Conceder ou não conceder vitória, eis a questão. Trump tem em mãos o fim de (mais) uma tradição

Jim Lo Scalzo / EPA

Donald Trump, Presidente em funções dos Estados Unidos, ainda não concedeu a vitória a Joe Biden, o novo Presidente eleito.

Tudo começou em 1896, quando o democrata William Jennings Bryan enviou um telegrama de parabéns a William McKinley, um dia depois de este ter sido eleito o 25.º Presidente dos Estados Unidos. O ato tornou-se uma espécie de tradição, em que o perdedor felicitava o vencedor.

“Apresso-me a dar os meus parabéns. Apresentamos a questão ao povo norte-americano e a sua vontade é lei”, lia-se no telegrama, datado de 5 de novembro de 1896.

Segundo o Aljazeera, a mensagem deu início à tradição de 120 anos de um candidato presidencial norte-americano conceder a vitória ao vencedor, uma norma que corre o risco de ser destruída por Donald Trump, que se recusa a reconhecer Joe Biden como Presidente eleito.

A ideia de reconhecer uma perda eleitoral publicamente não parece um ato grandioso, mas, logo após o telegrama, Bryan explicou que não conseguia entender por que motivo conceder a vitória foi “tão comentado” na altura nem o motivo pelo qual era considerado um “ato extraordinário”.

Não estávamos a lutar uns contra os outros, éramos apenas representantes de diferentes ideias políticas”, escreveu William Jennings Bryan no livro The First Battle: A Story of the Campaign of 1896 (“A Primeira Batalha: Uma História da Campanha de 1896”.

“A observância cortês das propriedades de tal ocasião tende a eliminar o indivíduo e permite que os oponentes disputem fortemente a questão de princípio, sem perturbar as relações sociais”, escreveu o antigo candidato presidencial, argumentando que o debate sobre os princípios é muito maior do que o individual.

Donald Trump foge à regra: a marca política do ainda Presidente norte-americano gira em torno do indivíduo e dos seus próprios princípios. É precipitado afirmar que esta ideia é errada, mas não era normal na política norte-americana.

Não conceder vitória a Joe Biden pode ser apenas o fim de mais uma tradição, a par da separação cristalina entre os negócios pessoais para evitar conflitos de interesse ou da contratação de parentes para cargos no Governo, por exemplo.

Além disso, ao contrário da maioria dos Presidentes, Trump usa uma retórica contundente ao discutir questões polémicas, que resulta numa onda de reação, em vez de um debate construtivo.

Se, de um lado, os críticos se arrepiam com todas as normas que Donald Trump já quebrou, há a outra face da moeda: os seus apoiantes, que defendem que não passa de uma atitude obstinada.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Tanta coisa se diz a respeito do nosso PRESIDENTE Mr. Trump.
    Nao intereca o que se passou nos ultimos quato anos,na minha opiniao pessoal,so o facto de os democraticos durante esse tempo tentaram a destituicao dele fosse de que maneira fosse,para mim e razao suficiente para acreditar em fraudulencia nestas eleicoes.
    Quem ganhou nao foi o Biden foi a Palosky e a Harrys,O Biden vai fazer a reforma e as duas vao ocupar os cargos mais importantes desta prestigiosa NACAO.
    Tenho pena de derramar lagrimas quando tudo comecar a correr ao contrario

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