuguesa precise de cerca de uma década para recuperar da pandemia.

Segundo o primeiro esboço do documento entregue esta quinta-feira à Comissão Europeia pelo Governo, o PRR vai permitir “que em 2030 a economia portuguesa tenha recuperado inteiramente do choque provocado pela pandemia, atingindo um PIB idêntico ao que alcançaria num cenário de inexistência desse choque”.

Além disto, o Governo já admite o recurso a empréstimos ao abrigo do Mecanismo Europeu de Recuperação e Resiliência, no valor de 4,3 mil milhões de euros, para habitação pública acessível, apoio às empresas e material circulante ferroviário.

“O Governo Português tomou a decisão de maximizar a utilização de fundos europeus a título de subvenção e de minimizar a utilização de empréstimos que possam dar origem ao aumento da dívida pública”, lê-se, mas, ainda assim, o executivo elenca três investimentos que merecem uma avaliação criteriosa da sua elegibilidade, e em que condições, para a componente de empréstimos do Mecanismo Europeu de Recuperação e Resiliência”.

ZAP //

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6 COMENTÁRIOS

  1. Compartilho da mesma incerteza do Prof. Costa e Silva mas com opinião simétrica. Portugal é o exemplo de um país onde o investimento da Administração do Estado não só não produz desenvolvimento como gera exactamente o inverso, mais endividamento e mais pobreza. Basta olhar para o nosso percurso desde 25/04 até aos dias de hoje.

  2. Espero que acabe com esta geração de corruptos, principalmente estes das energias que não fazem mais nada que deixar este país anémico estorquindo ao máximo todos os cidadãos com apoio dos governos. Petróleo, gás, eletricidade, tudo negócios cartelizados em Portugal, que nos tornam a todos menos competitivos. Cada cêntimo que gastamos a mais nestas áreas é um que vai a menos para o resto da economia, que também é obrigada a contribuir para eles.

  3. Se o plano for mesmo bom de facto é mais que provável que esteja condenado à partida, neste país teima-se sistematicamente em não avançar, correr ao lado dos outros parece tarefa impossível!

  4. Recuperacao do que????
    Quem apoia os jovens, novos projetos para estes nao emigrarem… aposto que vao apoiar velhada, nada de novo, dinheiro para bolsos dos de sempre… pais na banca rota outra vez…e o que se espera…

    Foi que me dizeram sempre, emigre, emigre se poder ate que me cansei e emigrei… vejo de fora o pais mas com muita pena… porque portugueses sao muito lutadores, no pais so se ve guerrinha por poder… por constrolar sistema… resto nao esta contente ou nao esta conosco… emigre… ‘e isso mesmo… goste ou nao destas palavras ‘e verdade do pais… um belo pais, mas precisa chouque… mudanca de lideranca, mudanca de mentalidade para politicas de apoio a populacao….os paises nao crescem sem o apoio do seu povo. Os portugueses sao muito bons, mesmo bons nisso…os politicos e as politicas estragam tudo…

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