Cirurgiões em teletrabalho geram revolta entre médicos que combatem a covid-19

Com as cirurgias programadas suspensas e vários cirurgiões em regime de teletrabalho, instalou-se o mal estar entre os médicos que estão na primeira linha de combate à covid-19. Tanto mais numa altura em que chegaram médicos estrangeiros para ajudar o país a enfrentar a pandemia.

“Os cirurgiões ficaram com trabalho reduzido, alguns só com consultas uma vez por semana, e sobretudo teleconsultas, outros com duas e uma urgência, outros só a fazer consultas e relatórios”, nota um médico ao Diário de Notícias (DN), concluindo que “isto é incompreensível numa altura em que o hospital recebeu profissionais estrangeiros para apoiarem a resposta à pandemia”.

A publicação falou com vários profissionais que revelam o mal-estar com a situação.

“Sobra sempre para uns, quando outros ficam em casa”, lamentam médicos das especialidades mais sobrecarregadas, considerando que todos poderiam “estar a trabalhar para o mesmo, apesar das características de cada especialidade”.

O presidente do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, desvaloriza a situação, notando ao DN que são “querelas antigas entre especialidades” que podem ter sido agravadas com a pandemia, uma vez que “a medicina interna arca sempre com a maior carga de trabalho”.

Numa altura em que vieram médicos de países como Alemanha e França para ajudar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) devido à pressão da pandemia, há quem note que “há sempre muita dificuldade em que as especialidades mais cirúrgicas colaborem com as especialidades médicas ou até com a medicina intensiva”.

Já o presidente da FNAM (Federação Nacional dos Médicos), Noel Carrilho, ele próprio um cirurgião, constata que no hospital onde trabalha, em Lamego, não se verifica o problema, apontando que os cirurgiões estão a integrar as equipas covid e de urgência.

O DN nota ainda que, em alguns hospitais, os cirurgiões foram integrados nas equipas covid pelas administrações enquanto outros voluntariaram-se para as integrar.

No Hospital Garcia de Orta (HGO), “houve uma proposta do director de serviço para que uma boa parte dos cirurgiões ficasse em teletrabalho, que foi aceite pela direcção clínica”, esclarecem profissionais da unidade ao DN.

A administração do HGO assegura, contudo, que “os cirurgiões foram mobilizados para prestarem cuidados em enfermarias covid e para reforçar as escalas do serviço de urgência geral”, conforme nota enviada ao DN.

Apesar disso, o hospital destaca também que a “actividade não presencial realizada pelos cirurgiões do HGO realiza-se à semelhança do que é realizado nas restantes especialidade médicas, na vertente de consultas médicas não presenciais”.

Em 2020, devido à pandemia, foram canceladas 126 mil cirurgias consideradas não urgentes.

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