Catalunha: violência policial e 877 feridos em dia de Referendo

Andre Dalmau / EPA

Violência policial e feridos em dia de referendo na Catalunha

A Polícia Nacional e a Guarda Civil espanholas colocaram agentes em assembleias de voto de Barcelona para impedir o referendo sobre a independência da Catalunha, suspenso pelo Tribunal Constitucional, originando momentos de tensão com as pessoas concentradas no exterior.

Ainda era de madrugada e os eleitores já formavam filas à porta dos colégios eleitorais. O objetivo seria impedir que as autoridades espanholas e catalãs fechassem os locais.

Mas nem isso terá sido suficiente, uma vez que a polícia entrou em dezenas de locais de votos, apreendendo material eleitoral e detendo manifestantes que se concentravam em frente às assembleias de voto, fez saber o Jornal de Notícias.

A busca pela independência catalã está a ser marcada pela violência e protestos. Em alguns locais ocorreram momentos de tensão e uso de força entre populares e polícia, equipada com material como balas de borracha.

A situação mais crítica registou-se em Sant Julia de Ramis, na cidade de Girona, onde deveria ter votado o presidente do governo catalão, Carles Puigdemont.

“Shame on you, Mariano Rajoy”

O presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, já reagiu aos registos de violência. “Tenha vergonha, Mariano Rajoy”, disse, em inglês.

O presidente do Governo catalão disse ainda que “é evidente que o uso injustificado, irracional e irresponsável de violência por parte do Estado espanhol não só não impede o desejo de ir votar como também torna mais claro o que está em causa num dia como o de hoje. Violência, golpes, bolas de borracha atiradas contra as pessoas que se concentraram pacificamente. Hoje está tudo dito. A imagem exterior do Estado caiu para um nível de vergonha que irá acompanhá-lo para sempre”, avança o Expresso.

O Governo central acusou ainda os Mossos d’Esquadra (polícia catalã) de estar a ser parcial e passivo.

A autoridade catalã respondeu dizendo estar a fazer cumprir as ordens de impedir o referendo independentista, mas “com proporcionalidade”.

“Estamos na rua a trabalhar para dar cumprimento à ordem do Tribunal Superior de Justiça Catalã, com proporcionalidade e adequando-nos a cada situação para garantir a segurança”, informaram os Mossos.

A mensagem foi publicada cerca das 10:00 locais (09:00 em Lisboa) depois de o delegado do Governo central, Enric Millo, ter acusado os’Mossos d’Esquadra de terem deixado “sobrepor questões políticas” na atuação daquela força policial, obrigando Madrid a ordenar a atuação das autoridades nacionais: Polícia Nacional e Guardia Civil.

Vimo-nos obrigados a fazer o que não queríamos fazer“, disse Enric Millo.

Entretanto, na escola infantil Diputació, no centro de Barcelona, os catalães reunidos na rua conseguiram a sua primeira vitória, ao obrigar a polícia espanhola a recuar aos gritos de “Não passarão” e “Votaremos

Houve lágrimas de emoção e aplausos mas também quem diga “Vencemos só a primeira volta”.

Polícias espanhóis agridem bombeiros que tentavam proteger população

De acordo com o Diário de Notícias, um vídeo partilhado nas redes sociais denuncia violência das autoridades espanholas contra bombeiros que, aparentemente, tentam proteger a população.

Os bombeiros estiveram a formar um cordão entre a população e as autoridades, quando a polícia começou a investir sobre aquela autoridade.

Entretanto, o El País cita fontes da Procuradoria Geral do Estado Espanhol, que terão manifestado o seu “mal-estar” quanto à atuação dos agentes da polícia autonómica por “terem atraiçoado a confiança que os juízes e os procuradores depositaram neles até ao último momento”, por isso, seis juízes terão aberto processos contra a polícia catalã.

Desde sexta-feira que várias escolas – designadas pelo Governo regional como assembleias de voto do referendo de hoje – estavam ocupadas por pais, alunos e residentes na Catalunha, para garantir que os locais não eram fechados pelas autoridades.

Ainda assim, os Mossos d’Esquadra (polícia catalã) fecharam dezenas de colégios eleitorais em toda a Catalunha, embora em alguns locais se tenham limitado a registar a concentração popular e saído sob aplausos da população.

O último balanço do governo catalão dá conta de mais de 760 feridos, na sequência dos distúrbios relacionados com a realização do referendo.

ZAP //

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