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Costa sem dúvidas sobre a primeira prova de fogo Centeno para chegar a governador: “Vai confirmar o que todos foram sabendo”

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O ex-ministro das Finanças Mário Centeno é esta quarta-feira ouvido no parlamento a propósito da sua designação pelo Governo para governador do Banco de Portugal, sucedendo a Carlos Costa, que está em funções há 10 anos.

A audição de Centeno, que arranca pelas 09:00 (hora de Lisboa) na comissão de orçamento e finanças, é obrigatória antes de ser nomeado governador do banco central.

A audição no Parlamento, importa frisar, não tem caráter vinculativo.

O primeiro-ministro, António Costa, considerou esta terça-feira que o seu ex-ministro das Finanças Mário Centeno “tem todos os créditos” para ser um excelente governador do Banco de Portugal (BdP) e defendeu que os portugueses conhecem o seu percurso.

Esta posição foi transmitida por António Costa numa conferencia de imprensa conjunta com o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conti, em São Bento, depois de interrogado sobre a sua expectativa em relação à audição do seu ex-ministro das Finanças.

“Tenho a certeza de que a audição do professor Mário Centeno confirmará o que todos os portugueses foram sabendo sobre ele ao longo destes cinco anos enquanto ministro das Finanças”, declarou António Costa.

O primeiro-ministro afirmou depois que Mário Centeno é “um grande economista e um grande profissional que foi um excelente ministro das Finanças”. “Portanto, tem todos os créditos para poder ser um excelente governador do Banco de Portugal”, acrescentou.

Nomeação gerou polémica

A escolha de Centeno para o cargo foi polémica, pelo facto de este responsável passar quase diretamente do Ministério das Finanças (onde foi ministro até junho) para o BdP e, em 9 de junho, ter sido mesmo aprovado no parlamento, na generalidade, um projeto do PAN que estabelecia um período de nojo de cinco anos entre o exercício de funções governativas na área das Finanças e o desempenho do cargo de governador.

Contudo, em 17 de junho a esquerda parlamentar (PCP e BE, sendo já sabido que PS era contra) demarcou-se da intenção do PAN de estabelecer esse período de nojo e, em 25 de junho, o parlamento suspendeu por quatro semanas a apreciação na especialidade do projeto do PAN até chegar o parecer pedido ao Banco Central Europeu (BCE).

No mesmo dia, o primeiro-ministro, António costa, escreveu ao presidente da Assembleia da República a comunicar a proposta do Governo para nomear o ex-ministro das Finanças Mário Centeno para o cargo de governador do Banco de Portugal.

Carlos Costa termina esta quarta-feira formalmente o segundo mandato como governador do Banco de Portugal, mas irá manter-se em funções até à tomada de posse do sucessor.

Tal como refere o semanário Expresso, o Governo de António Costa vê-se obrigado a manter o governador que tanto criticou para lá do seu mandato para conseguir que Mário Centeno chegue à cadeira da liderança do BdP.

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Esta situação acontece porque o calendário de Mário Centeno, em funções na presidência do Eurogrupo até 13 de julho, não coincide com o do regulador bancário. Carlos Costa já terá confirmado ao Governo que está disponível para ficar mais algumas semanas após o fim do período estabelecido para exercer funções.

  ZAP // Lusa

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