Confinamento geral deve arrancar já quarta-feira e durará (pelo menos) 15 dias. Escolas ficam abertas

António Pedro Santos / Lusa

O Governo prepara-se para decretar, já na quarta-feira, um novo confinamento geral semelhante ao que foi aplicado em março e abril do ano passado, quando a primeira vaga de covid-19 atingiu Portugal. A única grande diferença está relacionada com o ensino presencial, que deverá continuar a vigorar.

A intenção do Executivo de António Costa foi transmitida esta sexta-feira pelo ministro de Estado e da Economia, Pedro Siza Vieira, que admitiu que as novas restrições para conter a pandemia de covid-19 podem passar pelo encerramento da restauração e do comércio não alimentar, ao passo que as escolas deverão continuar abertas.

“Aquilo que devemos ponderar como plausível é o quadro que vigorou durante o mês de abril ou o quadro que vigorou durante a primeira quinzena do mês de maio”, disse o ministro em conferência de imprensa após a Concertação Social.

Siza Vieira lembrou que nessa altura mantiveram-se em funcionamento a indústria e a construção civil, mas encerraram atividades como “o pequeno comércio não alimentar” e a restauração que funcionava apenas em regime de take away com entrega ao domicílio.

“Esse é o quadro” que está a ser estudado pelo Governo e as medidas vão continuar a ser discutidas nos próximos dias com os especialistas e parceiros sociais, disse.

O governante disse ainda que um novo confinamento não deverá implicar o encerramento das escolas, cenário que o primeiro-ministro, António Costa, já tinha afastado na quinta-feira, no final da reunião do Conselho de Ministros.

Siza Vieira disse que o Governo prevê uma duração mais curta das medidas de restrição, sem avançar com precisão quanto tempo durará o novo confinamento.

“O que pretendemos é um momento de travagem. O que tivemos em março, abril e [primeira quinzena de] Maio foi um grande confinamento. Nesta altura, o que o Governo entende contemplar é ter um período contido para travar o ritmo de crescimento e isso aponta para uma duração mais curta das medidas, mas isso ainda tem de ser ponderado”.

O jornal Público escreve que o novo confinamento geral durará 15 dias, mas uma fonte partidária presente na reunião da Concertação Social desta sexta-feira adiantou ao jornal online Observador que “nunca será menos de um mês”.

“É para 15 dias, para já, mas depois é para calibrar”, revelou a mesma fonte, que disse também que o Governo estuda ainda se poderá deixar algum pequeno comércio aberto durante este período ou começar a levantar estas medidas, tal como aconteceu em maio, nos 15 dias seguintes, depois de a situação ser reavaliada.

O semanário Expresso recorda ainda que um novo confinamento geral deverá implicar medidas de controlo à circulação, bem como teletrabalho obrigatório para as funções em que este regime é possível e restrições às celebrações de culto e desportivas.

Siza Vieira promete reforço de apoios

Perante a iminência de um novo confinamento geral, Siza Vieira sublinhou ainda que o Governo garantirá apoios aos trabalhadores e às empresas que serão obrigadas a fechar. “Se vamos ter um período de 15 dias com mais restrições é preciso reforçar os apoios”.

Por sua vez, o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, pediu esta quinta-feira rapidez na disponibilização dos apoios às empresas perante as novas restrições que vão ser tomadas nos próximos dias para conter a pandemia.

“As medidas que obviamente não podem deixar de acompanhar este confinamento têm de ser rápidas. As empresas que vão ser obrigadas a encerrar terão de ter acesso rápido aos apoios”, referiu à Lusa António Saraiva no final de uma reunião da Concertação social em que Governo e parceiros sociais fizeram uma avaliação da situação epidemiológica.

Centrando a crítica no atraso na aplicação dos apoios às empresas e não no desenho das medidas, António Saraiva vê como positiva a possibilidade de, perante um novo confinamento, as empresas poderem voltar a recorrer ao lay-off simplificado.

“[Foi uma medida] muito positiva para acautelar os postos de trabalho e só temos que replicar os bons exemplos, que funcionam”, precisou o líder da CIP, acrescentando ser necessário perceber “que as medidas têm de ser de rápido e de fácil acesso” porque “é fácil fechar portas” mas não é fácil fazer face ao pagamento de contas sem atividade.

PAN confirma escolas abertas

Entretanto o PAN, que neste sábado reuniu com o Governo, confirmou alguma da informação que foi sendo avançada pelos jornais: o confinamento deverá durar pelo menos 15 dias, as escolas ficarão abertos e os serviços a encerrar estão ainda a ser estudados.

“Do nosso ponto de vista, e face aos números, parece-nos inevitável que este aumentar de restrições não ocorra, mas deve ser vista com uma expectativa positiva“, defendeu André Silva, argumentando que o aumento recente das novas infeções pode estar relacionado com a vaga de frio, pelo que “estes próximos 15 dias”, que poderão ser renovados, devem ser vistos “com um sentimento positivo, no sentido de daqui a 15 dias, três semanas” o país estar “num cenário bastante melhor”.

De acordo com André Silva, o primeiro-ministro transmitiu ao PAN que o agravamento de medidas deverá vigorar numa “primeira fase de 15 dias”, e depois “será avaliado o contexto epidemiológico, com base no conhecimento, na ciência, nos dados dos técnicos”, para perceber “se, 15 dias depois de uma maior restrição”, as medidas deverão continuar, se devem ser agravadas ou se podem ser aliviadas.

Apontando que os dados indicam que ainda não foi atingido o pico nesta fase de evolução da pandemia, o porta-voz do PAN ressalvou ser “precoce prever cenários”.

A decisão final sobre o novo confinamento e os moldes em que decorrerá só será tomada na próxima quarta-feira, dia em que o Governo reúne com especialistas na sede do Infarmed, em Lisboa. Nesse mesmo dia, as novas medidas deverão ser conhecidas.

Sara Silva Alves Sara Silva Alves, ZAP // Lusa

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24 COMENTÁRIOS

  1. Espero que desta vez nos deixem praticar desporto, quando praticado sozinho. Se não o fizerem revelam total falta de bom senso e falta de cuidado para com as necessidades individuais.

  2. Ultima Hora:
    Cientistas descobriram que o vírus da covid 19, tem cérebro e asas, que lhe permitem voar e entrar por janelas abertas até, pelo menos, 12º andar de altura.
    Transporta também uma caixa de ferramenta com um berbequim e silicone. O berbequim que lhe permite furar as mascaras e infectar pessoas entrando pelas vias respiratórias, o silicone para fechar o buraco após a entrada e vedar assim o acesso a outros vírus, como os da tosse, gripe ou estirpes de coronavírus comum.
    Está assim justificada a razão de, apesar das mascaras e isolamento, continua a haver tantos testes positivos para covid 19 e não há registo de gripes, constipações, febres, tosse, dores de cabeça ou corporais, alergias provocadas por outros vírus.

    • A única coisa que prova, “A patranha”, é que é uma das causas do aumento das infecções em Portugal. E existem pessoas como o senhor/a no mundo inteiro a propagar o SARS-COV-2 (virus da covid-19 não existe! Existe a doença Covid-19 provocada pela infecção do vírus Sars-Cov-2).
      A razão pela qual “apesar das mascaras e isolamento, continua a haver tantos testes positivos para covid 19” é que (quase) ninguém respeita as regras de dsiatnciamento, o uso de máscara e a higienização das mãos! Pessoas que pensam como “A patranha” são extremamente perigosas para a humanidade… Mesmo que a maioria da humanidade também seja extremamente perigosa!

      • Há bastantes pessoas interessadas no confinamento, pessoas sem consciência, umas porque ficar em casa com o mesmo ordenado, sem trabalhar, sem gastar em transportes, sem gastar dinheiro com os filhos em amas, alguns acabando por ganhar algum extra em vendas na internet ou a trabalhar em casa, o confinamento para estas pessoas é uma maravilha, passam a pandemia com regalias que nunca tiveram.

        Outros porque são curruptos e aproveitam esta situação para receber mais qualquer coisa.
        É fácil perceber quem não cumpre as regras, (medidas de proteção), as chamadas minorias que sempre viveram às custas dos outros, agentes de autoridade corruptos.
        senhores influentes que estão habituados a que nada lhes aconteça, como caso do Sr. que esteve em greve de fome à porta da assembleia, até apareceu na TV com os olhos cheios de vaselina para dar a entender que esteve a chorar, quando alguns dias antes tinha furado o confinamento, passando na ponte 25 de Abril pelas autoridades que receberam em troca uma garrafa de conhaque.
        Alguém ouviu falar mais neste assunto?
        O que terá acontecido a estas autoridades que foram corrompidos por uma garrafa de conhaque?
        Não foi um agente corrompido, todos os agentes que estavam em cima da ponte tinham indicação para o deixar passar.
        Com uma garrafa de conhaque consegue-se isto, o que acontecerá com quem paga milhões?

    • Concordo com A patranha….Neste país só se morre de Covid-19…senão vejamos:
      “PNEUMONIA COMUM MATA 16 PORTUGUESES POR DIA E 11 MIL EUROPEUS POR MÊS (30/01/2020)”
      Ora portanto, os que iam morrer de pneumonia comum fizerem todos um Upgrade para este novo modelo…Isto cansa…
      (Sábio) -Cala-te nabo, mancebo, energúmeno…não entendes que sem Covid-19 não há subsídios da Europa…
      (Inconformado) -É verdade…peço desculpa e reitero tudo o que escrevi…

  3. Que lindo! Já há muito que se diz (os chamados especialistas… da treta!) que grnade parte das infecções vêm dos jovens, ou seja, dos “frequentadores” das escolas. Por isso faz tooooodo om sentido manter as escolas abertas com um confinamento “geral”. A melhor forma de explicar isto tudo (as medidas falhadas sucessivas por todos os países ou quase todos) é fazer uma analogia: Imaginemos um balde com um furo no fundo. Enche-se o balde com água… Em vez de tapar o furo… põe-se mais água! Não era mais fácil tapar o furo? O que quero dizer, para a maioria das pessoas que não entendem (nem a analogia nem a importância de seguir rigorosamente a ética higiénica que se tem provado eficaz no combate á pandemia… quando é respeitada) é que o colocar mais e mais água, são as medidas que visam proteger o capital em deterimento da saúde das pessoas. O tapar o buraco é fazer medidas rigorosas e só abandoná-las quando o número de infetados e mortos por Sars-Cov-2 seja apenas residual, ou… inexistente! Mas… não há coragem! E os números vão crescer ainda mais! E o pior é que ninguém consegue aprender a lição! Nem os Governos nem a população. Ninguém ainda compreendeu que a economia não funciona sem pessoas… Porque se todos estiverem mortos ou internados (ou em quarentena) não há economia! A solução? Algo que deveria ter sido feito antes de se ter a brilhante ideia de desconfinar (que teve um resultado “maravilhoso”!). Confinamento total com a exceção de serviços essenciais. Mas… Nunca desconfinar quando os números começam a baixar! Será preciso paciência e aguentar mais um pouco (um mês ou dois, senão mais) depois desse baixamento. Ah! Fecho de fronteiras (com raras exceções como produtos alimentares e outros produtos essenciais para a saúde de todos) também porque… o virus veio de fora, não foi? Mas… Não há TO MA TES para isso! Não é popular fazer tais restrições! Por isso deixa-se morrer mais uns velhinhos em prole da “economia”. Isto sem falar daquilo que quase ninguém fala! Das mais que prováveis futuras sequelas daqueles/as que forão infetados pelo vírus (problemas cardíacos, respiratórios e outros. Por isso quero “agradecer” áqueles/as que insistem em não manter a distância, que usam (quando usam!) máscara abaixo do nariz ou para proteger o queixo, e aqueles/as que lavam as “mãos” quando calha (uma ou duas vezes por ano). “Obrigado”

  4. Estão enganados. Apenas foram permitidos passeios higiénicos, atividade física de curta duração e ao pé de casa. Quem quisesse fazer uma corrida de duas ou três hora, ou ciclismo, ou outro desporto qualquer de forma mais prolongada não podia. Mesmo que sozinho.

  5. Mas não podemos esquecer que no dia da votação o vírus faz um interregno, VOTAR É SEGURO…
    Vírus inteligente este, heim?
    E no Natal, também foi seguro?
    É desta que dão o golpe de misericórdia na TAP? E nos restaurantes, também?
    E quem vai levar as crianças à escola, também é seguro?
    Muitas mentiras o povo aguenta…

  6. Alguém dizia aqui no ZAP que, se Portugal não queria uma 3ª vaga de sars-cov-2, deveria decretar um confinamento total. Isto, se a memória me não falha, abrangeria metade de Novembro e o mês de Dezembro. Pois as “ricas e sabedoras” autoridades que temos, desde governantes a cientistas, fizeram exactamente o contrário. Nos feriados de Dezembro foi o regabofe, os magotes de povo estavam em todo o lado, à pinha, respirando o “bafo” uns dos outros. Como se fora pouco, pelo Natal aliviaram-se ainda mais as parcas e inúteis restrições. Agora decreta o confinamento total, mas com a burrice de deixar as escolas de fora, como se fossem oásis de saúde e bem estar. Não, não são. O que acontece é que as crianças e os jovens, mesmo contaminados, não desenvolvem sintomas e, se o universo escolar fosse testado, o quadro seria assustador, com a agravante de que essas crianças e jovens são agentes de infeção e, dentro das escolas, andam aos magotes, não praticam qualquer distanciamento e desinfetar as mãos com gel pegajoso nem com São Jorge de espada ao alto. O diretor ou diretora que limpe o c** com ele. E esses jovens e crianças interagem entre si, com as famílias, com o pessoal lá da rua, com os utentes dos transportes, com as gentes dos cafés, bares, baiucas e chafaricas que existem nas imediações de grande parte dos estabelecimentos escolares. Os professores e pessoal auxiliar fazem o que podem, mas podem muito pouco. Se o álibi para não fechar as escolas e praticar o ensino a distancia é o valor e dinamismo económico que as escolas pretensamente desencadeiam, direta ou indiretamente, tirem o cavalo da chuva porque é mais um tiro no pé e a melhor maneira de a pandemia continuar de pedra e cal, num momento em que os principais países europeus estão a pôr em casa toda a gente. Mas fazem bem em experimentar deixar as escolas abertas, para depois abrirem a boca de espanto, como labregos perdidos em desconhecida metrópole, pela inutilidade do confinamento. E quanto aos velhinhos, incontinentes e senis, deixá-los morrer, porque são menos reformas que se pagam e o dinheiro está a fazer falta nos offshores.

  7. Escolas abertas?
    Não percebo qual o stress de ter que manter as escolas abertas, querem fazer como a itália e vejam o resultado que deu por lá!
    Esquento estiver descontrolado as escolas podem e devem funcionar online, já se viu que funciona e protegemos muitos cidadãos, ou será que se querem livrar dos professores???

  8. escolas abertas?! mas as escolas, os profs e os alunos não estão agora melhor preparados para o confinamento do que estavam em Março/Abril?!
    já agora, porque tinham de recomeçar as aulas, presencialmente, logo no 1º dia útil do ano? custava muito esperar uma semana ou duas, para verificar o andamento da pandemia? ou acham que o vírus não vai à escola?

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