Há “ciúmes e desconforto” dentro do Governo, afirma Marques Mendes

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Mário Cruz / Lusa

Luis Marques Mendes

O comentador político e ex-presidente do PSD Luís Marques Mendes insistiu, no domingo, na ideia de que o primeiro-ministro, António Costa, e o ministro das Finanças, Mário Centeno, estão “em rota de colisão”.

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No seu espaço de comentário na SIC Notícias, Luís Marques Mendes apontou a recente sondagem sobre o estado do Serviço Nacional de Saúde (SNS) – no qual 57% dos portugueses apontam as culpas a Costa e à ministra da Saúde, e apenas 14% a Centeno – como “um verdadeiro facto político” que “deve gerar muitos ciúmes e muito desconforto dentro do Governo”.

“A sondagem é explosiva. Significa que, dentro do Governo, isto gera uma onda de ciúmes e desconforto. Aos olhos das pessoas, os sucessos do Governo são de Mário Centeno e aquilo que corre mal, ou é culpa dos ministros ou do primeiro-ministro”, afirmou, justificando que é por isso que pensa que Costa e Centeno estão “em rota de colisão”.

“Nenhum primeiro-ministro gosta de ficar na sombra de um ministro, designadamente do ministro das Finanças”, disse, frisando que Portugal nunca teve um ministro das Finanças “com um estatuto tão forte” como Centeno, “provavelmente acima do primeiro-ministro”.

Considerou ainda que “quando Mário Centeno sair do Governo, será um revés forte” para o Executivo de Costa, que vai sair “enfraquecido”. “Desgraçado do ministro ou ministra que vier a substituir Mário Centeno. Vai viver para sempre com a sombra de Mário Centeno. Uma coisa é suceder. O difícil é substituí-lo”, acrescentou.

Marques Mendes aproveitou para elogiar a mensagem de Natal de Costa, que, recorda o Observador, foi filmada este ano num centro de saúde para apontar o SNS como prioridade do Governo. Mas, apesar do elogio, deixou críticas ao primeiro-ministro.

“António Costa, durante estes últimos quatro anos, andou a desvalorizar sistematicamente a crise do SNS. A disfarçar, a empurrar com a barriga, a fazer de conta”, referiu. “Agora, arrepiou caminho, percebeu que há um problema sério”. É preciso “conferir à saúde nos próximos quatro anos a mesma prioridade que deu à redução do défice orçamental nos últimos quatro anos”, salientou.

Marcelo recandidata-se. Talvez contra Ventura

Marques Mendes indicou ainda que Marcelo Rebelo de Sousa se irá recandidatar à Presidência da República. “Tem saúde, energia, popularidade e um caminho a percorrer”, disse, apontando que não acredita que o PS “corra o risco” de apresentar um candidato próprio, já que uma “derrota humilhante” poderia “fragilizar” politicamente Costa.

Para o comentador, podem surgir adversários à extrema-direita. “André Ventura, por exemplo. Talvez seja aí onde pode haver uma outra dificuldade”, notou.

O ex-líder do PSD elogiou igualmente a mensagem de Natal do Presidente. “O país gosta de um Presidente dos afetos, mas também aprecia que Marcelo, de vez em quando, fale grosso, que de alguma forma possa criticar” a governação.

“Nem sempre selfies e beijinhos, também é preciso às vezes avisos e reprimendas”, apontou, concluindo que em futuras mensagens Marcelo deveria ainda “ir mais longe e concretizar” medidas, “para fazer pedagogia”.

  ZAP //

3 Comments

  1. Este Marques Mendes em outro País que não Portugal estava a ser julgado pelos vistos Golden em que foi apanhado nas escutas, ele e muitos outros de várias cores politicas, perguntar não ofende que seriedade pode merecer alguém que é conselheiro de Estado e já há vários anos que lhe pagam tempo de antena para fazer propaganda politica? Era suposto um P.R. os seus conselheiros fossem apartidários e que para se manterem apartidários não comentassem sobre os partidos políticos mas este parece que está a cima da isenção politica.

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