Comandante Nacional da Proteção Civil demite-se

Estela Silva / Lusa

O coronel António Paixão demitiu-se esta segunda-feira do cargo de comandante operacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) por divergências com o Governo. O coronel José Manuel Duarte da Costa irá substituí-lo.

De acordo com um comunicado do Ministério da Administração Interna divulgado na segunda-feira, o coronel António Francisco Carvalho da Paixão “pediu a exoneração do cargo por motivos pessoais“.

No entanto, a RTP, que avançou a notícia, disse que António Paixão estaria já em rota de colisão com o Governo, cinco meses depois de ter tomado posse.

O episódio que terá levado à sua demissão aconteceu na passada sexta-feira, quando o Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, acusou o ex-comandante de ser “prepotente”, “incompetente” e “uma pessoa em que não se pode confiar para o lugar em que está”.

No entanto, aquando da notícia da demissão de António Paixão, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses elogiou a mudança.

“Para mim, a razão da demissão foi ter honestidade, ter interpretado que não seria capaz de exercer esta função tão complexa. Penso que ele refletiu, analisou, ponderou e numa atitude de honestidade, optou não por continuar”, disse hoje à agência Lusa Jaime Marta Soares.

Entretanto, o Ministério da Administração Interna, liderado por Eduardo Cabrita, já anunciou que António Paixão será substituído pelo coronel José Manuel Duarte da Costa.

“O secretário de estado da Proteção Civil, José Artur Neves, designou o Coronel Tirocinado José Manuel Duarte da Costa para exercer as funções de Comandante Operacional Nacional do Comando Nacional de Operações de Socorro da Autoridade Nacional de Proteção Civil, sob proposta do presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil, Tenente-General Carlos Mourato Nunes.”

António Paixão foi nomeado para o cargo em novembro passado, em substituição de Rui Esteves, que se demitiu em setembro.

Fonte do grupo parlamentar do CDS anunciou esta segunda-feira à noite que o partido quer ouvir “com urgência” o ex-comandante no Parlamento. “O CDS quer ouvir com carácter de urgência na Assembleia da República o Comandante Operacional Nacional da Proteção Civil, António Paixão, sobre o seu pedido de exoneração e a falta de planeamento e execução do dispositivo de combate a incêndios florestais para 2018”.

Bombeiros profissionais criticam mudanças a “meio da época” na Proteção Civil

O presidente da Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais, Fernando Curto, criticou a mudança “a meio da época” do comandante da Autoridade Nacional da Proteção Civil e a escolha de um militar para o lugar.

Em declarações à Lusa, Fernando Curto considerou que a alteração “a meio da época”, numa fase de preparação para os períodos críticos de incêndios, indica que “algo não está bem”, sobretudo quando António Paixão, que se demitiu na segunda-feira alegando razões pessoais, foi nomeado para o cargo há apenas cerca de cinco meses.

Fernando Curto referiu que “os bombeiros vão continuar a fazer o seu trabalho de bombeiros”, mas manifestou-se preocupado, porque existe um dispositivo de combate a incêndios, com um comandante nomeado há pouco tempo, e o seu sucessor terá de iniciar rapidamente funções, em vésperas do período mais perigoso de fogos florestais: “A esta altura, não se pode dar ao luxo destas mudanças“.

O dirigente da ANBP receia que, “quer em termos de bombeiros como de carreiras”, o Governo, com a nomeação do coronel Duarte da Costa, “militarize os bombeiros”, lamentando que as reivindicações da sua associação “não tenham sido ouvidas”.

“Os bombeiros querem ter um papel fundamental e querem um comandante dos bombeiros que seja dos bombeiros, e não dos militares”, reforçou.

Fernando Curto duvida que a demissão do comandante da ANPC tenha sido motivada por razões pessoais e prefere acreditar em razões “técnico-operacionais e estratégicas”, porque a nova temporada de incêndios, alertou, “está a ser preparada de forma desajustada”.

Enquanto bombeiro há 30 anos e representante de uma força de socorro que colabora com a ANPC, disse ainda ter “o direito a saber por que se demitiu” o comandante da ANPC.

ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Hummmmmmm!Isto é tudo estranho. Mas na proteção civil, com este governo, sempre tudo foi muito estranho.
    Soube que nuns casos quiseram empurrar pasteleiros para comandantes distritais da proteção civil. Será que o conhecimento do fabrico dos mil-folhas é relevante para o combate aos incêndios? Fica a dúvida para alguém mais iluminado do que eu.

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