CGD aprovou uma coisa e fez outra. O resultado foram perdas de 340 milhões

Miguel A. Lopes / Lusa

António Vieira Monteiro, ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD)

O antigo vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), António Vieira Monteiro, garantiu no Parlamento que a operação `Boats Caravela`, que gerou perdas de 340 milhões de euros para o banco público, foi diferente daquela que foi assinada.

O actual presidente do Conselho de Administração do Santander Totta está a ser ouvido na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da CGD.

Vieira Monteiro disse aos deputados que, no quadro das suas responsabilidades na CGD, acompanhou a fase de preparação da operação e participou nas reuniões do Conselho de Administração em que se aprovaram as suas condições.

No entanto, aquilo que foi executado juridicamente relativamente à operação foi, segundo o gestor, distinto daquilo que foi aprovado, pelo que não se poderá pronunciar “sobre a versão final do clausulado e seus anexos”, referiu.

“Lendo-o agora, em preparação para esta audição, e comparando-o com as deliberações em Conselho de Administração que haviam fixado as suas condições, verifico que existe uma discrepância entre o que este órgão autorizou – balizando rigorosa e zelosamente o nível de risco a assumir – e o que consta das duas cláusulas do contrato, que se desviam das condições aprovadas pelo Conselho de Administração”, disse.

“A operação da maneira como estava delineada não trazia perdas“, disse Viera Monteiro aos deputados, admitindo ser “evidente que fazer, na altura, futurologia era difícil”.

O antigo vice-presidente da CGD lembrou que se tratava de “um fundo fechado” composto por activos “de primeira qualidade”, ao passo que a versão assinada do contrato, “sem que se entenda porquê”, atribui à contraparte do banco o poder de alteração discricionária da composição do fundo, podendo com isso a qualidade dos activos ser afectada e consequentemente o desempenho do contrato prejudicado.

“A fase de execução decorreu integralmente depois do início de 2000, ou seja, depois do termo do meu mandato”, acrescentou.

Vieira Monteiro admitiu à deputada do CDS Cecília Meireles que ficou “surpreendido” perante os resultados negativos “em tão pouco espaço de tempo”.

“Só vim a conhecer o contrato muito mais tarde. Não podia saber as cláusulas que levaram a esta situação”, disse o antigo responsável da CGD, garantindo que “nunca contactou com o Crédit Suisse”.

Os `Boats Caravela` foram um instrumento financeiro investido pela Caixa que implicava troca de activos, mas acabou por dar hipótese contratual à contraparte do negócio (o Credit Suisse First Boston) de colocar nos activos trocados produtos financeiros de baixa qualidade, que desvalorizaram e geraram perdas de 340 milhões de euros para o banco público.

ZAP // Lusa

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6 COMENTÁRIOS

    • O problema é que durante décadas tivemos amadores a fazer de gestores nas maiores empresas nacionais (então empresas públicas). A TAP, a REN, a EDP, a GALP, a CGD… serviram sempre para “arrumar” os amigos e procurar condicionar a economia e alguns grupos económicos privados que não convinha saírem fora do controlo do estado. Tudo isso com o nosso dinheiro a financiar, porque na gestão reinou sempre incompetência e no acionista principal apenas existia malvadez.

  1. Palavras levas o vento. No fim de Tudo isto o povo já se apercebeu que são todos uma cambada de vigaristas e ladrões e pergunta : Quando será DEVOLVIDO o Que nos foi ROUBADO e sobre o qual estamos a PAGAR imensos IMPOstos ??

  2. Mas alguém manda alguma coisa neste país? Eu não metia nenhum deles como mulher-a-dias, não cumprem requisitos de idoneidade, competência e capacidade de trabalho. E o Estado enfia com esta gente em bancos… e depois surpreende-se com o quê?

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