Choques elétricos e chicotadas: relatório denuncia tortura de mulheres sauditas

Um relatório da Human Rights Watch ​​​​​denuncia que a Arábia Saudita prendeu e torturou ativistas e dissidentes, nomeadamente mulheres que lutam pelos seus direitos.

Segundo o “Relatório Mundial 2019” da organização não governamental Human Rights Watch (HRW), a Arábia Saudita foi alvo de duras críticas em todo o mundo no ano passado após o assassínio do jornalista Jamal Khashoggi dentro do consulado saudita em Istambul, na Turquia, a 2 de outubro.

O país acabou por admitir o assassínio de Khashoggi dentro do consulado e anunciou a prisão de 18 pessoas. No entanto, as declarações pareciam planeadas para proteger o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, de um maior escrutínio sobre o crime, considera a organização.

No início de janeiro, o procurador-geral da Arábia Saudita pediu a pena de morte para cinco dos 11 suspeitos que foram acusados do assassínio de Khashoggi, no início do julgamento dos acusados num tribunal de Riade.

Além disso, as autoridades sauditas intensificaram as suas prisões arbitrárias, julgamentos e condenações de dissidentes e ativistas pacíficos em 2018, incluindo uma coordenação em larga escala da repressão contra o movimento dos direitos das mulheres.

Em junho, conta o Jornal de Notícias, Riade levantou a proibição das mulheres conduzirem automóveis, mas de pouco ou nada adiantou: as autoridades sauditas continuaram a discriminar as mulheres e as minorias religiosas.

A 15 de maio, as autoridades prenderam mulheres ativistas dos direitos humanos e acusaram-nas de vários crimes graves, como traição.

As organizações dos direitos humanos relataram, em novembro, que os interrogadores sauditas torturaram pelo menos quatro destas mulheres, aplicando choques elétricos, chicoteando-as nas coxas, beijos e abraços forçados.

Os procuradores sauditas intensificaram a sua campanha contra os dissidentes em 2018, pedindo a pena de morte para os acusados, apesar de estes terem praticado uma dissidência e um ativismo pacíficos.

 

Além disso, apesar de a Arábia Saudita não ter leis escritas sobre orientação sexual ou identidade de género, os juízes usam princípios da lei islâmica para sancionar pessoas suspeitas de terem relações sexuais fora do casamento, incluindo o adultério e relações homossexuais.

Segundo dados do Ministério do Interior saudita, o país executou 139 pessoas entre janeiro e dezembro de 2018, principalmente por crimes de assassínio e drogas. Em 2018, a coligação liderada pela Arábia Saudita continuou a campanha militar contra os rebeldes Huthi no Iémen, promovendo dezenas de ataques aéreos ilegais, lembra ainda a HRW.

Desde março de 2015, início das operações militares da coligação, a organização documentou cerca de 90 ataques aparentemente ilegais da coligação que atingiram casas, mercados, hospitais, escolas e mesquitas.

Desde agosto do ano passado, pelo menos 6.592 civis foram mortos e 10.471 feridos, embora as vítimas possam alcançar um número maior, de acordo com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (EACDH).

Segundo a HRW, alguns desses ataques podem ser equiparados a crimes de guerra, sendo que o conflito exacerbou a grave crise humanitária que ocorre no país.

ZAP //

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