“Retificações especiais e centralizadas”. China quer acabar com “caos” na Internet

A Administração do Ciberespaço da China exigiu esta terça-feira aos fornecedores de serviços móveis do país que executem uma série de “retificações especiais e centralizadas”, face a “preocupações sociais” perante o “caos” na Internet.

As oito empresas afetadas são a Huawei, Oppo, Vivo, Xiaomi, Sogou, 360, QQ e UC. Estas terão até ao próximo dia 9 de novembro para “fazer uma revisão e retificação” dos seus serviços, visando controlar a disseminação de “rumores, sensacionalismo ou publicação de informações negativas que violem os valores fundamentais do socialismo”.

Os requisitos incluem a “proibição de informações em contas pessoais de redes sociais que violem as normas, além de exageros, insultos ou referências a temas delicados”, a fim de “evitar problemas que alterem a ordem da comunicação na Internet”.

As empresas devem enviar ao regulador uma lista detalhada das retificações e aguardar a aprovação pelas autoridades competentes.

Após este processo de retificação, o regulador chinês do ciberespaço afirmou que “assumirá firme responsabilidade” por “navegadores móveis que continuem a apresentar problemas pendentes”.

A China tem um dos sistemas de censura da Internet mais restritivos do mundo, não apenas para vetar o acesso a um grande número de aplicativos, programas ou portais estrangeiros, mas também para monitorizar sistematicamente o conteúdo na sua própria rede.

Em julho, um relatório do Comité de Relações Internacionais do Senado norte-americano. concluiu que o futuro da Internet pode vir a ser dominado pelos chineses caso os países ocidentais não intervenham.

A China tem apostado fortemente em tecnologias que apoiam o autoritarismo, como por exemplo software de reconhecimento facial e de videovigilância. Amostras da ADN, impressões digitais, amostras de voz e tipos sanguíneos são dados tidos em conta na vigilância digital chinesa. Estas são armas que o Governo chinês usa para, por exemplo, perseguir a minoria de Uigures no seu território.

“Os Estados Unidos estão agora à beira de perder o futuro do domínio cibernético para a China”, lê-se no relatório citado pelo The Washington Post. “Se a China continuar a aperfeiçoar as ferramentas do autoritarismo digital e for capaz de implementá-las efetivamente no mercado interno e no exterior, a China, não os Estados Unidos e os seus aliados, moldará o ambiente digital”.

ZAP // Lusa

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