Fantasmas de Tancos continuam a agitar campanha. CDS quer que MP investigue Costa

José Sena Goulão / Lusa

A presidente do Partido Popular (CDS/PP), Assunção Cristas

Ao sétimo dia de campanha eleitoral, os fantasmas de Tancos, cuja acusação foi conhecida esta semana, continuam a marcar presença nas ações de campanha de vários partidos.

O CDS-PP propôs que o parlamento envie ao Ministério Público (MP) as declarações do ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes e do primeiro-ministro, António Costa, sobre o caso Tancos, para saber se houve “falsas declarações”.

Numa conferência de imprensa na sede nacional do partido, em Lisboa, a presidente do partido, Assunção Cristas, questionou se o presidente da Assembleia “já garantiu que todas as declarações prestadas no parlamento”, tanto de Azeredo Lopes como de Costa, “foram entregues ao Ministério Público”.

“É muito importante que seja esclarecido se houve ou não falsas declarações com relevância para este processo”, afirmou Cristas, admitindo que, em último recurso pode ser o partido a pedir, não tendo dúvidas de que houve declarações contraditórias entre Azeredo e Costa em todo o processo do furto do paiol de Tancos, em 2017.

E porque, no seu entender, depois da acusação pelo Ministério Público de Azeredo Lopes, o “assunto está longe de estar esclarecido”, a presidente do CDS desafiou, uma vez mais, o primeiro-ministro a, “de uma vez por todas, vir esclarecê-lo”.

O líder do PSD, Rui Rio, também não baixou a guarda e voltou a falar sobre Tancos. O social democrata pediu a Costa, de forma irónica,a para apresentar uma lista dos assuntos sobre os quais poderá falar na campanha.

“O que todos nós notamos em Portugal é que o PS, relativamente à questão de Tancos, não sabe o que há de dizer“, afirmou o presidente do PSD em declarações aos jornalistas em Mirandela, quando foi questionado sobre a manchete do Expresso, segundo a qual o PS considera existir uma conspiração contra partido por parte do MP.

Falando antes de entrar para um almoço com agricultores, em Mirandela, distrito de Bragança, Rui Rio refere que não vê relação entre os dois factos.

“Eu não vejo nenhuma relação que possa existir entre ter desaparecido material de guerra em Tancos e haver quem, no Ministério Público, possa não gostar do Partido Socialista, do PSD ou de outro partido qualquer, não vejo relação nenhuma”, salientou.

Assim, o líder social-democrata disse não perceber como é possível dizer “que alguém no Ministério Público não gosta de alguém”. Questionado sobre o porquê de o PS reagir a esta forma ao processo, Rio insistiu que só pode “admitir que assim seja porque não sabe o que há de dizer, não tem coisa muito racional e muito lógica para dizer”.

Já sobre o “convite” de António Costa para que regresse à campanha, Rio respondeu de forma irónica. “Se calhar vou ter de pedir ao dr. António Costa, que diz para eu tirar Tancos da agenda do dia e da campanha, se calhar então vou ter de pedir ao dr. António Costa que me mande a lista dos temas que ele quer que eu tire campanha e que eu ponha na campanha”, afirmou, prometendo analisar o documento.

Falando também sobre uma eventual nova comissão de inquérito a este assunto, o líder do PSD não se comprometeu. Notando que é preciso primeiro a Comissão Permanente da Assembleia da República “reunir e analisar a situação”, o presidente do PSD ressalvou que não gosta de “entrar em histerias”.

“Ninguém está acima da lei”, insiste o Bloco

A coordenadora do Bloco de Esquerda, por sua vez, considerou este sábado que a campanha eleitoral “não permite que haja achismos sobre matérias tão graves” como o caso de Tancos e sustentou que “ninguém está acima da lei”.

“Acho que há acusações que são de tal forma graves, que não são de achismo. Perguntarem-me se eu acho que o primeiro-ministro cometeu crime de desobediência qualificada ao responder à comissão de inquérito [de Tancos] não é matéria para achismos. Estas coisas têm de ser tratadas de uma forma séria. Acho que a campanha eleitoral não permite que haja achismo sobre matérias tão graves e que a justiça tem de fazer o seu caminho”, disse aos jornalistas Catarina Martins.

No final de um encontro com ajudantes familiares da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que estavam a recibos verdes e passaram esta semana a ter vínculo laboral, a coordenadora do BE voltou a ser questionada sobre o despacho do Ministério Público (MP) que acusa 23 arguidos no caso do furto e recuperação do material de guerra de Tancos.

Catarina Martins sublinhou que “Portugal é uma democracia e uma república e ninguém está acima da lei”, acrescentando que o Bloco de Esquerda tem tido “a mesma posição desde o princípio”, tendo o Ministério Público dado razão ao Bloco nas conclusões que tirou da comissão de inquérito de Tancos.

Já o líder comunista, preferiu desejar este sábado a recuperação do homólogo socialista, assistido sexta-feira num hospital devido a dores nas costas, e mostrou-se bem fisicamente, embora “não propriamente fresco como uma alface”.

“Em primeiro lugar, fundamentalmente, as melhoras, que é aquilo que lhe posso desejar para fazer a campanha até ao fim. Estou [bem fisicamente], no essencial. Isto é duro, por vezes, grandes percursos, mas isto quando se tem ânimo e ideal tem-se a coragem suficiente para travar esta batalha. Não estou propriamente fresco como uma alface, mas estou em condições de prosseguir esta batalha com entusiasmo até ao fim”, disse Jerónimo de Sousa, de 72 anos, mais 15 do que Costa.

Em jeito de balanço da primeira semana oficial de campanha eleitoral para as eleições legislativas de 6 de outubro, Jerónimo de Sousa confiou na boa evolução da angariação de votos para a Coligação Democrática Unitária (CDU), que junta comunistas e ecologistas.

“Uma campanha exigente, com muita iniciativa, e um sentimento que reafirmo: a CDU ainda está a construir resultado, os caminhos ainda estão abertos. Vamos, nesta semana que falta, procurar dar toda a nossa força para esse ambiente bom positivo”.

ZAP // Lusa

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