Combater o coronavírus é pior do que operar na Síria, diz cirurgião de guerra

Franck Robichon / EPA

Um cirurgião de trauma que operou em algumas zonas de guerra disse que estar na linha de frente a lutar contra o coronavírus é uma “experiência intensa” e é tão ruim quanto “ver crianças a explodir em Aleppo”, na Síria.

David Nott é um cirurgião em Carmarthen, no País de Gales, além de ser cirurgião consultor no Hospital Chelsea e Westminster há 23 anos. Em entrevista ao Sunday Times, citada pelo Independent, falou sobre a sua experiência a trabalhar para salvar pacientes com Covid-19 no St Mary’s Hospital, em Paddington, Londres.

O cirurgião – que trabalha com agências de ajuda humanitária em zonas de guerra – disse que a pandemia é “o inimigo mais assustador” que já enfrentou e alertou para os funcionários do Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra (NHS) que sofrem de transtorno de estresse pós-traumático, visto que a luta contra o vírus é “emocionalmente destrutiva”.

Na sua opinião, as enfermeiras são “as verdadeiras heroínas”, enquanto sente-se um “minúsculo dente da engrenagem”. “Estar com pacientes tão gravemente doentes durante 13 horas por dia, a usar máscaras que causam tanto desconforto. Nunca vi pessoas a trabalhar tanto, tão desesperadas para que cada paciente ultrapasse a doença”, indiciou. “Mas, às vezes, a doença vence”.

A maneira impiedosa e não uniforme como a Covid-19 infeta as pessoas é ainda um enigma, referiu Nott. “Muitas das pessoas que estão na nossa unidade de saúde são jovens, entre os 20, 30, 40 e 50 anos. A razão pela qual alguns têm uma doença leve e outros têm problemas graves e caem muito rapidamente, apesar de não terem condições subjacentes e estarem em boa forma, é um mistério que ninguém entende”, acrescentou.

David Nott Foundation

O cirurgião David Nott

Contudo, o principal problema, principalmente entre os pacientes idosos, é o facto de a respiração tornar-se um “esforço”, levando a que fiquem cansados ​​demais e “não consigam mais respirar”.

O médico, que dirige a Fundação David Nott e treina médicos para zonas de guerra e em casos de desastres naturais, decidiu manter a sua esposa e duas filhas num espaço separado para minimizar o risco de serem infetadas. Estar longe da família era como na Segunda Guerra Mundial, “com os evacuados a deixar as famílias”, frisou.

Nott disse ainda que “nunca tinha imaginado” que os médicos no Reino Unido teriam que tomar decisões sobre quem tratar nos hospitais, como se faz nas zonas de guerra, e decidir “quais pacientes podem viver” e aqueles para os quais operar é inútil.

Apesar de tudo, mostrou-se esperançoso, acreditando que esta crise faça com que as pessoas “percebam que a raça humana é uma grande família”. “Estamos apenas neste planeta uma vez, estamos todos juntos e qualquer um de nós pode cair a qualquer momento”, sublinhou.

ZAP //

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