CDS critica “enorme infelicidade” do Presidente e “comunicação desastrosa” do Governo

António Cotrim / Lusa

O líder parlamentar do CDS-PP, Telmo Correia

O CDS-PP criticou hoje as declarações do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, quando disse que no que depender dele não haverá “volta atrás” no desconfinamento, considerando-as de “uma enorme infelicidade”, lamentando também a “comunicação desastrosa” do Governo.

“Se a frase do senhor Presidente da República segundo a qual ‘não há volta atrás’ é, no mínimo, de uma enorme infelicidade, porque contraditória com tudo o que tinha sido dito antes, o ‘ping pong’ que se seguiu entre PR e primeiro-ministro do tipo ‘quem manda sou eu, quem manda és tu’ foi absurdo. Digo-o nos mesmos termos em que no passado critiquei o excesso de ‘Dupond e Dupont’ entre ambos”, criticou Telmo Correia.

O líder da bancada centrista falava no arranque da interpelação ao Governo requerida pelo CDS-PP, no parlamento, sobre a gestão da covid-19 pós-estado de emergência, que conta com a presença de três secretários de Estado: Adjunto e da Economia, João Neves, Adjunto e da Saúde, António Sales, e da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes.

Os centristas arrancaram o debate com um conjunto de perguntas ao executivo, sobre dados de internamento nos hospitais por região, o calendário de testagem nas escolas, dados “concretos” sobre surtos nas escolas e sobre medidas adotadas atualmente nos transportes públicos.

“São perguntas concretas que queremos ver respondidas nesta interpelação. Isto numa altura em que, mais uma vez, ficámos com a sensação que um conjunto de mensagens erradas e uma comunicação desastrosa terão tido influência direta nos resultados com que estamos a ser confrontados”, criticou.

O líder parlamentar centrista fez também referência à situação pandémica em Lisboa, considerando que a “primeira pergunta evidente é: porque é que isto está a acontecer?”

“Foi a entrada da variante Delta? Foram os festejos futebolísticos e outros? Aí, apesar dos desmentidos do Governo, fica-nos a forte convicção de que a forma como não se preparou, nem se preveniram, por exemplo, os festejos do título de campeão nacional teve uma relação direta com o número de contágios”, apontou.

Na opinião do deputado, somado a esta situação “a realização da ‘Champions League’ na cidade do Porto” fica percetível que “a falta de decisão, de prevenção e a crise de autoridade, por parte de quem tem por responsabilidade de impor regras, é um desastre em situação de pandemia”.

“É evidente que o recuo que o Governo anunciou ontem, designadamente em relação aos 10 concelhos em risco e o anúncio de novas restrições incluindo a proibição de circulação de e para a Área Metropolitana de Lisboa, significam que o Governo estará a procurar, como dissemos, travar o dito ‘cocktail explosivo’ e o alastrar da situação grave que se vive em Lisboa, ao resto do país”, apontou o deputado, ressalvando que é necessário “outro tipo de atuação ou medidas”.

Desde logo, advogou, “não permitir exceções ao cumprimento das regras de segurança e garantir uma fiscalização eficaz”, rever e aumentar a testagem e os inquéritos epidemiológicos, preparar os hospitais para uma quarta vaga e contratualizar, “de uma vez por todas” com os setores privado e social, para que se recupere os atrasos em consultas e cirurgias”.

Os centristas deixaram também algumas questões ao executivo sobre o processo de vacinação, nomeadamente sobre o fenómeno de infeções em pessoas já vacinadas e questionou se “não faria sentido” antecipar a vacinação dos jovens, designadamente entre os 20-29 anos.

“O Governo falhou no pós-emergência, a culpa não é dos portugueses, mas sim da ausência de planeamento, de regras claras e da capacidade de as fazer cumprir. Se queremos evitar um retrocesso maior é isso mesmo que é preciso mudar”, rematou.

O estado de emergência, que foi declarado 15 vezes pelo Presidente da República, terminou oficialmente no dia 30 de abril, ao fim de 173 dias consecutivos em vigor, com onze renovações, desde 09 de novembro.

Desde 1 de maio que o país se encontra em situação de calamidade, o nível de resposta a situações de catástrofe mais alto previsto na Lei de Base da Proteção Civil.

// Lusa

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