Há mais polícias do que Coletes Amarelos nas ruas. Extrema-direita “estragou” manifestação

Tiago Petinga / Lusa

Em Lisboa, junto ao Marquês, foram detidos três manifestantes

O protesto dos “coletes amarelos” arrancou esta sexta-feira com pouca adesão nas ruas. No início da manhã, registaram-se algumas concentrações sobretudo no norte e centro do país. Em Lisboa, os organizadores desmobilizaram por volta das 11h30, acusando a extrema-direita de “estragar” o protesto.

“A nossa manifestação foi estragada por um movimento de pessoas da ala de extrema-direita”, disse Luísa Patrão, uma das organizadoras do movimento, em declarações ao jornal Público no Marquês de Pombal, em Lisboa, um dos 25 pontos de concentração nesta quinta-feira divulgados pelo movimento.

Luísa Patrão referiu ao matutino que o movimento é pacífico e que não se revê “na postura de violência liderada pelo PNR”.

Em igual sentido, Maria João Oliveira, outra das responsáveis pelo movimento em Portugal, lamentou a fraca adesão ao protesto, apontando também o dedo à extrema-direita. “Recebi ameaças de morte do PNR”, disse no fórum TSF.

“São pessoas que se estavam a infiltrar. É o PNR que está a tentar desestabilizar, uns senhores a ameaçar outros de morte. Ameaçou-me de morte a mim”, acrescentou.

“Estamos desiludidos porque há mais polícia infelizmente que povo português. E neste momento a polícia está a meter-nos numa caixa em que não podemos fazer absolutamente nada”, disse. Maria João Oliveira disse ainda que a fraca adesão se deve à forte presença policial e à aproximação do Natal.

O jornal Público descreve ainda uma “clara divisão” entre os coletes amarelos do Marquês. Segundo o diário, um dos grupos, onde estão os organizadores, apela à manifestação pacifica. Já o segundo grupo, em que o matutino diz haver alguns elementos do PNR, tenta forçar o cerco policial, gerando alguns momentos de tensão.

Em Lisboa, onde se observou uma maior tensão entre os manifestantes e as forças policiais, o trânsito junto ao Marquês chegou a ser cortado mas já foi restabelecido.

Três detidos em Lisboa, oito identificados no Porto

A PSP deteve esta manhã três pessoas na zona do Marquês de Pombal, em Lisboa, que faziam parte do protesto dos “coletes amarelos”, marcado por momentos de tensão entre manifestantes e a polícia. No Porto, onde a manifestação decorre junto à rotunda do Nó de Francos, a polícia identificou oito “coletes amarelos”.

Segundo a direção Nacional da PSP, os manifestantes foram identificados por “apresentarem tarjas ofensivas e demonstrarem uma postura agressiva”. Um destes elementos, foi levado para a esquadra, para verificação, por vestir um colete à prova de bala, acrescentando não haver, até às 10h45, registo de detidos nesta ação.

Em Lisboa, e em linha com o que acontece um pouco por todo o país, número de polícias é bastante superior ao dos manifestantes, estando os agentes localizados em todos os pontos da rotunda do Marquês de Pombal.

Manifestação decorre em Faro sem incidentes

Em Faro, a manifestação foi mais tranquila, não tendo registado, até então, incidentes. Uma centena de pessoas do movimento protestou à entrada de Faro, procurando ocupar continuamente as passadeiras de peões, o que causou pequenos atrasos no acesso à capital algarvia.

Os manifestantes começaram, lentamente, a chegar a uma das principais rotundas de acesso à cidade, na Estrada Nacional125, cerca das 07h00 e uma hora depois contabilizava-se meia centena de pessoas no local, número que depois duplicou ao longo da manhã, sem causar incidentes, disse à agência Lusa fonte policial.

Perante a tentativa dos agentes da PSP em contrariar o atravessamento contínuo das passadeiras, os participantes faziam um movimento de “vai vem”, empunhando cartazes onde se podia ler “Combustível mais baixo”, “Aumento do salário mínimo”, “IVA mais baixo” ou reclamações mais locais como “Por um Algarve livre de portagens”.

Tendo como pano de fundo o hino nacional e música de intervenção, os participantes tentavam incentivar os automobilistas a apitarem, enquanto gritavam palavras de ordem como “Vai-te embora Costa”, “Pelo fim das Parcerias Público-Privadas (PPP)” ou “Pelo fim das subvenções vitalícias”.

Em Braga, junto ao nó de Infias, as manifestações ficaram marcadas por alguma tensão a meio da manhã, com os manifestantes a discutirem se deixavam passar um camião bloqueado desde as 6h00 ou se o obrigavam a fazer marcha atrás.

Desde as 0h00 que a entrada norte de Braga, está cortada ao trânsito, primeiro pelos “coletes amarelos” (cerca de 60) e depois pela própria PSP, que desviou o trânsito antes daquela artéria. Em declarações aos jornalistas, um representante do movimento que organizou o protesto, Filipe Silva, explicou que o objetivo é “comer as batatas na estrada” – ou seja, ficar até à ceia de Natal -, salientando que “não há hora para acabar o protesto”.

“Legalidade democrática” deve ser respeitada

O primeiro-ministro disse esta sexta-feira que a “legalidade democrática” deve ser respeitada, aludindo às manifestações dos coletes amarelos que nesta sexta-feira se verificam por todo o país. “Aquilo que compete ao Governo é assegurar sempre duas coisas: primeiro, que quem se quer manifestar que o possa fazer; segundo, que a legalidade democrática seja respeitada“, disse António Costa.

Os protestos dos “coletes amarelos” em Portugal foram convocados por vários grupos através das redes sociais, inspirados nos movimentos contestatários que nas últimas semanas se registaram em França.

Um dos grupos, Movimento Coletes Amarelos Portugal, num manifesto divulgado na quarta-feira, propõe uma redução de impostos na eletricidade, com incidência nas taxas de audiovisual e emissão de dióxido de carbono, uma diminuição do IVA e do IRC para as micro e pequenas empresas, bem como o fim do imposto sobre produtos petrolíferos e redução para metade do IVA sobre combustíveis.

A lista das manifestações dos “coletes amarelos” na área de atuação da PSP somava 25 protestos em 17 locais das principais cidades do país.

ZAP ZAP // Lusa

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16 COMENTÁRIOS

  1. Parei agora aqui num local e vi uns coletes amarelos vesti o meu e me juntei.Quando para meu espanto um colega de luta me diz num tom autoritário pega nesses dois baldes de massa .Não percebi.Será que me enganei?

  2. A direita e a extrema-direita tiveram uma derrota estrondosa. Os “Chico-Espertos” da santa terrinha não passam de uns parvalhões de meia tigela. Os fascistas do PNR aproveitam e agradecem o que os “labrêgos” fazem por eles!!!!

  3. Os coletes amarelos de Vimioso programaram cortar a estrada na ponte de carção, mas, de tão apressados que estavam para chegar a casa, só pararam em Bragança!

  4. Um muito obrigado a todos os coletes amarelos que hoje lutaram não só por eles, mas também por muitos outros portugueses que por uma razão ou por outra não se puderem juntar às manifestações. Eu, para minha grande pena, fui um dos que não se pôde juntar à manifestação.
    Estou profundamente grato a todos os colete amarelos do dia 21 de dezembro de 2018, que optaram pela ação em vez da resignação ou do conformismo .
    Espero amanhã estar convosco ou ser eu a ocupar o vosso lugar.

  5. Coletes Amarelos não devem desanimar, mas sim repetir as manifestações uma vez por semana.
    Em França também aconteceu o mesmo ao inicio, poucos indignados.
    Eu gostava de ver um Politico a usufruir um vencimento durante um ano com o salario minimo nacional ou a reforma de um velhinho de 250€ por mês.
    Iva – Touradas 6%
    Iva – EDP 23%

  6. Para aqueles que, como o ministro dos estrangeiros acham que reclamar da miséria em que todos os políticos e sindicalistas afins transformaram este país ao longo destes “annus horribilis” a que nos sujeitaram, é conotar as pessoas com o fascismo ou a extrema direita só tenho uma resposta: precisamos de uma nova Patuleia… Mas… – sem “Emboscada” nem “Convenção de Gramido”.
    Força Coletes Amarelos a hora é de luta!…Tudo começa por pequenos passos…

  7. Eu nunca tinha visto tanto polícia! Onde estão eles nos outros dias que só vejo meia dúzia às portas ou dentro do mini preço? Perto de onde vivo já havia nos tempos do Salazar um polícia a dirigir o trânsito. Hoje nicles. Os automobilistas estacionam ao lado uns dos outros e para passar é preciso um gincana dos diabos. Mas afinal polícias há muitos, assim como chapéus. Aqueles que estão a mamar do Estado ou RSI gostaram muito da manifestação. E aqueles que não pagam impostos ou os que têm carro e gasolina à borla que lhes paga a empresa onde trabalham. O professor martelo também…!

  8. Estrema Direita estragou a manifestação? Mas que anedota. Primeiro o que é isso de estrema direita? Dou os meus cumprimentou e respeito aos coletes amarelos que tiveram a coragem de vir para a rua, denunciar a corrupção e tudo o mais que este País infelizmente é.
    A mobilização em massa policial, desmonstra que estes governantes não tem a consciência tranquila e continuarão a roubar o povo. Gasolina etc etc.

    Como diz o anedótico Presidente da República, os portugueses não são os franceses, por aqui nada se passa, dá umas voltas de camião come com estes, pacífica a fera do descontentamento, e vai para o seu palácio populista a rir-se.

    Portugal tem o que merece.

  9. O povo português importa tudo, coletes amarelos, hallowin, etc. Ainda espero que adoptem o July 4º, mesmo sem saber o seu significado, é estrangeiro!
    Essa gente desocupada pode fazer as manifestações que bem entenderem mas, na minha opinião, não tem o direito de prejudicar os outros cidadãos, tentando bloquear estradas e afins. Tem portugueses que precisam de trabalhar para comer e não têm capacidades financeiras para parar no trânsito porque alguns “manifestantes” decidem cortar o trânsito como forma de protesto. Isso e parar comboios, metro, cirurgias, e outros casos que prejudicam directamente o cidadão comum.
    Mas é a isso que chamam de democracia…

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