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Já se pode comer insectos em Portugal (e “é o futuro da economia”)

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Iguarias com minhocas e gafanhotos na ESTM/IPL

A Direcção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV) aprovou a venda e consumo de sete espécies de insectos em Portugal. Uma medida que é vista como “um salto enorme” pelos responsáveis do sector que consideram que este é “o futuro da economia” nacional e europeia.

Assim, entre as espécies autorizadas para venda e consumo estão duas espécies de grilos (Acheta domesticus e Gryllodes sigillatus), um besouro (Alphitobius diaperinus), duas espécies de larvas (Apis mellifera male pupae e Tenebrio mollitor) e duas de gafanhotos (Locusta migratória e Schistocerca Gregaria).

A DGAV explica que estes insectos podem ser “comercializados ou usados inteiros (não vivos) e moídos (por exemplo, farinha)”. Contudo, têm de cumprir alguns requisitos e não podem ser vendidas partes ou extractos de insectos.

Citando o artigo 35º sobre “medidas transitórias” do Regulamento 2283/2015, relativo a novos alimentos, a entidade nota que passa a ser “possível comercializar insectos” que tenham sido “legalmente” colocados no mercado, num país da União Europeia (UE), “antes de 1 de Janeiro de 2018”.

Além disso, deve “ter sido apresentado um pedido de autorização de colocação no mercado para esse insecto, como novo alimento ou alimento tradicional de país terceiro, antes de 1 de janeiro de 2019″, explica a DGAV.

Por outro lado, a comercialização de insectos também deverá cumprir “determinadas especificações e disposições de rotulagem, nomeadamente relativas a reacções alérgicas”, acrescenta ainda a DGAV.

A entidade ainda deixa o alerta de que “diversas espécies de insectos podem causar alergias ou alergias cruzadas, especialmente para quem sofre de alergia a marisco”.

Por isso, “é importante que os consumidores sejam claramente informados na rotulagem e na comercialização que um alimento contém insectos e de que espécie são”, acrescenta.

“Um salto de consciência brutal”

Para o presidente da Portugal Insect, a Associação Portuguesa de Produtores e Transformadores de Insectos, Rui Nunes, esta decisão da DGAV é “um salto enorme, um salto de consciência brutal”, conforme declarações ao Público, frisando a importância de dizer, oficialmente, que “um humano já pode consumir insectos de forma segura”.

Até agora, apenas a farinha feita de larvas de um escaravelho podia ser consumida por humanos na UE depois do aval da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos.

Mas, nesta altura, Portugal junta-se a países com Alemanha, Dinamarca e Finlândia na possibilidade de vender e consumir as sete espécies de insecto enunciadas.

Além do consumo, também “já é permitido trabalhar com este produto como um outro produto qualquer, como uma farinha de trigo, por exemplo, num restaurante ou numa fábrica de bolachas”, explica ainda Rui Nunes ao Público.

Para já, não há locais de criação de insectos em Portugal para a alimentação humana, pois nem isso é permitido ainda. Mas “dentro de um dois meses”, isso poderá tornar-se realidade, acredita Rui Nunes, notando que a Portugal Insect está a trabalhar com a DGAV nesse sentido.

Este responsável acredita que esse passo poderá “potenciar e valorizar tudo o que é economia local e de proximidade — em que os produtos são produzidos num sítio e podem ser utilizados nesse mesmo sítio para transformar em algo muito mais útil e interessante e que, inclusive, pode ser um alimento”.

“Neste momento, já ninguém tem dúvidas de que isto é o futuro da economia e pode potenciar efectivamente a economia europeia e local”, aponta ainda Rui Nunes no Público.

A quem ainda torce o nariz ao consumo de insectos, o líder da Portugal Insect lembra o tempo em que olhávamos para o sushi “como uma coisa estranha que não se comia”.

“Tudo isto foi evoluindo”, repara, salientando que, hoje em dia, “cada vez demoramos menos tempo a incorporar tudo o que é novidade alimentar”.

Rui Nunes realça também a importância de passar a mensagem “de que os insectos são uma fonte de nutrição tão boa como qualquer outra“.

Susana Valente, ZAP //

7 Comments

  1. Talvez assim, os ecologistas, possam funcionar como inseticidas, exterminando esses tipos de insectos, consumindo-os.

  2. Eu já estou a ver um criador de gafanhotos que não os consegue vender, solta-os, e vamos ter uma epidemia de gafanhotos na vez da epidemia COVID19.

    • Já está a acontecer. Acabo de encontrar a pista da justificação para uma sucessão crescente de invasões descomunais de zangões (machos das abelhas, verdadeiros parasitas devastadores das reservas alimentares das colónias) da qual me comecei a aperceber há cerca de um mês. Chacino aos milhares de cada vez e no dia seguinte os ataques são ainda maiores. Falo de ocorrências de mais de dez mil zangões de cada vez. Falo de exaustão de colónias de abelhas em menos de uma semana.
      Alguém andou a antecipar-se nas experiências e já fez porcaria da grande.
      Veja-se na notícia que foram também autorizadas “duas espécies de larvas (Apis mellifera male pupae e Tenebrio mollitor)”…
      Mas parece que aos fundamentalistas ambientais estes crimes passam ao lado. Porque será?!

  3. Que deplorável futuro da economia !!!! Eu pensei que o brutal salto de consciência era ir deixando de comer animais, mas afinal grilos e gafanhotos vão ser as próximas vitimas….

  4. Porque essa sabedoria está muito acima, eles não fazem por mal, mas não sabem o que é, se lhe falar de transgênero já sabem. Na minha humilde ignorância eu achava que os zangões nasciam nas próprias colmeias e que não migravam para outras, ou seja que o seu fatal destino era na sua própria colmeia e que as operárias se encarregavam de controlar a quantidade de zangões na colmeia, sendo assim fui pesquisar e encontrei que eles podem ir até 5 quilómetros, e tudo é possivel.

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